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IA agêntica em pagamentos exige protocolos e segurança, diz executiva da Getnet

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A adoção da IA agêntica no comércio e nos meios de pagamento foi apontada como uma tendência em avanço, mas ainda cercada por exigências técnicas e operacionais para funcionar com segurança. Durante o 19º CMEP, realizado na quarta-feira, 15 de abril, a head de produtos na Getnet, Mayra Borges de Souza, afirmou que o uso desse tipo de inteligência artificial precisa respeitar protocolos, consentimento do consumidor e mecanismos que ajudem a identificar o agente responsável por cada operação. De acordo com informações do Mobile Time, o debate ocorreu no contexto da evolução dos pagamentos inteligentes.

Segundo a executiva, o comércio agêntico pode ser dividido em duas frentes: a busca por produtos, que já avança nos Estados Unidos, e a etapa de finalização da compra no checkout, que ainda não estaria pronta. Para ela, o uso da IA nessa fase exige que as regras definidas pelo usuário sejam respeitadas, que haja consentimento claro do consumidor e que a operação contenha marcações capazes de indicar qual agente está atuando, para reduzir riscos de fraude ou de erro.

Quais desafios foram apontados para os pagamentos com IA agêntica?

Outros representantes do setor também destacaram entraves para a adoção mais ampla desse modelo. Felipe Sessin e Silva, superintendente de produtos de adquirência do Sicredi, afirmou que uma possível consequência das compras mais fluidas é a mudança no comportamento do consumidor, com risco de aumento de aquisições por impulso. Na avaliação dele, esse cenário exigirá incorporar o tema à educação financeira dos brasileiros.

Já Daniel Tafelli, head of payments partnerships da Adyen na América Latina, disse que a chegada da IA aos meios de pagamento precisa ocorrer com robustez em segurança. Segundo ele, a tecnologia aumenta a complexidade do setor por exigir análise e validação, em tempo real, da intenção de compra do consumidor.

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Tafelli também alertou para o risco de os lojistas deixarem de ser intermediários das transações em casos de pagamentos avulsos feitos por agentes. Na visão dele, lojas e empresas do mercado de pagamentos ainda devem manter essa intermediação, por já terem experiência e estrutura para a função. O executivo lembrou ainda que a OpenAI recuou, em março, da ideia de fazer um checkout próprio e passou a atrair parceiros de pagamentos e do comércio eletrônico para sua iniciativa de pagamento agêntico.

Por que a falta de padrão técnico preocupa o setor?

Mayra Borges de Souza afirmou que ainda falta um padrão único de comunicação entre as soluções de IA agêntica em teste. De acordo com ela, cada sistema hoje trabalha com um protocolo diferente, o que pode dificultar a orquestração do processo de compra e a integração entre plataformas.

O tema aparece em meio à discussão sobre pagamentos inteligentes feita pela consultoria Oliver Wyman em estudo encomendado pela Abecs. Segundo a pesquisa, o pagamento agêntico é uma das quatro tendências para o futuro dos meios de pagamento. A definição apresentada no evento descreve esses pagamentos como fluxos transacionais com parametrização e inteligência, voltados à automação e à programabilidade para tornar as transações mais rápidas, simples, seguras e eficientes.

Além do pagamento agêntico, o estudo citou outros três elementos centrais:

  • economia instantânea com a união entre Pix e open finance;
  • tokenização em credenciais de cartões, carteiras digitais e infraestruturas criptográficas;
  • interoperabilidade entre Pix e cartões em um modelo de smart checkout.

“Falamos muito sobre isso durante todo o CMEP sobre os três ‘Ss’ da indústria de comércio de pagamento: o simples, o smart [que é o inteligente] e o safe. E é fundamental que o setor evolua e trabalhe cada vez mais para integrar essas infraestruturas”, disse Rogério Panca, responsável pela pesquisa e sócio de banking & financial services and customer innovation & growth da Oliver Wyman.

“Na minha opinião, nós (indústria de pagamentos) temos uma ideia cada vez mais holística dos diferentes arranjos de pagamento. Isso está cada vez mais conectado em uma visão muito menos de concorrência entre esses arranjos e como pensamos em cooperação. Porque temos aqui uma grande possibilidade de ganha-ganha”, completou.

Como os pagamentos inteligentes já aparecem na prática?

O presidente do conselho de administração do banco Original, Raul Moreira, afirmou que as infraestruturas de pagamentos devem coexistir e se conectar em diferentes plataformas e conjuntos de soluções, sem se limitar ao Pix. A avaliação dele é que os mesmos consumidores transitam entre cartão, Pix e open finance, o que reforça a necessidade de integração entre os arranjos.

Frederico Succi, vice-presidente de inovação e produtos da Visa no Brasil, disse que os pagamentos inteligentes já fazem parte do presente. Segundo ele, esse modelo se apoia em três pilares:

  • ancoragem em regras de negócios;
  • aplicação em contextos específicos;
  • foco final na melhora da experiência do usuário.

“No momento que você dá o tap (aproxima o aparelho ou cartão), a catraca abre automaticamente. Mas a autorização, baseada em regras de negócio, só ocorre instantes depois. E o usuário sai dessa jornada com uma experiência melhor de uso”, detalhou.

O exemplo citado por Succi foi o pagamento por aproximação em catracas de transporte público. Para os participantes do debate, casos desse tipo mostram que a automação dos pagamentos já avança, mas a expansão da IA agêntica para a etapa de checkout ainda depende de padrões, governança e segurança operacional.

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