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Transição energética não pode justificar avanço sobre terras indígenas, dizem líderes

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A transição energética não pode servir de justificativa para o avanço sobre terras indígenas, alertaram lideranças reunidas em Santa Marta, na Colômbia, durante a primeira conferência global dedicada à substituição dos combustíveis fósseis. O debate ocorreu no fim de semana e reuniu representantes de mais de 50 países, governos subnacionais e organizações da sociedade civil, em meio à defesa de que os benefícios econômicos, climáticos e de segurança das energias renováveis não sejam obtidos às custas de ambientes naturais protegidos e de comunidades tradicionais. De acordo com informações do Guardian Environment, o encontro busca impulsionar as negociações climáticas em um cenário de impasses internacionais.

Segundo o relato, a alta dos preços do petróleo e a guerra no Oriente Médio aumentaram o interesse por tecnologias renováveis em várias regiões do mundo. Ainda assim, lideranças indígenas afirmaram que a troca da matriz energética não pode repetir a lógica de exploração já associada aos combustíveis fósseis, sobretudo em territórios onde há forte presença de biodiversidade e proteção ambiental.

Por que lideranças indígenas fazem esse alerta na transição energética?

As intervenções no evento destacaram que turbinas eólicas, painéis solares e baterias de carros elétricos dependem da mineração de minerais críticos, o que pode ampliar pressões sobre áreas indígenas. Embora tenham defendido a eliminação dos combustíveis fósseis, participantes alertaram que alternativas energéticas também podem criar novas ameaças a seus territórios.

Luene Karipuna, liderança indígena do Amapá, afirmou:

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“When extractivists move in, they don’t just destroy nature, but also our way of living.”

Patricia Suárez, da Organização Nacional dos Povos Indígenas da Amazônia Colombiana, também manifestou preocupação com o risco de substituição de um modelo de exploração por outro. Ela disse:

“It is not just about fossil fuels. Because after that, what is next? They will find some other reason to come after our land and minerals.”

Na sequência, Suárez acrescentou:

“We can’t cut out one problem just to open the door to another. We need to say no to fossil fuels and no to mineral extraction in the Amazon.”

O que a conferência em Santa Marta pretende discutir?

O encontro em Santa Marta foi apresentado como a primeira conferência mundial sobre a transição para além dos combustíveis fósseis. A iniciativa pretende formar uma “coalizão dos ambiciosos” e oferecer novo impulso a negociações climáticas que, segundo o texto, vêm enfrentando dificuldades dentro do processo formal da ONU.

Entre os pontos centrais do debate, estão:

  • a redução da dependência de combustíveis fósseis;
  • o financiamento público destinado ao setor de energia;
  • a proteção de territórios indígenas e ecossistemas preservados;
  • a relação entre energia, saúde e natureza.

Durante a conferência, o Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável, o IISD, apresentou pesquisa segundo a qual os combustíveis fósseis receberam US$ 1,2 trilhão em subsídios e outras formas de apoio público em 2024, ante US$ 254 bilhões destinados à energia limpa.

Angela Picciariello, pesquisadora sênior do IISD, afirmou:

“Governments need to stop making the same mistakes and expecting different outcomes. When energy prices spike, the instinct is often to spend more public money on fossil fuels. But that approach is costly, hard to unwind, and leaves people exposed to the next crisis. The better option is to protect households in the short term while using public finance to scale up renewables and build more resilient energy systems over time.”

Como autoridades colombianas e representantes indígenas participam das discussões?

O texto informa que grupos indígenas tiveram papel mais central em Santa Marta do que costumam ter em cúpulas da ONU. No domingo, eles realizaram um fórum próprio, cujas sugestões devem alimentar o documento principal da chamada Cúpula dos Povos, a ser apresentado no início das reuniões ministeriais de alto nível.

Gregório Mirabal, do povo indígena Kurripako, da Venezuela, defendeu que a discussão inclua não apenas energia, mas também água, floresta e saúde. Ele afirmou:

“The transition should be towards standing forests and fresh water. If we don’t change this [current economic] model of death, we will be left without water, without health.”

Irene Vélez Torres, diretora da Agência Nacional Ambiental da Colômbia, declarou que os territórios indígenas são especialmente vulneráveis à exploração por agentes externos. Segundo ela, esse processo deixa marcas profundas nessas comunidades. Vélez Torres disse:

“Extractivism has left deep wounds in the territories of the Indigenous communities.”

Ao reunir governos, lideranças indígenas e representantes da sociedade civil, a conferência recoloca no centro do debate climático uma disputa sobre o modo como a transição energética será conduzida. A mensagem apresentada em Santa Marta é que abandonar os combustíveis fósseis não basta, se a nova economia de energia repetir práticas de extração que comprometam territórios, modos de vida e áreas ambientalmente protegidas.

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