Um orangotango-de-sumatra, espécie criticamente ameaçada de extinção, foi filmado pela primeira vez usando uma ponte de dossel para atravessar uma estrada no distrito de Pakpak Bharat, no norte de Sumatra, na Indonésia. O registro foi feito após dois anos de espera por organizações de conservação que monitoravam a estrutura instalada sobre a rodovia Lagan-Pagindar, criada para reduzir o impacto da fragmentação do habitat causada pela via.
De acordo com informações do Guardian Environment, a passagem aérea foi construída em 2024 com apoio do governo local e de grupos de preservação, entre eles a Sumatran Orangutan Society e a organização ambiental Tangguh Hutan Khatulistiwa, conhecida como TaHuKah. O objetivo era permitir que animais voltassem a circular entre áreas de floresta separadas pela estrada.
Por que o uso da ponte é considerado importante?
Segundo a reportagem, esta é a primeira vez que a espécie foi registrada por câmera utilizando uma ponte de fauna para cruzar uma rodovia. Para conservacionistas, a imagem representa um sinal de que a população local pode manter alguma conexão entre os fragmentos florestais e, assim, reduzir os riscos de isolamento.
Na região, cerca de 350 orangotangos foram separados em dois grupos após a abertura da estrada: um na reserva de vida selvagem de Siranggas e outro na floresta protegida de Sikulaping. Esse tipo de divisão preocupa especialistas porque a espécie tem reprodução lenta e é vulnerável a gargalos genéticos, situação em que populações pequenas ficam mais expostas aos efeitos da endogamia.
O que disseram as organizações envolvidas?
Erwin Alamsyah Siregar, diretor da TaHuKah, afirmou que a travessia natural havia se tornado impossível para a fauna depois da construção da estrada. Já Helen Buckland, diretora-executiva da Sumatran Orangutan Society, relatou a reação da equipe ao ver o registro após dois anos de monitoramento.
“You should have heard the cries of delight from the team. After two long years, it’s finally happened.”
A reportagem informa que, antes do orangotango, outras espécies já haviam sido registradas usando a ponte, entre elas esquilos-gigantes-negros, macacos-de-cauda-longa e gibões-ágeis. Mesmo assim, faltava a confirmação de que os orangotangos também adotariam a estrutura.
Como foi a travessia registrada em vídeo?
O animal filmado foi descrito como um jovem macho. Nas imagens, ele aparece avançando com cautela sobre a ponte. Em determinado momento, para no meio do percurso, olha para baixo, em direção à estrada, e depois volta o olhar para a câmera antes de seguir em direção à floresta protegida de Sikulaping.
Os orangotangos são descritos no texto original como os maiores mamíferos arborícolas e passam mais de 90% do tempo no dossel da floresta. Também são apontados como uma espécie-chave do ecossistema, o que amplia o peso ecológico de medidas que favoreçam sua circulação entre áreas isoladas.
Qual é a situação do orangotango-de-sumatra?
De acordo com o Guardian, existem três espécies de orangotango, todas concentradas em uma parte do sudeste asiático. No caso do orangotango-de-sumatra, restam cerca de 14 mil indivíduos na natureza, o que o coloca entre os grandes primatas mais ameaçados do mundo.
Franc Bernhard Tumanggor, chefe do distrito de Pakpak Bharat, associou o episódio à necessidade de conciliar infraestrutura e preservação ambiental. Em declaração reproduzida pela reportagem, ele afirmou que a travessia mostra que o desenvolvimento das comunidades não precisa romper a continuidade da floresta.
- A ponte de dossel foi construída em 2024.
- O monitoramento levou dois anos até o primeiro registro de um orangotango usando a estrutura.
- A estrada Lagan-Pagindar havia separado a população local em dois grupos.
- Cerca de 350 orangotangos vivem na área citada pela reportagem.
O registro é tratado por conservacionistas como um indício de que soluções de engenharia voltadas à fauna podem ajudar a mitigar os efeitos da fragmentação do habitat. Sem eliminar a presença da estrada, a ponte cria uma alternativa de deslocamento para uma espécie cuja sobrevivência depende da conexão entre áreas de floresta.