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Falhas em carregadores de veículos elétricos podem derrubar rede pública inteira

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Falhas de segurança em serviços de internet das coisas alugáveis, como carregadores públicos de veículos elétricos e bicicletas compartilhadas, podem permitir ataques capazes de desativar em larga escala esses sistemas, segundo apresentação feita na sexta-feira, 24 de abril de 2026, durante a conferência Black Hat Asia. De acordo com informações do The Register, a demonstração foi conduzida pelo pesquisador Hetian Shi, da Universidade Tsinghua, na China, e indicou que o problema pode não se limitar ao mercado chinês.

Segundo o relato, Shi afirmou que a própria natureza desses serviços alugáveis cria uma fragilidade específica: como qualquer pessoa pode acessar fisicamente os dispositivos, torna-se mais fácil examiná-los em busca de vulnerabilidades. O pesquisador disse ter realizado os testes com autorização e de forma ética, e relatou ter encontrado, em alguns equipamentos, portas de depuração ou conectores UART, que facilitam a análise do funcionamento interno por alguém com conhecimento técnico.

Quais vulnerabilidades foram identificadas nos dispositivos e aplicativos?

Na análise do firmware dos aparelhos, Shi encontrou indícios de chaves de autenticação compartilhadas entre dispositivos e serviços de back-end que não autenticam adequadamente os usuários. De acordo com a apresentação, essas falhas podem abrir caminho para abuso da infraestrutura por agentes mal-intencionados.

O pesquisador também examinou aplicativos usados pelos consumidores para acessar esses serviços e relatou ter encontrado proteção fraca. Isso teria permitido, por exemplo, criar clientes fantasmas que os sistemas não conseguiriam distinguir de usuários reais. Na prática, segundo a explicação apresentada, esse tipo de brecha poderia viabilizar recargas de veículos ou aluguel de scooters sem custo.

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Shi também afirmou que as técnicas desenvolvidas por ele podem expor dados pessoais ao atingir os sistemas de back-end dessas plataformas. O texto original, no entanto, não detalha quais informações poderiam ser acessadas nem informa se houve exploração real de dados de usuários.

Como foi a demonstração com carregadores públicos na China?

Durante a palestra, o pesquisador apresentou uma ferramenta chamada IDScope, criada para explorar várias das falhas encontradas. Na demonstração, ele utilizou o aplicativo para iOS de uma fornecedora chinesa de estações públicas de recarga para veículos elétricos.

Em seguida, pediu ao público que escolhesse uma cidade chinesa, e Xangai foi a opção mais mencionada. Depois, localizou carregadores disponíveis na Praça do Povo, área conhecida da cidade. O aplicativo exibiu a lista de pontos de recarga e indicou quais estavam livres para uso.

Após o público escolher um dos carregadores disponíveis, Shi anotou o número de identificação exibido no aplicativo e inseriu esse dado em um script. Segundos depois, segundo o relato publicado, o ícone do carregador no aplicativo mudou de verde, que indicava disponibilidade, para cinza, sinalizando uma porta desativada.

O autor do texto no The Register observou que não lê chinês e, por isso, afirmou não poder descrever com certeza absoluta tudo o que apareceu na tela. Ainda assim, registrou que a demonstração recebeu aplausos espontâneos do público presente, composto em parte por pessoas do mundo de língua chinesa.

O risco estaria restrito à China?

De acordo com Shi, as técnicas desenvolvidas poderiam ser usadas para provocar negação de serviço em escala, com potencial para derrubar uma rede inteira de carregadores de uma cidade. A hipótese levantada pelo pesquisador é que o problema não esteja restrito a um único fornecedor ou país.

Segundo a apresentação, ele testou 11 aplicativos publicados por provedores europeus de bicicletas e scooters compartilhadas e encontrou problemas semelhantes. Para o pesquisador, isso sugere que as conclusões podem ser aplicáveis também em outros mercados além da China.

A avaliação apresentada por Shi é que essas falhas decorrem de uma escolha de desenvolvimento voltada à conveniência do usuário, em detrimento da segurança. O texto original não informa resposta das empresas citadas nem detalha medidas corretivas já adotadas após a divulgação.

Por que esse tipo de falha preocupa?

O caso chama atenção porque envolve infraestrutura urbana conectada e usada no dia a dia. Se serviços desse tipo puderem ser manipulados por falhas básicas de autenticação e proteção de firmware, os impactos podem incluir:

  • indisponibilidade de carregadores públicos;
  • uso indevido de serviços sem pagamento;
  • criação de clientes falsos em aplicativos;
  • possível exposição de informações pessoais;
  • risco de ataques em larga escala contra redes inteiras.

A apresentação em Black Hat Asia reforça a preocupação com a segurança de dispositivos conectados voltados ao uso público. No caso relatado, o alerta central é que a facilidade de acesso e operação desses serviços pode estar sendo priorizada sem controles equivalentes de proteção digital.

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