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Subprodutos do frango viram colágeno e queratina com tecnologia limpa

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Frascos de vidro contendo pó branco e substâncias translúcidas em um laboratório, representando biotecnologia.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

Um estudo brasileiro publicado em 27 de março de 2026 aponta que subprodutos do frango, como penas, pés e ossos, podem ser convertidos em insumos de maior valor, como colágeno, queratina e peptídeos bioativos, com o uso de tecnologias limpas. A pesquisa foi conduzida pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), instituição pública sediada no Rio Grande do Sul, e divulgada no contexto da produção avícola no Brasil, um dos principais produtores e exportadores mundiais de carne de frango. De acordo com informações da Agência Bori, o trabalho foi publicado na revista Ciência Rural.

Segundo o estudo, cerca de 37% do peso vivo de cada frango abatido é formado por subprodutos. Entre eles, as penas correspondem a 7% do peso da ave e concentram 85% de proteína bruta, principalmente queratina. Já pés e ossos somam 30% do peso da carcaça, o que amplia o potencial de aproveitamento desses materiais na obtenção de ingredientes para diferentes aplicações.

O que a pesquisa identificou sobre o potencial desses subprodutos?

O levantamento destaca que materiais geralmente tratados como descarte reúnem proteínas funcionais e outros componentes com valor industrial. As penas foram apontadas como fonte relevante de queratina, enquanto pés e ossos podem fornecer colágeno e outros compostos de interesse para os setores de cosméticos, alimentos e produtos farmacêuticos.

O texto também informa que, apenas em 2023, o Brasil exportou mais de 574 mil toneladas de farinhas e gorduras de origem animal. Apesar desse volume, a maior parte desse material ainda é subutilizada como ração de baixo valor comercial, o que, segundo a publicação, revela uma perda técnica e biológica no aproveitamento integral da cadeia produtiva.

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Como a tecnologia limpa permite essa transformação?

De acordo com a pesquisa, a extração desses compostos pode ser feita por métodos como hidrólise enzimática e uso de ultrassom. Essas técnicas são descritas como alternativas para quebrar estruturas mais resistentes, como as presentes em penas e ossos, sem o emprego de solventes tóxicos e sem gerar resíduos químicos associados a processos mais agressivos.

“As penas e os pés deixam de ser um problema de descarte para se tornarem fontes de colágeno de alta qualidade para cosméticos e gelatina farmacêutica”, explica a pesquisadora Mônica Voss.

O estudo sustenta que esse tipo de processamento pode ampliar o valor agregado dos subprodutos e abrir espaço para novos usos industriais. A proposta é substituir rotas convencionais por processos de menor impacto ambiental, alinhados a estratégias de aproveitamento integral das matérias-primas de origem animal.

Quais são os impactos econômicos e ambientais apontados?

Além da aplicação industrial, a pesquisa ressalta que os ossos, que representam 15% da carcaça, são reservas de cálcio e ácidos graxos essenciais. Esses componentes, segundo o texto, podem ser empregados na fortificação de alimentos. Com isso, o aproveitamento de subprodutos deixa de ter apenas função de descarte ou reciclagem e passa a integrar cadeias de maior valor.

No plano ambiental, os autores associam a estratégia ao conceito de desperdício zero. A lógica é reduzir o descarte inadequado, diminuir riscos de contaminação do solo e enfrentar impactos relacionados às emissões de gases de efeito estufa. Nesse cenário, o reaproveitamento de resíduos da avicultura é apresentado como uma frente de bioeconomia sustentável.

  • Subprodutos representam 37% do peso vivo do frango abatido.
  • Penas equivalem a 7% do peso da ave e têm 85% de proteína bruta.
  • Pés e ossos somam 30% do peso da carcaça.
  • Ossos representam 15% da carcaça e concentram cálcio e ácidos graxos essenciais.
  • Métodos citados incluem hidrólise enzimática e ultrassom.

O artigo científico mencionado foi publicado na revista Ciência Rural e tem DOI 10.1590/0103-8478cr20240552. A partir dos dados apresentados, a pesquisa sugere que resíduos da cadeia do frango podem deixar de ser destinados majoritariamente a produtos de baixo valor e passar a abastecer segmentos que demandam ingredientes funcionais e matérias-primas com maior nível de processamento.

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