Um novo relatório de uma coalizão de grupos de defesa climática e responsabilidade acusa a indústria de Big Tech de fazer alegações infundadas sobre os benefícios climáticos da inteligência artificial (IA). De acordo com informações do DeSmog, apenas 26% das alegações climáticas feitas por grandes empresas de tecnologia citam pesquisas acadêmicas publicadas, enquanto 36% não apresentam evidências.
Quais são as críticas ao uso de IA pelas Big Tech?
O relatório é o primeiro a avaliar as alegações climáticas de desenvolvedores de IA como Google e Microsoft, além de instituições independentes como a Agência Internacional de Energia (IEA). A narrativa predominante na indústria de tecnologia é que os benefícios da IA compensarão o aumento maciço de emissões esperado dos novos centros de dados. No entanto, muitas dessas alegações confundem os benefícios climáticos da IA ‘tradicional’ com os de chatbots de IA ‘generativa’.
Como os centros de dados impactam o meio ambiente?
Os chatbots de IA generativa, como o ChatGPT, são grandes responsáveis pelo aumento das emissões, principalmente devido à construção e operação de novos centros de dados movidos a combustíveis fósseis. Um relatório destaca que uma consulta no ChatGPT requer cerca de dez vezes mais poder computacional do que uma busca padrão no Google. Ketan Joshi, analista independente de clima e energia e autor do relatório, afirmou:
“Parece que as empresas de tecnologia estão usando a ambiguidade sobre o que acontece dentro dos centros de dados para maquiar uma expansão destrutiva para o planeta”.
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Quais são as previsões para o futuro energético dos centros de dados?
A Agência Internacional de Energia prevê que as necessidades energéticas dos centros de dados quadruplicarão até 2030, alcançando quase o mesmo nível de consumo energético do Japão. O Operador do Sistema de Energia Nacional do Reino Unido (NESO) estima que, até 2030, os centros de dados consumirão 7% de toda a produção de energia da Grã-Bretanha. Pesquisadores da Universidade de Loughborough alertam que, se o crescimento da IA continuar no mesmo ritmo até 2033, os centros de dados demandarão mais energia do que toda a eletricidade atualmente gerada na Terra.
Como a IA está sendo usada de forma prejudicial ao meio ambiente?
Além disso, a IA está sendo utilizada de maneiras que prejudicam ativamente o meio ambiente, incluindo sistemas de aprendizado de máquina ‘tradicionais’. O relatório observa que a IA é usada por empresas de combustíveis fósseis para otimizar a exploração e aumentar a extração. Jill McArdle, ativista da Beyond Fossil Fuels, afirmou:
“Não há evidências de que a IA ajudará o clima mais do que o prejudicará”.
O relatório foi apoiado por grupos como Stand.Earth, Climate Action Against Disinformation, Friends of the Earth, Green Screen Coalition e Green Web Foundation.
Fonte original: DeSmog.