O relatório State of the Global Climate 2025, da Organização Meteorológica Mundial (OMM), afirma que o período de 2015 a 2025 reúne os 11 anos mais quentes já registrados e que 2025 foi o segundo ou terceiro ano mais quente da série histórica, com temperatura média global próxima à superfície em cerca de 1,43°C acima da média de 1850 a 1900. O documento também registra aquecimento contínuo dos oceanos, perda de gelo marinho, recuo de geleiras e impactos de eventos extremos sobre economias, deslocamentos populacionais, segurança alimentar e saúde.
De acordo com informações do EcoDebate, que sintetiza os dados do relatório da OMM publicado em 20 de abril de 2026, os indicadores climáticos mantiveram tendência de agravamento mesmo com a transição para condições de La Niña, que tendem a resfriar temporariamente o planeta.
O que o relatório mostra sobre gases de efeito estufa?
Segundo o texto, dados de estações de monitoramento indicam que os níveis de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso continuaram a subir em 2025. Em 2024, último ano com observações globais consolidadas, a concentração atmosférica de dióxido de carbono atingiu o maior nível dos últimos 2 milhões de anos, enquanto metano e óxido nitroso alcançaram níveis sem precedentes em pelo menos 800 mil anos.
O material informa ainda que o aumento anual da concentração de CO2 em 2024 foi o maior desde o início das medições modernas, em 1957. De acordo com a síntese, esse avanço foi impulsionado por emissões contínuas oriundas de combustíveis fósseis e pela redução da eficácia dos sumidouros de carbono terrestres e oceânicos.
Como oceanos e nível do mar aparecem no diagnóstico?
O relatório aponta que o conteúdo de calor do oceano, até 2.000 metros de profundidade, atingiu em 2025 o maior valor desde o início dos registros, em 1960, superando o recorde anterior de 2024. Nos últimos nove anos, cada ano estabeleceu uma nova máxima nesse indicador. A taxa de aquecimento dos oceanos entre 2005 e 2025, segundo a síntese, mais que dobrou em relação ao período de 1960 a 2005.
Mesmo sob condições de La Niña, cerca de 90% da superfície oceânica registrou ao menos uma onda de calor marinha em 2025. O aquecimento dos oceanos, segundo o texto, favorece tempestades tropicais e subtropicais, reduz a capacidade de absorção de carbono e agrava a perda de gelo marinho nas regiões polares.
Em relação ao nível médio global do mar, 2025 ficou em patamar comparável ao recorde observado em 2024 e cerca de 11 centímetros acima do início do registro por satélite, em 1993. A elevação do mar, conforme a síntese, afeta ecossistemas costeiros, contribui para a salinização das águas subterrâneas e amplia o risco de inundações.
Quais outros indicadores físicos foram destacados?
O documento menciona queda contínua do pH da superfície oceânica, associada à absorção de CO2 pelo mar. Entre 2015 e 2024, cerca de 29% do dióxido de carbono gerado por atividades humanas foi absorvido pelos oceanos. Com base no IPCC, a síntese afirma haver elevado grau de confiança de que os níveis atuais de pH da superfície oceânica não têm precedentes há pelo menos 26 mil anos.
Também houve continuidade da perda de massa glacial. No ano hidrológico de 2024/2025, a redução das geleiras de referência esteve entre as cinco piores já registradas. O texto destaca perdas excepcionais na Islândia e ao longo da costa do Pacífico da América do Norte. No gelo marinho, a extensão média anual no Ártico em 2025 foi a mais baixa ou a segunda mais baixa da era dos satélites, iniciada em 1979, enquanto a Antártida registrou a terceira menor média anual, atrás de 2023 e 2024.
- 2015 a 2025 formam os 11 anos mais quentes já registrados
- 2025 foi o segundo ou terceiro ano mais quente da série
- Oceano atingiu recorde de conteúdo de calor
- Nível do mar ficou perto do recorde de 2024
- Ártico e Antártida seguiram com baixa extensão de gelo marinho
Quais impactos humanos e econômicos foram relacionados?
A síntese informa que eventos extremos, como calor intenso, chuvas fortes e ciclones tropicais, causaram perturbação e devastação em diferentes regiões do mundo. Um suplemento do relatório reúne informações de organismos como OIM, IDMC, ACNUR, PMA e FAO para relacionar fenômenos meteorológicos com deslocamento populacional e segurança alimentar.
Segundo o texto, os efeitos climáticos extremos têm impactos em cascata na produção agrícola, aumentam a insegurança alimentar e podem repercutir sobre estabilidade social, migração e biossegurança. O material também afirma que múltiplos desastres, quando acumulados, reduzem a capacidade de preparação, recuperação e adaptação de comunidades vulneráveis.
Na área da saúde, a síntese aponta efeitos sobre mortalidade, meios de subsistência, ecossistemas e sistemas sanitários, além de ampliação de riscos ligados a doenças transmitidas por vetores e pela água. O texto menciona ainda fatores de estresse relacionados à saúde mental, especialmente entre populações vulneráveis, e destaca a dengue como a doença transmitida por mosquitos que mais cresce no mundo.