A edição de número 169 do jornal Cândido, publicação mensal da Biblioteca Pública do Paraná (BPP) referente ao mês de abril, traz como destaque central o lançamento do livro “Mulheres com N Maiúsculo: perfis jornalísticos e escrevivências negras”. A reportagem de capa, assinada pela jornalista Isa Honório, detalha o projeto que se dedica a registrar e preservar as memórias de mulheres negras com trajetórias de impacto tanto no território paranaense quanto no cenário nacional.
De acordo com informações da Agência Paraná, a obra foi produzida por um coletivo composto por dez comunicadoras e conta com a publicação da editora Arte & Letra. O livro utiliza uma linguagem que transita entre o jornalismo e a literatura para apresentar perfis de mulheres que ocupam espaços de relevância em setores como a política, a cultura e a organização social. Como parte do material complementar da edição, a seção intitulada Prateleira apresenta uma curadoria de obras literárias que se fundamentam no conceito de escrevivências.
Qual é a origem e a importância do termo escrevivência na publicação?
O conceito de escrevivências, que norteia tanto o livro em destaque quanto a arte da capa assinada por Bruna Rossato, foi originalmente formulado pela renomada escritora afro-brasileira Conceição Evaristo. O termo designa uma forma de escrita que parte da experiência de vida da pessoa negra, unindo a subjetividade individual à memória coletiva de um povo. No contexto do jornal Cândido, essa abordagem busca dar voz e visibilidade a histórias que historicamente foram marginalizadas ou silenciadas nos registros oficiais.
Além da temática central sobre o protagonismo feminino negro, o periódico dedica espaço para a história da música e do feminismo. A entrevista principal desta edição é realizada com Emanuela Siqueira, responsável pela tradução brasileira da obra “A Vingança das Punks: Uma História Feminista da Música, de Poly Styrene ao Pussy Riot”, escrita pela jornalista britânica Vivien Goldman. O conteúdo explora a intersecção entre o movimento punk e as pautas de gênero ao longo das últimas décadas.
Quais outras seções literárias e artísticas compõem o jornal?
A edição 169 do Cândido mantém sua tradição de diversidade literária ao apresentar colunas fixas e novos talentos da literatura brasileira. Entre os pontos principais desta tiragem, destacam-se:
- A coluna “Crônicas Vertigens”, assinada pelo multiartista Fausto Fawcett;
- O ensaio “Moda do afeto na glosa do clubinho”, de Diogo Santiago, que inicia a seção de literatura;
- O conto inédito intitulado “Incêndio”, de autoria da jornalista e escritora Melissa Sayuri;
- Uma seleção de poemas inéditos escritos por Maria Cardoso.
No campo das artes visuais e do fotojornalismo, a fotógrafa Izabel Liviski apresenta o ensaio “Olhares e Vozes do Cárcere”. O trabalho documental revela o cotidiano e a identidade de mulheres detentas em um presídio feminino localizado em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. A proposta visual dialoga com o tema da edição ao humanizar e registrar existências dentro do sistema prisional paranaense sob uma perspectiva sensível e técnica.
Como acessar o conteúdo e os serviços da Biblioteca Pública do Paraná?
O jornal Cândido é uma das principais ferramentas de fomento à leitura e divulgação literária mantidas pela Biblioteca Pública do Paraná. Localizada no centro de Curitiba, na Rua Cândido Lopes, número 133, a instituição oferece atendimento ao público de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 20h, e aos sábados, das 8h30 às 13h. Além da versão física, o conteúdo pode ser acessado integralmente por meio da plataforma digital oficial do periódico.
A publicação reafirma o papel do estado em promover a preservação da memória e o acesso democrático à cultura. O Cândido continua sendo um veículo essencial para a discussão de temas contemporâneos, unindo a tradição dos grandes arquivos bibliográficos com as novas vozes da literatura contemporânea produzida no Brasil.