A União Europeia concedeu cerca de 1,2 milhão de cidadanias a estrangeiros residentes em 2024, segundo dados divulgados pelo Eurostat no fim de março. O volume representa alta de 11,6% em relação a 2023 e configura o maior número já registrado pelo bloco. De acordo com informações do DCM, o avanço está associado a fluxos migratórios recentes e antigos, motivados por conflitos, crises econômicas e instabilidade política em países como Síria, Ucrânia e Venezuela.
Os dados consideram apenas nacionalidades concedidas a pessoas que já residiam no território europeu. Em uma década, o crescimento acumulado chega a 54,5%, indicando uma expansão consistente do número de estrangeiros que conseguiram obter cidadania em países do bloco.
Quais países mais concederam cidadania na União Europeia?
Entre os países que mais concederam cidadanias em 2024, a Alemanha respondeu por 24,5% do total, seguida por Espanha, com 21,4%, e Itália, com 18,5%. O destaque do ano foi a Alemanha, que registrou 288,7 mil cidadanias concedidas, um aumento de 44% em relação ao ano anterior.
No caso alemão, os principais beneficiados foram sírios, com 83,2 mil registros, e turcos, com 22,5 mil. Segundo o texto original, o crescimento está relacionado à permanência de refugiados que chegaram ao país a partir da crise migratória de 2015.
“Claramente em 2024 ainda se sentia o impacto demográfico do fluxo de refugiados da Síria. Minha intuição é que era cedo para ver os principais efeitos [das novas regras]”, afirmou.
Por que a Alemanha liderou o crescimento em 2024?
De acordo com Maarten Vink, pesquisador do Instituto Universitário Europeu citado no texto, a explicação para o avanço alemão passa pelo efeito demográfico de fluxos migratórios anteriores, especialmente os ligados à guerra na Síria. A leitura apresentada é que parte das pessoas acolhidas nos últimos anos atingiu o tempo necessário de residência para solicitar a cidadania.
Esse movimento ajuda a explicar por que os números continuaram elevados mesmo após mudanças recentes nas regras. O cenário descrito também reforça o impacto de crises humanitárias e deslocamentos internacionais sobre as estatísticas de naturalização no bloco europeu.
Como ficaram Espanha, Itália e o caso dos brasileiros?
Na Espanha, o maior número de concessões foi direcionado a pessoas originárias do Marrocos e da Venezuela. Já a Itália concentrou as naturalizações em comunidades com presença histórica no país, como albaneses e marroquinos, que podem solicitar cidadania após dez anos de residência.
O Brasil aparece como o décimo país com maior número de cidadãos beneficiados, com cerca de 30 mil aquisições em 2024, alta de quatro por cento na comparação anual. Italianos, portugueses e espanhóis foram os principais responsáveis pela concessão aos brasileiros.
- Alemanha: 24,5% do total de cidadanias concedidas
- Espanha: 21,4% do total
- Itália: 18,5% do total
- Brasil: cerca de 30 mil aquisições em 2024
Qual foi o destaque de Portugal para os brasileiros?
Em Portugal, os brasileiros lideraram a lista de estrangeiros que obtiveram cidadania, com cerca de 7.200 registros. Segundo especialistas citados pelo texto, esse resultado reflete o tamanho da comunidade brasileira residente no país e as facilidades de acesso em comparação com outras nações europeias.
O professor Maarten Vink afirmou que o peso dos brasileiros em Portugal é diferente do verificado em outros países europeus, especialmente na Itália, onde esse grupo representa parcela menor da população estrangeira.
“Os brasileiros são o maior grupo de estrangeiros residentes em Portugal, em contraste com a Itália, onde eles formam uma parte muito menor da população”, diz o professor Vink.
Os números divulgados mostram que a naturalização de estrangeiros segue em alta na União Europeia e reflete tanto mudanças demográficas acumuladas ao longo dos anos quanto os efeitos de grandes fluxos migratórios provocados por guerras, crises econômicas e instabilidade política.