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Áreas marinhas protegidas do Reino Unido seguem sob pesca intensa, diz Guardian

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As áreas marinhas protegidas da Inglaterra continuam submetidas à pesca em larga escala por arrastões, inclusive com redes que varrem o fundo do mar, apesar de sua função oficial de preservar ecossistemas sensíveis. Segundo dados oficiais citados em reportagem publicada em 31 de março de 2026, mais de 1,3 milhão de toneladas de peixe foram capturadas nessas áreas nos quatro anos até 2024. De acordo com informações do Guardian Environment, ambientalistas afirmam que a proteção existe mais no papel do que na prática.

O tema tem repercussão além do Reino Unido porque a proteção de áreas marinhas também é um desafio em outros países com extensa costa, como o Brasil. No litoral brasileiro, o debate sobre conservação e fiscalização envolve unidades de conservação marinhas e a chamada Amazônia Azul, nome usado para a vasta área marítima sob jurisdição do país.

A reportagem informa que quase 40% dos mares da Inglaterra estão designados como áreas marinhas protegidas. De acordo com o governo britânico, esses espaços existem para proteger e recuperar ecossistemas marinhos raros, ameaçados e importantes contra danos causados por atividades humanas. Ainda assim, organizações como a Greenpeace UK argumentam que embarcações industriais seguem operando nesses locais, inclusive em zonas consideradas altamente sensíveis.

O que os números indicam sobre a pesca nessas áreas?

Com base em uma análise da Greenpeace UK sobre dados pesqueiros do Reino Unido e da União Europeia, a reportagem diz que, no período analisado, mais de 1 milhão de toneladas de peixe foram capturadas por arrastões pelágicos. Essas embarcações utilizam redes de grandes dimensões, de até 240 metros de largura e 50 metros de comprimento, capazes de recolher grandes volumes de peixe em seu trajeto.

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Além disso, outras 250 mil toneladas teriam sido capturadas com equipamentos rebocados no fundo do mar, entre eles os arrastões de fundo. Esse tipo de pesca arrasta redes pesadas sobre o leito marinho, com potencial de destruição de habitats e ecossistemas, segundo a descrição apresentada no texto original.

“O governo afirma que vastas áreas das águas do Reino Unido estão protegidas, mas a realidade é um escândalo nacional.”

“Proteção não significa nada se esses enormes arrastões industriais tiverem permissão para devastar áreas crucialmente importantes.”

Por que a situação preocupa ambientalistas e especialistas?

A preocupação envolve tanto o impacto sobre os ecossistemas quanto o estado de algumas populações de peixes. A reportagem cita um relatório do ano passado segundo o qual bacalhau do Mar do Norte, bacalhau do Mar Céltico, badejo do Mar da Irlanda, arenque do Mar da Irlanda e carapau do Mar do Norte e do leste do Canal da Mancha estavam em níveis criticamente baixos, apesar de continuarem sob sobrepesca.

O texto também menciona que, em fevereiro de 2026, a rede de supermercados Waitrose suspendeu as vendas de cavala após um alerta da Marine Conservation Society de que a espécie estava sendo sobrepescada e corria risco de colapso populacional. O episódio é apresentado como mais um sinal de pressão sobre os estoques pesqueiros na região.

  • Mais de 1,3 milhão de toneladas de peixe foram capturadas em áreas protegidas nos quatro anos até 2024.
  • Mais de 1 milhão de toneladas vieram de arrastões pelágicos, segundo análise da Greenpeace UK.
  • Outras 250 mil toneladas foram associadas a equipamentos rebocados no fundo do mar.
  • Quase 40% dos mares da Inglaterra têm designação de área marinha protegida.

Quais regras existem e o que ainda não saiu do papel?

Segundo o Guardian, o sistema de áreas marinhas protegidas começou a ser estabelecido no início da década de 1980, e 78 áreas ao redor da costa do Reino Unido receberam essa designação. Em 2020, uma nova lei ampliou os poderes do governo para restringir a pesca com finalidade de conservação em águas costeiras britânicas.

Apesar disso, a reportagem afirma que, seis anos depois, normas para proibir o arrasto de fundo ainda permanecem em fase de consulta. Nesse intervalo, grandes arrastões continuam atuando em alguns dos ecossistemas marinhos mais sensíveis do país, mesmo diante de preocupações sobre a situação de diversas espécies.

O Guardian informou ainda ter questionado o Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido, órgão responsável pela política ambiental e agrícola na Inglaterra, sobre os motivos de essas embarcações ainda poderem retirar tantos peixes de áreas supostamente protegidas e se isso não esvazia a própria finalidade da classificação. Até a publicação da reportagem, segundo o jornal, não havia resposta do órgão.

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