A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) realizou, nesta quinta-feira (16), em Belém, o encontro intitulado Conecta Águas: cooperação e parcerias para a segurança hídrica na Amazônia. O evento reuniu gestores públicos, representantes do setor produtivo, acadêmicos e membros da sociedade civil com o objetivo central de fortalecer a governança hídrica e promover a gestão sustentável das águas no Pará. A iniciativa buscou integrar diferentes esferas da sociedade para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas e garantir a conservação ambiental aliada ao progresso regional, utilizando painéis técnicos e debates estratégicos.
De acordo com informações da Agência Pará, a programação enfatizou que a abundância de recursos hídricos na região amazônica não deve ser interpretada como um fator inesgotável, especialmente diante das crises climáticas globais. A cooperação técnica entre os setores público e privado foi apontada como o caminho fundamental para a construção de soluções que ampliem o acesso à água e garantam a preservação das bacias hidrográficas para as futuras gerações.
Qual é a importância da cooperação para a gestão das águas?
Durante a cerimônia de abertura, a secretária adjunta de Gestão de Águas e Clima da Semas, Renata Nobre, destacou o papel estratégico do poder público na coordenação dessas políticas. Segundo a gestora, os recursos hídricos exigem uma visão sistêmica que considere as transformações no clima. Ela defendeu que a união entre os diferentes atores da sociedade é essencial para a continuidade das políticas públicas e para a construção de respostas efetivas aos problemas hídricos regionais.
Os recursos hídricos não podem mais ser tratados como abundantes e inesgotáveis neste cenário de mudanças climáticas. A cooperação entre setor público, privado e sociedade civil é essencial para garantir a continuidade de políticas públicas e a construção de soluções efetivas para a segurança hídrica.
— Publicidade —Google AdSense • Slot in-article
Como as tecnologias e parcerias auxiliam comunidades locais?
Um dos pontos centrais discutidos no evento foi a aplicação de tecnologia e pesquisa científica para resolver problemas de saneamento e acesso. O secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental da Semas, Rodolpho Zahluth Bastos, citou projetos concretos que já impactam a vida de populações tradicionais. Ele mencionou o projeto Água Para Todos, que implementa sistemas de captação e tratamento de água da chuva para atender comunidades na Ilha Grande e na Ilha do Combu.
A estrutura do evento foi dividida em quatro eixos principais de debate para organizar as propostas de ação:
- Resultados de parcerias estratégicas firmadas no Estado do Pará;
- O uso de novas tecnologias para a gestão hídrica;
- A relevância da pesquisa científica no monitoramento ambiental;
- A participação social e o fortalecimento da governança das águas.
Qual o papel da sociedade civil e das mulheres na agenda ambiental?
A representação social foi garantida por lideranças de comunidades tradicionais, como Rosalina Modesto, presidente da Associação de Coletores e Beneficiadores de Caranguejo de Maracanã. Ela destacou que espaços como o Conecta Águas são vitais para que pescadores e trabalhadores dos mangues tenham acesso ao conhecimento técnico, permitindo que as informações circulem dentro das comunidades que dependem diretamente dos ecossistemas aquáticos para sua subsistência.
Além das discussões técnicas, o evento promoveu um ato solene de reconhecimento à liderança feminina na área ambiental. Houve a certificação do Selo Amazônia Mulher para integrantes do Comitê da Bacia do Rio Marapanim. O selo valoriza as iniciativas de mulheres que atuam na linha de frente da proteção das bacias hidrográficas, reforçando que a segurança hídrica também passa pela equidade de gênero e pelo reconhecimento do saber local no manejo dos recursos naturais.