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IBGE aponta que quase 5 milhões de domicílios ainda queimam lixo no Brasil

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Quase 4,8 milhões de domicílios no Brasil ainda destinavam o lixo por meio da queima na própria propriedade em 2025, apesar do avanço da coleta direta por serviços de limpeza urbana, segundo dados da Pnad Contínua divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira, 17. A prática se concentra sobretudo nas regiões Norte e Nordeste, onde as desigualdades de acesso à coleta adequada seguem mais evidentes. De acordo com informações da Revista Fórum, com base em dados da Agência IBGE, Norte e Nordeste somam 3,6 milhões desses casos.

No conjunto do país, a coleta direta se consolidou como o principal destino do lixo domiciliar, atendendo 86,9% dos domicílios particulares permanentes em 2025. O percentual varia entre as grandes regiões, de 79,3% no Nordeste a 91,1% no Sudeste. Ainda assim, o levantamento mostra que a queima de resíduos permanece como prática relevante fora dos centros urbanos e expõe falhas de infraestrutura em áreas mais vulneráveis.

Onde a queima de lixo ainda é mais frequente?

A diferença entre campo e cidade aparece com força nos dados do IBGE. Nas áreas rurais, a queima de resíduos era o principal destino do lixo em 50,2% dos domicílios, superando a coleta direta, que atendia 32,4%, e o uso de caçambas, com 12,6%. Já nas áreas urbanas, o cenário é distinto: 94,0% das residências contavam com coleta direta.

Na comparação regional, o Norte e o Nordeste concentram a maior parte dos domicílios que ainda queimam lixo. Segundo o levantamento, houve redução na proporção dessa prática entre 2016 e 2025, de 18,6% para 14,5% no Norte e de 17,2% para 13,0% no Nordeste. Mesmo com a queda, os números indicam que o problema continua presente em escala significativa.

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O que mais a pesquisa mostra sobre os domicílios no país?

A Pnad Contínua também apontou crescimento do número total de domicílios particulares permanentes no Brasil. Em 2025, o país tinha 79,3 milhões de unidades, alta de 18,9% em relação a 2016, quando eram 66,7 milhões. Nesse período, os domicílios alugados foram os que mais cresceram, com avanço de 54,1%, passando de 12,2 milhões para 18,9 milhões.

O analista da pesquisa, William Kratochwill, destacou a mudança no perfil da moradia no país.

“Foi um aumento de 5,4 pontos percentuais em relação a 2016. Quase um quarto dos domicílios brasileiros são alugados, enquanto a taxa de domicílios próprios ainda pagando não variou muito ao longo do tempo; de 6,2, em 2016, para 6,8, em 2025. Já domicílio próprio que já está pago vem diminuindo e chegou a 60,2%. É uma redução de 6,6 pontos percentuais, em relação a 2016”.

Entre os tipos de moradia, as casas seguiam predominantes em 2025, representando 82,7% dos domicílios, ou 65,6 milhões. Os apartamentos correspondiam a 17,1%, ou 13,6 milhões. No período de 2016 a 2025, no entanto, o número de apartamentos cresceu 48,7%, acima da alta de 14,2% observada entre as casas.

Quais materiais predominam nas moradias brasileiras?

O levantamento mostra que 48,9% dos domicílios tinham telha sem laje de concreto como material predominante da cobertura em 2025. Em seguida apareciam telha com laje de concreto, com 32,7%, e somente laje de concreto, com 15,6%. A Região Sudeste foi a única em que a cobertura com telha e laje de concreto superou a de telha sem laje.

Nas paredes, a alvenaria ou taipa com revestimento foi o material predominante em 89,7% dos domicílios. O avanço foi de 2,1 milhões de unidades em relação ao ano anterior. Sobre esse ponto, William Kratochwill afirmou:

“É um número que mostra uma evolução econômica das regiões. O Norte tem se destacado, com um aumento de 10,0 pontos percentuais, chegando a 71,5% dos domicílios com esse tipo de parede”.

Nos pisos, 82,9% dos domicílios tinham cerâmica, lajota ou pedra em 2025. O cimento aparecia em 10,9%, seguido pela madeira apropriada para construção, com 5,7%. Em relação a 2016, todas as grandes regiões registraram redução da proporção de pisos de cimento e aumento dos revestimentos de cerâmica, lajota ou pedra.

Como estão os serviços de água, esgoto e energia?

O acesso à rede geral de abastecimento de água atingiu 86,1% dos domicílios em 2025, o equivalente a 68,3 milhões de unidades. O índice variava de 60,9% no Norte a 92,4% no Sudeste. Nas áreas urbanas, o percentual era de 93,1%; nas rurais, de 31,7%.

William Kratochwill comentou o desempenho do Sudeste no período analisado.

“A Região Sudeste manteve a mesma proporção de 2016 para 2025. Esse número constante significa que o crescimento de domicílios na região tem sido acompanhado por uma proporção igual de expansão da rede geral de abastecimento. Quando esse percentual aumenta, significa que a expansão da rede de abastecimento está sendo maior do que a expansão do número de domicílios”.

No esgotamento sanitário, a proporção de domicílios com rede coletora subiu de 68,1% em 2019 para 71,4% em 2025. Em áreas urbanas, 79,3% tinham escoamento por rede geral; nas rurais, apenas 8,9%. Já o acesso à energia elétrica permaneceu praticamente universal, chegando a 99,8% dos domicílios em 2025.

  • Queima de lixo em 2025: 4,8 milhões de domicílios
  • Coleta direta de lixo: 86,9% dos domicílios
  • Rede geral de água: 86,1%
  • Rede coletora de esgoto: 71,4%
  • Acesso à energia elétrica: 99,8%

Os dados reunidos pelo IBGE indicam melhora em vários indicadores habitacionais e de infraestrutura, mas mostram que a destinação inadequada de resíduos e a desigualdade no acesso a serviços básicos continuam mais intensas em áreas rurais e em regiões historicamente mais vulneráveis.

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