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Uso consciente de redes sociais pode reduzir impactos na saúde mental

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O uso consciente das redes sociais pode ajudar a reduzir impactos negativos na saúde mental, segundo um estudo da Universidade de British Columbia, no Canadá, publicado no Journal of Experimental Psychology: General. A pesquisa, divulgada em texto adaptado pelo Poder360 em 11 de abril de 2026, indica que tanto a abstinência total quanto o uso intencional das plataformas podem trazer benefícios, mas em áreas diferentes do bem-estar emocional. De acordo com informações do Poder360, deixar as redes reduziu sintomas como ansiedade e estresse, enquanto o uso mais consciente ajudou a diminuir solidão e FOMO, sigla em inglês para medo de ficar de fora.

O texto também reúne a análise do psicólogo clínico Vitor Koichi Iwakura Fugimoto, do Espaço Einstein Bem-Estar e Saúde Mental, do Einstein Hospital Israelita. Segundo ele, o impacto das plataformas não depende apenas da presença nas redes, mas do modo como elas são usadas, especialmente quando há comparação social excessiva, consumo passivo de conteúdo e menor interação com pessoas próximas.

O que mostrou o estudo sobre redes sociais e saúde mental?

A pesquisa acompanhou 393 jovens adultos canadenses, com idades entre 17 e 29 anos, que relataram preocupação com os efeitos das redes sociais sobre o próprio bem-estar. Os participantes foram divididos aleatoriamente em três grupos durante seis semanas.

Um grupo manteve o uso habitual das plataformas. Outro interrompeu totalmente o uso das redes sociais. O terceiro participou de aulas com orientações para modificar a forma de interação digital, com foco em reduzir comparações sociais, diminuir o uso passivo e priorizar conexões mais significativas.

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Ao longo do experimento, os pesquisadores analisaram tempo de uso, intensidade e padrão de engajamento, além de indicadores como solidão, FOMO, estresse, ansiedade e sintomas depressivos. As avaliações foram feitas em momentos diferentes das seis semanas para comparar a evolução dos três grupos.

Por que a forma de uso faz diferença?

Segundo os autores, as redes sociais têm um efeito ambivalente: podem ampliar pressões de comparação e autoapresentação, mas também oferecem oportunidades reais de conexão. No texto, Vitor Fugimoto afirma que o uso passivo tende a prejudicar mais o bem-estar, especialmente quando a pessoa entra nas plataformas sem um objetivo definido.

“O problema não é o uso por si só, mas como fazemos esse uso”.

O psicólogo também afirma que o tipo de interação influencia a experiência. Quando o usuário consome principalmente conteúdos de famosos ou páginas de fofoca, sem se engajar com amigos e familiares, a tendência é de maior sensação de desconexão. Já interações mais ativas, como comentar ou enviar mensagens, podem favorecer vínculos.

“Nem todo uso da rede social é danoso, é importante isso ser discriminado”.

A comparação social aparece como um dos principais fatores associados aos efeitos negativos. Nas plataformas digitais, esse comportamento pode se intensificar porque predominam recortes positivos e idealizados da vida cotidiana.

“Muitas vezes, o que é mostrado não é uma realidade compatível com a vida da grande maioria da população”.

Quais outras pesquisas reforçam essa conclusão?

O texto cita uma revisão sistemática com meta-análise publicada em 2022 na JMIR Mental Health, que reuniu dados de 18 pesquisas com mais de 9.000 adolescentes e jovens adultos. O levantamento identificou correlações moderadas entre uso problemático de redes sociais e sintomas de depressão, ansiedade e estresse.

Também são mencionados um estudo longitudinal publicado em 2025 na JAMA Network Open, com quase 12.000 crianças e adolescentes nos Estados Unidos, e uma pesquisa de 2019 na JAMA Pediatrics, com mais de 3.000 jovens. Ambos apontaram associação entre aumento do tempo de uso das redes e elevação de sintomas depressivos.

Dados populacionais divulgados em 2025 pelo CDC ainda indicaram que adolescentes com quatro horas diárias ou mais de tempo de tela apresentavam maior risco de relatar sintomas de depressão, ansiedade, pior qualidade do sono e menor percepção de suporte social. Outra meta-análise, publicada em 2025 na revista Body Image, associou comparação social online a maiores preocupações com imagem corporal e sintomas de transtornos alimentares.

Como colocar em prática o uso consciente das redes?

No estudo canadense, os participantes orientados ao uso intencional foram incentivados a rever a própria rotina digital e mudar a qualidade do engajamento, e não apenas o tempo de tela. Entre as medidas adotadas estavam reduzir comparações sociais, silenciar contas que provocavam sentimentos negativos e priorizar interações mais diretas.

“Acho que, no dia a dia, o que a gente pode fazer para reduzir essa comparação social e fazer isso intencional é de fato ter um propósito do porquê estar abrindo aquele aplicativo, seja o Instagram, o TikTok, o WhatsApp ou o Facebook”.

O texto destaca algumas estratégias mencionadas na reportagem:

  • revisar as contas seguidas e avaliar o impacto delas;
  • silenciar ou deixar de seguir perfis que estimulam comparação constante;
  • reduzir a rolagem passiva;
  • priorizar interações ativas com pessoas próximas;
  • estabelecer limites de tempo e evitar o uso automático;
  • desativar alertas constantes ou usar ferramentas de monitoramento.

Mesmo assim, o material ressalta que o controle não é absoluto, porque os algoritmos continuam sugerindo conteúdos que podem reativar comparações ou distrações. Por isso, a recomendação central é manter uma postura consciente diante do feed e avaliar continuamente se o conteúdo consumido contribui ou não para o bem-estar.

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