Justiça suspende falsa psicóloga em Salto do Jacuí após ação do MPRS - Brasileira.News
Início Estados (UF) Rio Grande do Sul Justiça suspende falsa psicóloga em Salto do Jacuí após ação do MPRS

Justiça suspende falsa psicóloga em Salto do Jacuí após ação do MPRS

0
7
Foto do prédio do Ministério Público do RS com foco na placa de identificação do órgão em uma fachada de concreto.
Reprodução / www.mprs.mp.br

A Justiça gaúcha determinou a suspensão imediata das atividades de uma mulher suspeita de atuar como falsa psicóloga no município de Salto do Jacuí, na Região Central do Rio Grande do Sul. A decisão, proferida no final de março de 2026, atende a um pedido cautelar formulado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), que investiga a conduta da suspeita após denúncias de irregularidades graves no exercício da profissão e riscos à saúde da população local.

De acordo com informações do MP-RS, a medida judicial também autorizou a realização de busca e apreensão de materiais em endereços ligados à investigada. O objetivo é recolher documentos, prontuários e equipamentos que possam comprovar a extensão das atividades ilícitas e resguardar evidências para o processo criminal. A operação visa interromper atendimentos e avaliações que vinham sendo realizados sem a devida formação técnica ou registro profissional válido.

O caso também serve de alerta fora do município gaúcho: no Brasil, o exercício da psicologia é regulamentado e depende de inscrição ativa no Conselho Regional de Psicologia da respectiva região, vinculado ao Sistema Conselhos de Psicologia. Para pacientes e instituições, a checagem do registro profissional é uma das formas de evitar fraudes e proteger atendimentos de saúde mental.

Como a suspeita realizava os atendimentos em Salto do Jacuí?

As investigações conduzidas pela promotora de Justiça Marisaura Inês Raber Fior revelaram que a mulher exercia a função de psicóloga de forma ampla no município. Ela atuava em diferentes frentes, incluindo segmentos públicos e privados da cidade. Entre as atividades rotineiras da suspeita, estavam a realização de atendimentos clínicos, elaboração de avaliações psicológicas e a emissão de relatórios técnicos, documentos que possuem impacto direto em decisões institucionais e tratamentos de saúde.

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

Um dos pontos centrais do inquérito é a utilização indevida de um número de registro no Conselho Regional de Psicologia (CRP). A apuração constatou que o registro profissional utilizado pela suspeita pertence, na verdade, a uma psicóloga devidamente formada e inscrita no conselho, sem relação com as atividades investigadas. Tal prática expõe a vulnerabilidade dos pacientes e, segundo a apuração, permitia à suspeita se apresentar a instituições e usuários como se estivesse regularmente habilitada.

Quais são as punições determinadas pela Justiça gaúcha?

A decisão judicial impõe uma série de restrições para evitar que novos danos sejam causados à comunidade. O descumprimento de qualquer uma das ordens pode acarretar sanções adicionais e agravamento da situação jurídica da investigada. As principais determinações da Justiça incluem:

  • Suspensão total e imediata de qualquer atividade relacionada à psicologia;
  • Proibição de utilizar títulos profissionais ou qualquer número de registro de classe;
  • Retirada obrigatória de anúncios, perfis e conteúdos com teor profissional das redes sociais;
  • Vedação de contato com antigos pacientes ou representantes de instituições onde prestou serviço;
  • Proibição de realizar novos atendimentos, mesmo que de forma gratuita ou informal.

A magistratura entendeu que a continuidade das atividades representava um risco à saúde pública, uma vez que o diagnóstico e o acompanhamento psicológico são atos privativos de profissionais habilitados. A intervenção busca impedir a continuidade de atendimentos sem respaldo técnico e preservar a segurança dos usuários.

Quais crimes a investigada pode responder perante a lei?

A conduta da mulher está sendo analisada sob a ótica do Código Penal Brasileiro e da Lei de Contravenções Penais. Inicialmente, os fatos narrados pelo Ministério Público configuram o exercício ilegal da profissão. No entanto, devido à utilização de registro profissional de terceiros e à emissão de documentos como se fosse profissional habilitada, a suspeita também é investigada por possível falsidade ideológica.

A promotoria destaca que o exercício da psicologia exige formação acadêmica e cumprimento de normas éticas, sendo essencial para o suporte emocional dos cidadãos. Quando realizado por alguém sem capacitação, o atendimento pode causar prejuízos aos pacientes e comprometer decisões tomadas com base em laudos e avaliações. A medida de suspensão foi adotada para resguardar a ordem pública enquanto as investigações prosseguem.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul permanece monitorando o caso e orienta que pessoas que tenham sido atendidas pela investigada procurem as autoridades para colaborar com o inquérito. A apuração busca dimensionar a extensão dos serviços prestados ilegalmente em Salto do Jacuí e reunir elementos para a responsabilização no caso.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here

WhatsApp us

Sair da versão mobile