Ex-premiê do Nepal é preso por investigação sobre mortes em protestos de 2025 - Brasileira.News
Início Internacional Ex-premiê do Nepal é preso por investigação sobre mortes em protestos de...

Ex-premiê do Nepal é preso por investigação sobre mortes em protestos de 2025

0
8

O ex-primeiro-ministro do Nepal KP Sharma Oli foi preso neste sábado, 28 de março de 2026, enquanto a polícia apura se houve omissão na resposta estatal à repressão de protestos anticorrupção liderados por jovens em setembro de 2025, que deixaram 76 mortos no país. A detenção ocorreu um dia após a posse do novo primeiro-ministro, Balendra Shah, e após uma comissão recomendar a responsabilização de Oli e de seu ex-ministro do Interior, Ramesh Lekhak. De acordo com informações do g1 Mundo, ambos devem ser levados ao tribunal no domingo, 29 de março.

Embora o caso tenha foco na política interna nepalesa, a crise ocorre em um país situado entre Índia e China, duas potências centrais para o equilíbrio geopolítico da Ásia. Para o público brasileiro, episódios de instabilidade institucional em democracias asiáticas ajudam a dimensionar o ambiente político de uma região estratégica para o comércio e a diplomacia globais.

Segundo as autoridades citadas na reportagem, a investigação se concentra na possível negligência das autoridades ao não interromper horas de disparos contra manifestantes durante os atos. Oli, de 74 anos, foi transferido da delegacia para um hospital após a prisão. Seu advogado, Tikaram Bhattarai, afirmou que a detenção será contestada na Suprema Corte.

Por que KP Sharma Oli foi preso?

A prisão ocorreu no contexto de uma investigação sobre a repressão aos protestos de setembro de 2025, que provocaram uma grave crise política no Nepal. Uma comissão que apurou a violência concluiu que Oli e Lekhak deveriam responder por omissão, sob o entendimento de que não tomaram medidas para impedir a escalada letal da ação policial e dos confrontos.

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

Ao todo, 76 pessoas morreram durante os protestos, em meio à repressão policial, incêndios e episódios de violência. O cenário levou à renúncia de Oli à época. A apuração oficial apontou que os ex-integrantes do governo não agiram para interromper os disparos contra os manifestantes.

  • KP Sharma Oli foi preso no sábado, 28 de março de 2026.
  • Ramesh Lekhak, ex-ministro do Interior, também foi detido.
  • Os dois devem ser apresentados ao tribunal no domingo, 29 de março.
  • A investigação trata de possível omissão durante a repressão aos protestos de 2025.

O que aconteceu após a prisão do ex-premiê?

Depois da detenção, apoiadores de Oli foram às ruas e entraram em confronto com a polícia nas proximidades do gabinete do governo. Segundo testemunhas mencionadas na reportagem, agentes usaram gás lacrimogêneo e cassetetes para dispersar o grupo, e ao menos uma pessoa ficou ferida.

O partido de Oli classificou a prisão como ilegal e motivada por vingança, além de exigir a libertação imediata do ex-premiê. A legenda também convocou novos protestos para domingo. Um dos principais líderes partidários, Shankar Pokhrel, afirmou que manifestações devem ocorrer nos 77 distritos do Nepal.

“Este é o começo da justiça. O país tomará um novo rumo agora”.

A declaração foi publicada pelo ministro do Interior, Sudan Gurung, em uma rede social, em resposta às críticas feitas por aliados de Oli. Já a defesa do ex-primeiro-ministro sustenta que a prisão não se justifica no estágio atual da investigação.

“Disseram que a prisão é para investigação. É ilegal e imprópria, pois não há risco de fuga ou de recusa em prestar depoimento”.

Como os protestos liderados pela Geração Z levaram à crise política?

Os protestos de setembro de 2025 foram liderados principalmente por jovens e ganharam força em meio à indignação com a desigualdade social e com a exposição de luxo por filhos da elite, chamados de “nepo babies”. Vídeos compartilhados nas redes sociais impulsionaram a revolta e levaram milhares de pessoas às ruas.

Segundo a reportagem, cerca de 20% da população do Nepal vive na pobreza. O contraste entre privilégio e dificuldades econômicas foi um dos motores da mobilização. As manifestações escalaram rapidamente, com incêndios em prédios públicos, confrontos e repressão das autoridades, aprofundando a instabilidade institucional no país.

Mesmo após a renúncia de Oli, a crise continuou. O governo chegou a bloquear redes sociais sob a alegação de combater a desinformação, medida que foi vista como tentativa de silenciar o movimento. Desde então, o Nepal atravessa um período de transição política marcado por pressão popular por combate à corrupção, renovação política e responsabilização pelos abusos cometidos durante a repressão.

Qual é o contexto político mais amplo no Nepal?

Oli governou o Nepal em quatro ocasiões entre 2015 e 2025, mas não concluiu nenhum mandato completo. Em 2020, ganhou popularidade ao divulgar um novo mapa do país que incluía uma área disputada com a Índia. Mais recentemente, porém, sofreu desgaste político e foi derrotado por Balendra Shah em seu próprio distrito nas eleições deste mês.

A derrota foi a segunda de Oli desde a restauração da democracia multipartidária no Nepal, em 1990. Ainda segundo a reportagem, a indignação com as mortes nos protestos contribuiu para a vitória expressiva do partido do atual primeiro-ministro, ampliando a pressão por responsabilização de ex-integrantes do governo anterior.

O Nepal é uma república do sul da Ásia localizada entre a Índia e a China, o que dá peso regional a mudanças bruscas em seu cenário político. Em crises desse tipo, o impacto costuma ser acompanhado internacionalmente por envolver estabilidade institucional em uma área sensível do continente asiático.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here

WhatsApp us

Sair da versão mobile