O Encargo de Potência para Reserva de Capacidade (ERCap) pode atingir R$ 78/MWh em 2032, com efeitos sobre consumidores livres e cativos, especialmente as indústrias eletrointensivas, segundo análise da TR Soluções sobre os contratos do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap). O impacto na conta de luz deve começar a ser sentido a partir de maio e tende a crescer ao longo da próxima década, à medida que os contratos entrem em vigor. De acordo com informações da Megawhat, a projeção indica pressão adicional sobre as tarifas de energia no país.
Segundo a análise, os contratos firmados no leilão podem elevar o ERCap a cerca de R$ 48 bilhões por ano no início dos anos 2030. O cálculo considera a receita fixa da contratação de potência com base no modelo Sete, da TR Soluções. A avaliação aponta aumento de custos tanto para consumidores do mercado regulado quanto para agentes do mercado livre.
Como o encargo deve afetar os consumidores cativos?
Para os consumidores cativos, o impacto médio estimado nas tarifas de energia é de cerca de 0,4% em 2026. Esse efeito deve crescer gradualmente com a entrada em operação dos contratos, alcançando média nacional de 8,4% em 2032, de acordo com a análise.
Os efeitos variam conforme o nível de tensão de conexão. No consumidor residencial, classificado no subgrupo B1, a projeção é de incremento médio de 7,5% em 2032. Já na média tensão, no subgrupo A4, o impacto pode chegar a 10,3%.
Entre os grandes consumidores industriais conectados em alta tensão, no subgrupo A2, o reflexo pode ser ainda maior. Nesse caso, a tarifa pode registrar alta de 13,5% em comparação com o cenário sem os leilões de capacidade realizados em março de 2026.
O que muda para os consumidores do mercado livre?
No mercado livre de energia, o efeito ocorre diretamente sobre o ERCap. A projeção da TR Soluções indica que o encargo pode sair dos atuais R$ 7/MWh para cerca de R$ 78/MWh em 2032, elevando o custo da energia para consumidores livres.
A análise destaca que o peso maior tende a recair sobre segmentos com consumo intensivo de eletricidade. Esse é o caso das indústrias eletrointensivas, que devem sentir com mais relevância os efeitos da contratação de reserva de capacidade.
Por que esse custo está sendo projetado agora?
O estudo ressalta que os primeiros alertas do planejamento oficial sobre a necessidade de contratação de potência remontam a 2012, mas a contratação desse mecanismo descrito como “seguro energético” só passou a ocorrer a partir de 2021. Segundo Helder Sousa, a busca por suprimento próximo ao limite de criticidade do sistema levou à incorporação de um prêmio de risco nos contratos, em linha com a urgência da contratação.
O especialista também defende que a segurança do sistema elétrico brasileiro não dependa exclusivamente da contratação de usinas térmicas. Segundo o texto original, ele aponta a necessidade de modernização dos sinais de preço e de mecanismos mais robustos de resposta da demanda, com incentivo para redução do consumo nos horários de pico e aumento da eficiência do sistema.
Qual foi o volume contratado no leilão?
Em março, foram contratados 19.478 MW de disponibilidade de potência nos dois LRCaps. Desse total, 403 MW foram contratados por três anos, 7.707 MW por dez anos e 11.368 MW por 15 anos. O preço médio foi de R$ 2.011.824 por MW ao ano.
- 403 MW contratados por três anos
- 7.707 MW contratados por dez anos
- 11.368 MW contratados por 15 anos
- Preço médio de R$ 2.011.824 por MW ao ano
Para medir o peso desse mecanismo sobre o atendimento da demanda de ponta do sistema, sem considerar custos variáveis, a TR Soluções avaliou a receita fixa a ser paga aos geradores contratados. Em valores nominais, esses compromissos podem chegar a cerca de R$ 53 bilhões em 2032, sendo R$ 5,1 bilhões referentes ao leilão de 2021 e R$ 47,7 bilhões ligados ao certame mais recente, quando toda a capacidade contratada já estiver em operação e recebendo remuneração.