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Violência de gênero no Brasil expõe misóginos e agressores do cotidiano

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Emblema da Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar, de combate e prevenção ao feminicídio do Governo do Estado do Rio de J
Emblema da Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar, de combate e prevenção ao feminicídio do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil — EBC/Agência Brasil — CC BY 3.0 BR

A violência de gênero no Brasil atingiu níveis alarmantes em 2025, transformando a misoginia em uma realidade endêmica e cotidiana no país. Através de agressões físicas, assédio e feminicídios, o ódio às mulheres permeia todas as classes sociais, muitas vezes sendo praticado por pessoas próximas ao círculo de convivência das vítimas. De acordo com informações da agência de jornalismo independente Projeto Colabora, as estatísticas revelam uma triste semelhança com o racismo: a sociedade reconhece milhares de vítimas, mas quase ninguém admite conhecer um agressor.

Como os números refletem a escalada da violência contra as mulheres?

Os dados estatísticos referentes ao ano de 2025 demonstram o agravamento da situação no território nacional. Ao todo, 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio, o que representa um aumento de 4,7% em comparação com os registros de 2024. A brutalidade contra a população feminina manifesta-se de diversas formas e em intervalos de tempo cada vez mais curtos.

  • Ocorreram 12 agressões por dia, representando um caso a cada duas horas.
  • Houve um estupro a cada seis minutos, totalizando mais de 83 mil vítimas.
  • Sete em cada dez mulheres relataram ter sofrido algum tipo de assédio.
  • Uma em cada quatro adolescentes foi vítima de assédio.

Quem são os agressores e por que o ciclo de ódio persiste?

A violência não dá sinais de redução, impulsionada frequentemente por reações agressivas contra tentativas de estabelecer limites civilizatórios. Um caso emblemático é o de Marco Antonio Heredia Viveiros, ex-marido e agressor da ativista Maria da Penha Maia Fernandes, cujo histórico de violência inspirou a sanção da Lei nº 11.340/2006 (conhecida como Lei Maria da Penha), principal marco legal brasileiro de proteção à mulher. Recentemente, ele tornou-se réu novamente, suspeito de participar de uma campanha de ódio na internet contra a ex-esposa, demonstrando como a perseguição muitas vezes continua mesmo após condenações anteriores.

A naturalização desse comportamento foi abordada pelo ator e humorista Fábio Porchat durante participação no podcast Inteligência Ltda. Ao comentar sobre o tema, ele destacou a hipocrisia social e a necessidade de responsabilização masculina:

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Toda mulher conhece alguma mulher que foi abusada; nenhum homem conhece um abusador. Mas a cada seis minutos, uma mulher é estuprada. Então, a verdade é que a gente conhece. É o cara da sua família, o seu amigo. É uma conversa que a gente tem que ter muito entre nós, homens.

Onde a misoginia se manifesta no cotidiano brasileiro?

A aversão e o preconceito contra as mulheres estão presentes em praticamente todos os espaços, desde o mercado de trabalho até as estruturas de poder, a cultura e os esportes. A misoginia ignora recortes de classe social e região geográfica, espalhando-se por toda a sociedade brasileira. O comportamento sexista é frequentemente reforçado por figuras públicas, que ajudam a normalizar discursos preconceituosos.

Um exemplo recente citado pela publicação envolveu o atacante brasileiro Neymar. Após uma partida entre Santos e Remo, o atleta teria se irritado e recorrido ao machismo para criticar o árbitro Sávio Pereira Sampaio, utilizando expressões preconceituosas que associam o ciclo menstrual feminino a algo sujo ou negativo, reforçando estigmas misóginos em rede nacional.

Por que o enfrentamento dessa realidade exige mudanças masculinas?

O combate à violência de gênero não deve recair exclusivamente sobre as mulheres, sob o risco de promover uma constante revitimização. Especialistas e críticos sociais apontam que exigir que as vítimas solucionem a patologia social do machismo é uma forma de crueldade estrutural. O desafio principal exige que a população masculina realize um exame de consciência profundo e contínuo.

Reconhecer que os assediadores, abusadores e agressores não são monstros distantes, mas sim colegas de trabalho, parentes e amigos, é o passo fundamental para interromper o ciclo. A violência endêmica que assola as mulheres brasileiras só poderá ser desmantelada quando a cumplicidade silenciosa for quebrada e o machismo deixar de ser tolerado no dia a dia.

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