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Mar do Norte não garante segurança energética do Reino Unido, dizem ex-militares

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Offshore oil rig silhouetted against a vibrant sunset with dramatic clouds.
Offshore oil rig silhouetted against a vibrant sunset with dramatic clouds. Foto: GANESH RAMSUMAIR — Pexels License (livre para uso)

Ex-líderes militares do Reino Unido afirmaram que ampliar a perfuração no Mar do Norte não resolverá os desafios de segurança energética do país. As declarações foram feitas em meio ao lançamento, em 30 de março de 2026, de uma campanha da líder conservadora Kemi Badenoch em defesa de novas perfurações, enquanto especialistas e relatórios citados no debate sustentam que a proteção energética britânica depende de transição acelerada para fontes como vento, solar, marés e nuclear, além de eficiência energética e renovação da rede elétrica. De acordo com informações do Guardian Environment, o argumento central é que preços e destinos do petróleo e do gás seguem subordinados ao mercado internacional.

Embora o debate seja britânico, ele dialoga com discussões presentes também no Brasil, grande produtor de petróleo que convive com preços influenciados pelo mercado internacional e, ao mesmo tempo, amplia investimentos em fontes renováveis na matriz elétrica. O tema ganha relevância global por envolver o equilíbrio entre exploração de combustíveis fósseis, segurança de abastecimento e transição energética.

O alerta foi reforçado por Neil Morisetti, contra-almirante reformado e professor de segurança climática e de recursos na University College London. Segundo ele, tentar extrair o que resta de petróleo e gás do Mar do Norte “não é a resposta” para os problemas enfrentados pelo Reino Unido. Morisetti reconheceu que o país ainda precisará de petróleo e gás por anos, mas avaliou que as guerras no Irã e na Ucrânia ampliaram a incerteza sobre o abastecimento e pressionaram os preços.

Por que ex-militares dizem que perfurar mais não aumenta a segurança energética?

Morisetti afirmou ao jornal que novas perfurações não reduziriam as contas pagas pelos consumidores nem entregariam segurança energética duradoura. Em sua avaliação, o preço e o destino dos combustíveis fósseis são definidos pelos mercados internacionais, o que impede que o aumento da produção local seja confundido com independência energética.

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“Isso não reduzirá o preço para os consumidores, nem proporcionará segurança energética de longo prazo. Os mercados internacionais determinarão o preço e o destino; isso não é independência energética”, disse.

Ele defendeu uma estratégia baseada em maior eficiência energética para reduzir a demanda e em um plano claro de transição rápida para energia solar, eólica, das marés e nuclear. Também citou a necessidade de uma “grande renovação” da rede elétrica, com sistemas de armazenamento capazes de apoiar a distribuição.

O que dizem os relatórios e especialistas citados na reportagem?

Um relatório separado do think tank E3G, mencionado pela reportagem, adverte que “gargalos estruturais” no fornecimento global de petróleo e gás fazem com que ampliar a oferta de combustíveis fósseis em qualquer lugar não melhore, por si só, a segurança de um país. O texto aponta riscos associados tanto a bloqueios físicos de rotas quanto a “gargalos de papel”, como a retirada de seguros.

De acordo com o estudo citado, a forma mais duradoura de reduzir a exposição a esses gargalos é cortar a dependência de petróleo e gás por meio de eletrificação, eficiência, redes, armazenamento e energia limpa doméstica. Maria Pastukhova, assessora sênior de políticas do E3G, afirmou que sistemas de energia limpa não estão imunes a choques, mas transferem maior parte do sistema para controle interno e reduzem a exposição à volatilidade geopolítica e de mercado.

  • Eficiência energética para reduzir a demanda
  • Expansão de fontes eólica, solar, de marés e nuclear
  • Modernização da rede elétrica
  • Ampliação do armazenamento de energia
  • Redução da dependência de cadeias globais de petróleo e gás

Como esse debate se relaciona com a política britânica atual?

As declarações dos ex-militares surgem no momento em que Kemi Badenoch lançou a campanha “get Britain drilling in the North Sea”. A iniciativa se soma a pressões de políticos da direita e de empresas de combustíveis fósseis para reverter a proibição do Partido Trabalhista a novas licenças. Badenoch lidera o Partido Conservador britânico, hoje na oposição.

A reportagem também relembra que o Guardian informou, no sábado, que centenas de novas licenças do Mar do Norte concedidas pelos conservadores entre 2010 e 2024 produziram, até agora, apenas 36 dias de gás, segundo pesquisa do grupo Uplift e da consultoria Voar. Para Tessa Khan, diretora-executiva da Uplift, isso evidencia a irrelevância dos apelos para extrair ao máximo no Mar do Norte.

Quais argumentos adicionais foram apresentados contra a expansão no Mar do Norte?

Richard Nugee, tenente-general reformado do Exército britânico, disse que o caso da Espanha ajuda a ilustrar a discussão. Segundo ele, como a maior parte do tempo o preço da eletricidade espanhola já não é definido por combustíveis fósseis, mas por renováveis, o país fica menos afetado por gargalos como o estreito de Hormuz. Para Nugee, apostar em renováveis significa maior independência, soberania, menor vulnerabilidade a ataques e mais oportunidades.

A reportagem acrescenta que especialistas descrevem o Mar do Norte como uma “bacia madura”, com produção de petróleo e gás em queda de 75% desde o pico. Nesse contexto, novas licenças não reduziriam as contas de energia do Reino Unido e fariam quase nenhuma diferença para as importações de gás no curto ou no longo prazo. Outros analistas citados, como Khem Rogaly, do Transition Security Project, e James Meadway, do Verdant, associam a dependência de combustíveis fósseis a choques de mercado, vulnerabilidade geopolítica, riscos de ataques cibernéticos e maior exposição a eventos climáticos extremos.

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