Mais de 15 milhões de ostras juvenis devem ser soltas no Mar do Norte, em uma área próxima a Orkney, na Escócia, como parte de um projeto de regeneração ambiental no Reino Unido. A iniciativa pretende recompor um grande banco de ostras nativas, com uso de um processo específico de cultivo e manejo, para ajudar na recuperação de ecossistemas marinhos degradados, melhorar a qualidade da água e ampliar a captura de carbono. De acordo com informações do Guardian Environment, o projeto está sendo desenvolvido com apoio de organizações ambientais e fundos ligados à restauração da natureza e ao ambiente marinho na Escócia.
Segundo os responsáveis pela iniciativa, a proposta é restabelecer um extenso leito de ostras ao redor de Orkney e criar um modelo que possa ser replicado em outras áreas costeiras do Reino Unido. Especialistas afirmam que a recuperação desses bancos pode desencadear efeitos positivos em cadeia no ambiente marinho, beneficiando peixes, mamíferos marinhos, aves marinhas e outras espécies associadas ao habitat.
Por que a recuperação dos bancos de ostras é considerada importante?
As ostras já tiveram papel central nos ecossistemas marinhos do Reino Unido e ocupavam grandes trechos do litoral. No Mar do Norte, algumas dessas áreas chegavam a cobrir uma extensão comparável ao tamanho do País de Gales, segundo o relato publicado pelo Guardian. Com o avanço da pesca excessiva, da poluição, das mudanças climáticas e da remoção deliberada para abertura de canais de navegação, essas populações sofreram forte redução.
De acordo com os especialistas citados na reportagem, essa perda teve impacto não apenas sobre as próprias ostras, mas também sobre espécies interdependentes. O resultado foi uma deterioração mais ampla de ecossistemas marinhos, com efeitos negativos em cadeia. A expectativa agora é que projetos de restauração como o de Orkney contribuam para reverter parte desse processo.
Como o projeto pretende reintroduzir as ostras no mar?
A iniciativa em Orkney cultiva ostras juvenis em terra, sobre placas enriquecidas com carbonato de cálcio. Depois que esses animais se estabelecem, as placas são levadas ao mar e instaladas em linhas longas, estratégia que busca protegê-los de predadores até que tenham tamanho suficiente para sobreviver e formar bancos mais estáveis.
Segundo a reportagem, esses bancos podem dar origem a recifes que abrigam dezenas de outras espécies, entre elas vieiras, moluscos, algas, macroalgas e invertebrados. A avaliação dos envolvidos é que a formação desse ambiente aumenta a complexidade ecológica da área e favorece a recuperação da vida marinha local.
“It won’t just benefit fish and the bay, it will benefit sea mammals, seabirds and the whole environment.”
A frase foi atribuída a Richard Land, especialista marinho que lidera o projeto, ao descrever o possível impacto sistêmico da ação. Ele também afirmou, segundo o Guardian, que a iniciativa pode servir de referência para a reintrodução de ostras no Reino Unido e em águas europeias.
Qual é o potencial climático apontado pelos apoiadores?
Um dos argumentos apresentados pelos apoiadores do projeto é o potencial de sequestro de carbono associado aos recifes de ostras. Dale Vince, fundador da Green Britain Foundation e um dos apoiadores da iniciativa, disse que pesquisas indicam que esses recifes podem capturar quantidades relevantes de CO2. A estimativa citada na reportagem é de que a restauração de cerca de 15 milhões de ostras em um novo banco com mais de 100 hectares possa sequestrar até 76 toneladas de CO2 por ano.
Ainda assim, os responsáveis pelo projeto afirmaram que o objetivo principal é estimular a reprodução natural desses bancos. A expectativa é que, uma vez estabelecidos ao longo do litoral, os efeitos de captura de carbono possam crescer de forma muito mais ampla com o passar do tempo.
- Mais de 15 milhões de ostras juvenis devem ser liberadas;
- A área restaurada prevista supera 100 hectares;
- O projeto busca recuperar ecossistemas marinhos e melhorar a qualidade da água;
- A iniciativa também é apresentada como modelo para outras regiões costeiras do Reino Unido.
Quem apoia a iniciativa e como ela foi recebida?
O projeto é conduzido com participação da Green Britain Foundation, do Nature Restoration Fund, do Marine Fund Scotland e da North Bay Innovations. A proposta recebeu apoio público de Alistair Carmichael, deputado liberal-democrata por Orkney e Shetland, que classificou como bem-vindos os esforços para restaurar a vida selvagem histórica das ilhas, especialmente com possibilidade de sequestro de carbono.
Philine Zu Ermgassen, da Universidade de Edimburgo, também afirmou, segundo o Guardian, que programas de reintrodução são fundamentais para restaurar populações de ostras. Na avaliação dela, em muitos locais as ostras remanescentes são hoje tão escassas que a recuperação sem intervenção humana se torna inviável, o que aumenta a relevância de técnicas de incubação e produção com estoques genéticos locais.
Com isso, o projeto em Orkney passa a ser observado não apenas como uma ação local de restauração, mas como uma possível referência para iniciativas semelhantes em outras áreas costeiras britânicas e europeias.