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Illinois planeja trocar canos de chumbo e gerar 90 mil empregos; entenda o desafio na infraestrutura

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Operário de capacete utiliza ferramentas manuais para substituir tubulações metálicas antigas em vala de obra urbana.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

Illinois enfrenta uma crise de saúde pública ligada à presença de quase 1,5 milhão de ramais de água com chumbo conhecidos ou suspeitos, e um novo relatório afirma que a substituição dessa infraestrutura pode criar até 90 mil empregos ao longo de uma década. O estudo trata do problema no estado americano, com destaque para Chicago, e defende aceleração das trocas, priorização de comunidades mais expostas e ampliação da formação de mão de obra para enfrentar um passivo considerado caro e prolongado. O tema ajuda a dimensionar um debate mais amplo sobre renovação de infraestrutura de água e saneamento, área que também mobiliza investimentos públicos de grande escala em outros países, como o Brasil.

De acordo com informações do Inside Climate News, a análise foi desenvolvida com participação de organizações como Metropolitan Planning Council, Current, Elevate e HIRE360. O texto sustenta que a substituição dos encanamentos inseguros pode funcionar não só como medida de proteção à saúde, mas também como motor econômico, desde que haja financiamento estável e coordenação entre autoridades estaduais e locais.

Por que a troca dos canos de chumbo é tratada como prioridade em Illinois?

Segundo a reportagem, os ramais de serviço são os canos que levam água potável a residências e comércios. Em Illinois, eles contêm ou podem conter chumbo, descrito no texto como uma neurotoxina associada a problemas cognitivos, reprodutivos e cardiovasculares. O estado é apontado como aquele com o maior número de tubulações desse tipo nos Estados Unidos.

As estimativas citadas indicam 667 mil ramais de chumbo confirmados e outros 820 mil suspeitos. Só Chicago concentra cerca de 30% dessas tubulações. Para os autores do relatório, isso amplia a urgência de uma resposta pública capaz de reduzir a exposição ao material e, ao mesmo tempo, organizar uma estratégia de longo prazo para obras e contratação de trabalhadores.

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Quanto custaria a substituição e de onde viria o dinheiro?

A reportagem informa que trocar essas linhas é uma operação cara. Um relatório de 2022 da Illinois Environmental Protection Agency, agência ambiental do estado, apontou custo entre US$ 4 mil e US$ 13 mil por substituição em Illinois. Em Chicago, autoridades municipais estimaram gasto médio superior a US$ 30 mil por linha.

Com base nesses valores, autoridades estaduais estimaram que substituir todos os canos de chumbo conhecidos ou suspeitos em Illinois poderia custar entre US$ 6 bilhões e US$ 10 bilhões. A lei federal de infraestrutura aprovada no governo Biden reservou US$ 15 bilhões em cinco anos para ajudar estados a fazer esse tipo de troca. A expectativa é que Illinois receba cerca de US$ 1 bilhão, valor que, segundo Justin Williams, do Metropolitan Planning Council, provavelmente ainda é insuficiente diante da dimensão do problema local.

O relatório defende que a Assembleia Geral de Illinois, o Legislativo estadual, aprove financiamento dedicado, contínuo e previsível para cobrir essa diferença de vários bilhões de dólares. Sem garantias de longo prazo, a avaliação é de que as substituições tendem a continuar lentas e ineficientes.

Qual é o impacto estimado no emprego?

Usando projeções da American Water Works Association e da U.S. Environmental Protection Agency, os autores calcularam que os recursos federais já destinados poderiam gerar aproximadamente dois mil empregos diretos e nove mil indiretos. Caso o déficit de financiamento seja coberto, esse total poderia subir para 35 mil postos diretos e 55 mil indiretos, chegando a 90 mil empregos em dez anos.

“Quanto mais adiarmos o cuidado com nossa infraestrutura de água, mais caro isso vai ficar, mais teremos de lidar com aumento nas tarifas de água e mais pessoas ficarão numa situação em que não terão acesso a água potável segura e limpa”, disse Justin Williams, gerente sênior do Metropolitan Planning Council.

Outro ponto destacado é a necessidade de vincular os projetos à formação profissional. Jay Rowell, diretor-executivo da HIRE360, afirmou que a falta de previsibilidade no volume de recursos dificulta a abertura de novas vagas em programas de aprendizagem, porque o setor não sabe quantas oportunidades de trabalho efetivamente surgirão.

O relatório também propõe mudanças na composição da força de trabalho?

Sim. Um dos eixos centrais do documento é ampliar a diversidade nas profissões da construção. Uma análise da força de trabalho em Chicago citada na reportagem aponta que apenas 3,8% dos aprendizes registrados são mulheres e 10% são negros. Diante disso, o relatório recomenda que concessionárias e municípios incluam exigências de diversidade e equidade nos contratos dos projetos.

Na avaliação dos autores, Illinois tem a oportunidade de enfrentar simultaneamente dois desafios: reduzir os efeitos de uma infraestrutura tóxica antiga e estimular uma economia mais inclusiva. A matéria ressalta, porém, que os obstáculos financeiros e políticos permanecem elevados, mesmo com a pressão de entidades de saúde pública e desenvolvimento da força de trabalho. Para o leitor brasileiro, o caso ilustra como obras de saneamento podem ser tratadas ao mesmo tempo como política de saúde pública, infraestrutura urbana e geração de emprego.

  • Illinois tem quase 1,5 milhão de ramais de água com chumbo conhecidos ou suspeitos.
  • O custo total estimado para substituição varia de US$ 6 bilhões a US$ 10 bilhões.
  • Com todo o financiamento necessário, o potencial é de 90 mil empregos em dez anos.
  • O relatório pede prioridade para comunidades com maior exposição ao chumbo.

A conclusão do texto é que adiar a modernização da rede pode elevar custos futuros, pressionar tarifas de água e prolongar o acesso desigual à água potável segura. Por isso, os defensores da proposta pedem ação coordenada do estado para acelerar as trocas e dar escala ao investimento.

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