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Poluição na fronteira da Índia e Butão ameaça o rio Torsa em Jaigaon

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A cidade indiana de Jaigaon, um adensado município situado na divisa direta com o Butão, enfrenta atualmente uma grave crise ambiental e de saúde pública devido ao descarte inadequado de lixo ao longo das margens do rio Torsa. O cenário de contaminação desenfreada, que envolve desde entulhos de construção até resíduos hospitalares, ameaça não apenas a população local, mas também um ecossistema vital que se estende por planícies sensíveis da região asiática. De acordo com informações do Mongabay Global, a poluição afeta diretamente a imagem e o funcionamento de um dos principais pontos de comércio e turismo entre as duas nações.

O curso d’água contaminado tem sua origem no vale de Chumbi, localizado na região leste dos Himalaias, e atravessa o território butanês antes de finalmente cruzar a divisa internacional e entrar em solo indiano exatamente por Jaigaon. Moradores locais e ativistas ambientais relatam que o descarte de plástico e outros materiais tóxicos ocorre de maneira descontrolada. Durante o período de chuvas intensas, grande parte desse lixo invade o rio, transborda e acaba adentrando residências e espaços públicos da comunidade fronteiriça.

Quais são os impactos da poluição do rio Torsa para a economia local?

A situação em Jaigaon gera forte preocupação entre os comerciantes e representantes do setor, que temem reflexos negativos no turismo internacional. A divisa entre a Índia e o Butão atrai um volume significativo de visitantes anualmente, e a degradação da paisagem prejudica ativamente a economia e o desenvolvimento da região.

Jayant Mundra, que atua como coordenador do Fórum Conjunto da Associação Empresarial de Jaigaon e vice-presidente da Associação de Comerciantes de Jaigaon, ressaltou as necessidades urgentes do município diante do crescimento populacional.

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Nossas cidades compartilham uma fronteira internacional e uma grande quantidade de turistas passa por aqui todos os anos. Como a cidade está crescendo em termos de população, exigimos uma instalação municipal para gerenciar os resíduos sólidos e também outras questões de Jaigaon

, afirmou o representante empresarial.

Como a contaminação afeta a fauna e a saúde dos residentes de Jaigaon?

Além do impacto visual e econômico, ativistas ambientais denunciam que o lixo despejado é frequentemente queimado a céu aberto, prática que libera poluentes altamente tóxicos na atmosfera. O perigo se estende para além dos limites urbanos da cidade. Ao fluir rio abaixo, o Torsa atravessa planícies de inundação que são ecologicamente sensíveis. Essas áreas naturais servem como habitat crucial para diversas espécies selvagens, incluindo:

  • Rinocerontes indianos;
  • Elefantes da região asiática;
  • Inúmeras espécies de aves migratórias.

Dipankar Saha, ex-diretor adicional do Conselho Central de Controle de Poluição da Índia, explicou a mecânica vital dos rios e os riscos extremos provocados pela ação humana.

A vida no rio depende de três coisas: fluxo, lodo e oxigênio na água. Mas nós escavamos o rio, nós o poluímos. Então, se não administrarmos o sistema fluvial, o rio também não administrará suas áreas úmidas, flora, fauna, campos agrícolas e sistemas de águas subterrâneas nas planícies

, alertou o especialista.

Paralelamente à crise ecológica, os residentes que vivem próximos às margens do rio sofrem as consequências diretas e severas na própria saúde. Fátima Khatun, moradora de 34 anos, relatou as dificuldades e os sintomas enfrentados no cotidiano.

Ficar aqui no meio do mau cheiro do lixo é muito frustrante. Às vezes ficamos doentes e temos náuseas, resfriado e dor de cabeça. Com crianças pequenas, é mais difícil porque elas ficam doentes constantemente

, relatou.

O que diz a legislação indiana e quais as iniciativas da sociedade civil?

O despejo irregular de resíduos nas margens de um rio configura uma clara violação das leis em vigor na Índia. Sabyasachi Chatterjee, advogado sênior do Tribunal Superior de Calcutá, destacou que a legislação atua de forma rigorosa e sem distinção de localização em todo o território nacional.

A lei é efetivamente ‘cega para a geografia’. Não importa se o despejo acontece em uma cidade movimentada ou em uma vila fronteiriça tranquila; se a água está sendo envenenada, o crime é o mesmo

, enfatizou o jurista.

Corroborando a visão jurídica sobre a existência de regras, Swati Singh Sambyal, especialista internacional em economia circular e gestão de resíduos, apontou que a principal falha institucional não reside na formulação dos textos oficiais.

A Índia tem uma estrutura política bastante forte. No entanto, o desafio hoje não é a ausência de políticas, mas a implementação

, declarou. Até o momento, a Autoridade de Desenvolvimento de Jaigaon se recusou a comentar os questionamentos sobre a falta de gestão pública na fronteira.

Diante da inércia oficial das autoridades locais, a conscientização partiu da própria comunidade através da internet. A poluição ribeirinha em Jaigaon ganhou ampla atenção pública recentemente após a publicação de um vídeo na rede social Instagram por Rock Lama, um criador de conteúdo local de 24 anos. Em resposta à repercussão digital, moradores de Jaigaon agora se reúnem todos os domingos e se juntam a Lama e a outros produtores de conteúdo em campanhas voluntárias de limpeza comunitária, buscando mitigar os danos e salvar o rio Torsa de forma totalmente autônoma.

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