
A World Surf League começará a temporada de 2026 em 31 de março, com etapa em Bells Beach, na Austrália, e encerrará o circuito em dezembro, em Pipeline, no Havaí, onde o título mundial voltará a ser decidido por pontos corridos ao longo de 12 etapas. As mudanças incluem o fim do round de repescagem, uma etapa inédita em Raglan, na Nova Zelândia, e ajustes no formato de classificação ao longo do campeonato. De acordo com informações do GE, as novidades marcam os 50 anos do surfe profissional.
Nas últimas 11 temporadas, o Brasil conquistou oito títulos mundiais, e a nova edição do circuito começa sob expectativa de mais uma campanha dos principais nomes da chamada Brazilian Storm. A principal alteração é a volta do modelo que consagra o campeão pela soma de pontos na temporada, substituindo o Finals, formato usado de 2021 até o ano passado para definir os campeões em um único dia entre os cinco melhores do ranking masculino e feminino.
“Esse novo regulamento a gente pode dizer que é uma mistura do que a gente já tinha no passado, com algumas mudanças que foram implementadas nesses últimos 5 anos e novidades que prometem deixar tudo mais emocionante desde a primeira fase. A pressão sobre os surfistas vai aumentar com todas as baterias sendo eliminatórias. Por outro lado, eles vão voltar a descartar os 2 piores resultados na temporada. De um modo geral, acredito que essas mudanças foram positivas, principalmente pela volta dos pontos corridos e da grande final em Pipeline”
A avaliação foi feita por Breno Dines, comentarista de surfe da Globo, segundo o texto original. A temporada de 2026 será disputada em 12 etapas, com o troféu entregue em uma das ondas mais tradicionais e desafiadoras do circuito.
Por que Pipeline volta a decidir o título mundial?
Até 2019, sem considerar as últimas cinco temporadas, o Circuito Mundial de Surfe tradicionalmente terminava em Pipeline. Em 2026, a WSL retoma esse cenário e também atribui peso maior à etapa havaiana: o Pipe Masters distribuirá 15.000 pontos, acima dos 10.000 pontos de uma etapa padrão do Championship Tour.
“A volta de Pipe como palco da grande final foi a melhor notícia que a gente poderia ter para essa temporada. É a onda que exige o máximo de um surfista. Tanto na parte técnica quanto mental. E essa novidade de ela ter um peso maior do que todas as outras etapas acho mais do que justa. Não só por tudo que envolve ser campeão nessa onda, mas também por aumentar as chances de o campeão mundial só ser coroado no Havaí”
A declaração também é de Breno Dines. Com isso, a definição do campeonato volta a ocorrer no Havaí, local historicamente associado ao encerramento da temporada da elite do surfe.
Qual é a etapa inédita do calendário da WSL em 2026?
A principal novidade no calendário é a entrada de Raglan, na Nova Zelândia, no lugar de Jeffreys Bay, na África do Sul. A mudança foi apresentada no contexto de reclamações de surfistas goofies, que usam o pé direito à frente na prancha, sobre a predominância de ondas para a direita no circuito. Raglan é conhecida por suas ondas para a esquerda e será a quarta parada da temporada, logo depois de Gold Coast.
O calendário divulgado no texto original traz as seguintes etapas:
- Bells Beach, Austrália — 31 de março a 10 de abril
- Margaret River, Austrália — 15 a 25 de abril
- Gold Coast, Austrália — 30 de abril a 10 de maio
- Raglan, Nova Zelândia — 15 a 25 de maio
- El Salvador — 5 a 15 de junho
- Saquarema, Brasil — 19 a 27 de junho
- Teahupoo, Taiti — 8 a 18 de agosto
- Fiji — 25 de agosto a 4 de setembro
- Trestles, Estados Unidos — 11 a 20 de setembro
- Abu Dhabi — 14 a 18 de outubro
- Portugal — 22 de setembro a 1 de novembro
- Pipeline, Havaí — 8 a 20 de dezembro
Como ficará o novo formato do circuito?
No novo Championship Tour, nove eventos da temporada regular serão realizados antes da linha de corte. A partir desse ponto, 36 homens e 24 mulheres serão reduzidos para 24 homens e 16 mulheres, que disputarão os dois eventos finais da chamada pós-temporada. Segundo a WSL, os surfistas levarão apenas seus sete melhores resultados entre os nove da fase regular.
Na disputa pelo título, serão considerados os nove melhores resultados de cada atleta ao longo de 12 etapas, somando sete resultados da temporada regular e dois da pós-temporada. Abu Dhabi e Peniche comporão a reta final antes do Pipe Masters. Ainda de acordo com a explicação publicada, os oito melhores homens e mulheres que competirem em Pipeline terão vantagem competitiva no seeding, e todos os surfistas do CT do início da temporada de 2026 voltarão a disputar a etapa final.
O que muda com o fim da repescagem?
Outra alteração importante é o fim do round de repescagem. Na prática, deixa de existir a segunda chance dentro das etapas: quem perder a bateria será eliminado do evento. A mudança altera a dinâmica do torneio e aumenta o peso de cada confronto desde a primeira fase.
“Sei que muitos surfistas não aprovaram essa mudança, mas acredito que isso vai melhorar a dinâmica de um campeonato e deixar todos os confrontos ainda mais interessantes para quem está assistindo. É uma novidade que vai trazer uma pressão ainda maior para os competidores, principalmente em um esporte que você depende tanto da natureza. Por outro lado, com a necessidade de um dia menos de disputas para encerrar o campeonato, a organização do evento vai poder selecionar ainda mais os melhores dias de onda dentro da janela”