No dia 23 de abril de 2026, 38 condutores de trilha do Parque Estadual da Serra dos Martírios/Andorinhas, localizado em São Geraldo do Araguaia, no sudeste paraense, concluíram um treinamento especializado em geologia interpretativa. A iniciativa foi organizada pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio) com o objetivo de capacitar os profissionais sobre a história geológica e as formações rochosas locais, garantindo que as informações técnicas sejam transmitidas com precisão científica aos turistas que visitam a unidade de conservação.
De acordo com informações da Agência Pará, o curso teve duração de dois dias e mesclou atividades teóricas e práticas diretamente no campo. A formação busca consolidar o geoturismo como uma alternativa sustentável para a economia regional, aliando a exploração de trilhas ao conhecimento sobre a evolução da paisagem amazônica e as características morfológicas do terreno.
Qual a importância da geologia interpretativa para o turismo?
A capacitação foi ministrada pela geóloga e geógrafa Valéria Nascimento, técnica do Ideflor-Bio. Durante as sessões, ela enfatizou a necessidade de os guias utilizarem uma linguagem adequada e correta para descrever o patrimônio natural aos visitantes. Segundo a especialista, o entendimento das formações rochosas permite que o guia ofereça uma experiência muito mais rica, transformando uma simples caminhada em uma aula prática de história natural e geociências.
“É muito legal os guias terem esse conhecimento geológico para que eles possam repassar às pessoas que irão visitar essas áreas, com uma linguagem mais adequada, mais correta e mais científica das formações rochosas que aqui estão presentes”, afirmou Valéria Nascimento.
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O treinamento abordou diversos pontos fundamentais para a atuação dos profissionais nas trilhas da região, incluindo:
- Identificação e distinção técnica de diferentes tipos de rochas;
- Cronologia e idade das formações geológicas presentes na Serra das Andorinhas;
- Eventos geológicos históricos que moldaram a geomorfologia local;
- Práticas de geoturismo voltadas para o paisagismo e aventura sustentável.
Como a capacitação técnica impacta a experiência dos visitantes?
Para os condutores de trilha, o aprendizado técnico representa um avanço significativo na qualidade da prestação de serviços turísticos no estado. O guia Nilton Ribeiro destacou que a experiência foi positiva e manifestou o interesse em participar de novos módulos de formação para aprofundar os conhecimentos sobre as riquezas minerais da região. O entendimento técnico permite que o guia responda com precisão a dúvidas complexas, elevando o padrão de atendimento no parque estadual.
Outro participante, Carlos da Silva Chagas, ressaltou que o embasamento teórico fortalece o turismo local e gera maior entusiasmo entre os profissionais. Ele pontuou que o conhecimento agrega valor ao trabalho do condutor, permitindo que cada profissional fale com maior propriedade sobre os monumentos naturais que compõem o cenário da unidade de conservação. A segurança na transmissão da informação é vista como um diferencial competitivo para atrair novos visitantes ao Pará.
Quais os benefícios para a preservação ambiental da região?
A gestão do Ideflor-Bio vê a capacitação como uma ferramenta estratégica de conservação ambiental. Laís Mercedes, gerente da Região Administrativa do Araguaia, explicou que o parque é um território rico não apenas em geologia, mas também em arqueologia. Ao compreenderem a relevância e a antiguidade dessas formações, os condutores tornam-se multiplicadores da consciência ambiental e da necessidade de proteger o patrimônio público.
“Como eles atuam diretamente com os turistas, é fundamental terem o domínio de falar sobre as rochas, a quantidade de tempo, sobre o formato e a respeito da importância delas para as nossas unidades de conservação”, explicou Laís Mercedes.
O Parque Estadual da Serra dos Martírios/Andorinhas é uma das áreas protegidas mais importantes do norte brasileiro, servindo como refúgio para a biodiversidade e como sítio de preservação de registros históricos e geológicos únicos. O investimento no capital humano, por meio de treinamentos especializados, assegura que o uso público da unidade ocorra de forma ordenada e educativa, minimizando impactos ambientais negativos e promovendo a valorização do patrimônio estadual.
Ao final dos dois dias de atividades, os 38 profissionais participantes demonstraram maior aptidão para interpretar os processos naturais que levaram milhões de anos para esculpir as paisagens de São Geraldo do Araguaia. Com guias mais bem preparados pedagogicamente e tecnicamente, o estado do Pará reforça sua posição no cenário do ecoturismo nacional, oferecendo segurança científica para os entusiastas da natureza que exploram as trilhas da Amazônia oriental.