O **Monitor de Secas** da **Agência Nacional de Águas (ANA)** divulgou nesta quinta-feira (16) que todas as regiões do **Paraná** apresentam algum nível de estresse hídrico no mapa referente a março. O estudo, realizado em parceria com o **Simepar** (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), revela que as regiões **Oeste** e **Noroeste** entraram em situação de seca fraca, enquanto outras áreas do estado enfrentam condições moderadas. A irregularidade na distribuição das chuvas durante o verão foi o principal catalisador para a expansão do fenômeno meteorológico.
De acordo com informações da Agência Paraná, houve um recuo da seca grave para moderada em cidades na divisa com São Paulo, como Sengés e Jacarezinho. Contudo, a seca moderada ainda persiste em áreas como o Vale do Ribeira, o norte do Litoral, o Sul até Pinhão e parte do Sudoeste paranaense. Nas demais localidades, o registro é de seca fraca, evidenciando uma cobertura total da estiagem sobre o território estadual.
Qual é a causa meteorológica para a persistência da seca no estado?
O meteorologista do Simepar, **Reinaldo Kneib**, explica que a precipitação abaixo da média histórica foi severamente influenciada por massas de ar seco que predominaram durante o mês de março. Segundo o especialista, a falta de umidade vinda da região amazônica impediu a formação de chuvas consistentes, especialmente no Oeste e Sudoeste. Em março de 2026, das 47 estações do Simepar, apenas oito atingiram o volume histórico esperado.
“Essa precipitação abaixo da média histórica foi influenciada pela atuação de massas de ar seco que predominaram ao longo do mês. A ausência de movimento de umidade da região amazônica para o estado do Paraná também justifica a ocorrência de vários dias consecutivos com pouca ou nenhuma chuva, principalmente nos municípios das regiões Oeste e Sudoeste”
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Entre as cidades que registraram menos de 25 milímetros de chuva durante todo o mês, destacam-se:
- Cascavel;
- Curitiba;
- Irati;
- Loanda;
- Pato Branco;
- Santo Antônio da Platina.
Quais são os principais impactos da estiagem para a agricultura e economia?
Os efeitos do déficit hídrico variam conforme a região. No Norte paranaense, nos Campos Gerais e na Região Metropolitana de Curitiba, a seca já dura mais de um ano, gerando impactos de curto e longo prazo. Isso significa que, além de prejudicar o desenvolvimento das culturas agrícolas, há riscos reais para o abastecimento público de água. No Noroeste, o cenário é considerado crítico pela plataforma Simeagro, com aumento expressivo do risco de incêndios e estresse hídrico severo.
“A seca fraca está relacionada à ausência de precipitação e alguns indicadores, como o crescimento baixo de algumas culturas, afetando a agricultura. Além disso, no Sudoeste especificamente, a seca se agravou um pouco mais, evoluindo de fraca intensidade para moderada. Ou seja, também há impactos em alguns riachos, rios da região. Isso pode ocasionar desabastecimento, ou alguma cultura poderá ser mais atingida que outras”
A produção de soja em final de ciclo e o milho de segunda safra em fase inicial são as culturas mais vulneráveis no momento. A redução do vigor vegetativo e possíveis falhas no estabelecimento das lavouras de milho safrinha preocupam os produtores rurais, que dependem da recomposição das reservas hídricas para manter o potencial produtivo das propriedades.
Como o Governo do Paraná está auxiliando os municípios afetados?
A Coordenação Estadual de Defesa Civil (Cedec) monitora o avanço da estiagem e presta auxílio às prefeituras. Atualmente, existem 20 decretos de situação de emergência homologados no estado. O Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap) é o responsável por direcionar recursos para ações de prevenção e mitigação dos danos causados pela falta de água.
O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Fernando Schunig, detalhou os investimentos recentes para apoiar as comunidades mais atingidas pela escassez:
“Ao todo destinamos já R$ 324 mil para as prefeituras de Nova Prata do Iguaçu, Roncador e Antonina que solicitaram ajuda à Cedec. O dinheiro está sendo investido na compra de caixas d’água e combustível usado nos veículos pesados para obras de emergência para a captação de água”
Entre os municípios com decretos vigentes estão:
- Boa Vista da Aparecida, Nova Tebas e Planalto;
- Realeza, Capitão Leônidas Marques e Coronel Domingos Soares;
- Espigão Alto do Iguaçu, Laranjal e Prudentópolis;
- Quedas do Iguaçu, Missal e Santa Helena;
- Iretama, Salto do Lontra, Roncador e Nova Prata do Iguaçu;
- Capanema, Santa Mariana, Borrazópolis e Antonina.
Existe previsão de melhora no volume de chuvas para o mês de abril?
A tendência indicada pelo Simepar é de que a situação de seca persista ao longo de abril. Historicamente, este mês apresenta chuvas volumosas concentradas em poucos episódios, intercaladas por longos períodos de tempo seco. A previsão aponta que apenas o Litoral deve ter volumes próximos à média histórica, enquanto o restante do estado, especialmente a Região Metropolitana de Curitiba e os Campos Gerais, terá acumulados abaixo do esperado.
Diante desse quadro, a Sanepar reforça o apelo pelo uso racional da água. O diretor-presidente da companhia, Wilson Bley, ressalta que o monitoramento dos mananciais é constante por meio do sistema Infohidro, ferramenta de gestão de riscos que opera em parceria com o Simepar e o IAT.
“Graças ao sistema Infohidro, ferramenta desenvolvida em parceria com o Simepar e o IAT, podemos realizar a gestão de riscos e estamos trabalhando ininterruptamente para garantir a regularidade do abastecimento. No entanto, água é um bem finito e sua disponibilidade depende de um esforço coletivo”
Nacionalmente, o Paraná compartilha o cenário de seca moderada com estados como São Paulo, Minas Gerais e Goiás. No Brasil, apenas o Acre e o Espírito Santo não registraram qualquer índice de seca no mapa mais recente do Monitor de Secas, o que reforça a gravidade da crise hídrica em âmbito regional.