A ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, criticou neste domingo, 19 de abril, um editorial da Folha de S.Paulo que avaliou a dívida pública como sinal de “fracasso alarmante” no terceiro mandato do presidente Lula. Em publicação na rede X, a ministra reagiu à análise do jornal, afirmou que o texto adota “terrorismo fiscal” contra o governo e disse que o enfoque exclusivo na dívida ignora a redução do déficit, segundo sua argumentação.
De acordo com informações do DCM, a manifestação de Gleisi ocorreu após a publicação de um editorial da Folha neste domingo, 19. No texto, o jornal afirmou que a dívida pública expõe “um fracasso alarmante neste terceiro mandato de Lula” e sustentou que esse seria o indicador mais claro para avaliar a política fiscal.
O que Gleisi Hoffmann disse sobre o editorial?
Ao responder ao jornal, Gleisi afirmou que medir a qualidade da gestão econômica apenas pela dívida pública seria uma “falácia”, por desconsiderar outros dados fiscais. Na postagem, ela argumentou que esse tipo de leitura não reconhece a redução do déficit a “praticamente zero” no governo Lula.
“E lá vem o editorial da Folha com o seu velho terrorismo fiscal. Medir a qualidade da gestão econômica apenas pela dívida pública (que inclui estados e municípios) é uma falácia para não reconhecer a redução do déficit a praticamente zero no governo do presidente Lula”
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A ministra também afirmou que o veículo não teria demonstrado a mesma preocupação com a dívida pública durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na mesma manifestação, ela citou o teto de gastos, os precatórios, despesas deixadas para o governo seguinte e o crescimento do endividamento associado, segundo ela, aos juros elevados.
Qual foi a posição da Folha de S.Paulo?
Segundo o conteúdo reproduzido no artigo original, a Folha acusou o governo de usar “artifícios contábeis utilizados na apuração dos resultados do Tesouro Nacional ao longo dos últimos anos”. O editorial também afirmou que a dívida pública seria “o indicador mais claro e confiável para avaliar a política fiscal”.
O jornal ainda comparou o terceiro mandato de Lula com os cinco anos de governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Conforme o texto citado, o editorial disse que Dilma foi “a responsável pelo maior retrocesso econômico entre os governos eleitos desde a redemocratização”.
Quais argumentos Gleisi apresentou contra a crítica fiscal?
Na resposta publicada no X, Gleisi listou pontos para contestar o enfoque do editorial sobre a situação fiscal. Entre eles, mencionou:
- o rompimento do teto de gastos no governo Bolsonaro;
- o “calote” de quase R$ 100 bi nos precatórios, segundo sua declaração;
- despesas de R$ 250 bi deixadas para o governo Lula pagar, ainda de acordo com sua postagem;
- um rombo de R$ 795 bilhões em quatro anos, conforme os números citados por ela;
- o peso dos juros elevados no aumento da dívida.
Esses argumentos foram apresentados pela ministra para sustentar que a crítica do jornal seria seletiva e deixaria de considerar decisões fiscais de governos anteriores. O texto original, porém, não informa resposta da Folha às declarações de Gleisi nem apresenta contestação adicional aos números citados por ela.
Como a ministra relacionou o debate fiscal às políticas do governo?
Gleisi afirmou que o objetivo desse tipo de crítica seria pressionar o governo a cortar investimentos em infraestrutura e políticas sociais. Ela também associou esse debate à tentativa de barrar ganhos reais do salário mínimo e sua vinculação às aposentadorias.
“Esse terrorismo fiscal tem um só objetivo: fazer o governo cortar investimentos em infraestrutura e políticas sociais, além de anular os ganhos reais do salário-mínimo e sua vinculação às aposentadorias. E isso, abandonar o povo e encolher o país, nenhum editorial levará o presidente Lula a fazer”
A troca de críticas expõe mais um capítulo da disputa pública em torno da política fiscal do governo federal, com avaliações divergentes sobre dívida, déficit e prioridades orçamentárias. No material de origem, o foco está nas declarações da ministra e no conteúdo do editorial que motivou a reação.