A TIM informou que criou uma vice-presidência dedicada ao mercado B2B e passou a defender um reposicionamento das empresas de telecomunicações na era da inteligência artificial. Segundo a companhia, a estratégia envolve conectividade, internet das coisas, edge computing, dados e serviços digitais para atender empresas em diferentes setores. O movimento foi apresentado por Fabio Costa, vice-presidente B2B da operadora, em entrevista publicada em 15 de abril de 2026. De acordo com informações do IT Forum, a empresa busca aproximar sua infraestrutura de telecom de aplicações de IA e transformação digital.
Fabio Costa, que passou pela Salesforce no Brasil antes de assumir a nova estrutura na TIM, afirmou que a separação entre telecom e tecnologia faz menos sentido diante das mudanças no mercado. Na avaliação dele, a companhia não quer mais ser vista apenas como uma operadora tradicional, mas como uma empresa capaz de atuar também em dados, processamento e soluções corporativas.
Como a TIM descreve essa mudança de estratégia?
De acordo com o executivo, a companhia reorganizou seu portfólio em cinco frentes de crescimento. As duas primeiras são as áreas mais tradicionais de conectividade e internet das coisas. A terceira passou a incluir serviços de transformação digital após a aquisição da brasileira V8. As duas últimas, segundo a TIM, estão ligadas ao uso de inteligência artificial em aplicações do mundo físico e à atuação como empresa orientada por dados.
No relato apresentado ao IT Forum, a empresa sustenta que a expansão da IA recolocou a infraestrutura no centro da discussão tecnológica. A leitura da TIM é que redes de telecom, sensores e processamento distribuído podem ser decisivos para aplicações que dependem de baixa latência e análise em tempo real, como operações industriais, mobilidade, logística e infraestrutura urbana.
“Estamos em um ponto de reflexão como indústria. Não faz mais sentido separar telecom de tecnologia”.
A TIM também argumenta que sua rede pode ter um papel mais amplo nesse contexto. A ideia é que elementos da infraestrutura, como antenas e pontos de conectividade, deixem de funcionar apenas como meios de transmissão e passem a ser vistos como base para computação de borda, ou edge computing, em projetos empresariais.
Qual é o papel da IA e dos dados nessa proposta?
Na explicação de Fabio Costa, a aposta está em uma IA aplicada ao que ele chamou de mundo real, baseada em dados coletados por sensores, máquinas, veículos e sistemas urbanos. Nesse modelo, a análise não se concentra apenas em linguagem, mas em informações operacionais captadas continuamente, com necessidade de resposta rápida.
“O mundo está investindo trilhões em data centers para suportar IA baseada em texto. Mas existe uma outra IA, que interpreta o que está acontecendo agora, no mundo físico, e isso exige baixa latência e processamento distribuído”.
Segundo o executivo, a coleta e o processamento dessas informações podem abrir espaço para monetização na camada de inteligência. Ele citou exemplos como rodovias, portos, agronegócio e varejo, nos quais o uso de dados poderia gerar aplicações práticas para clientes corporativos.
Nesse cenário, a TIM afirma que pretende combinar infraestrutura de telecom com ferramentas de análise e serviços digitais. A mudança, de acordo com a companhia, exige sair de uma lógica centrada em produtos isolados para uma oferta mais ampla, com foco em soluções voltadas a problemas específicos de cada setor.
Por que o mercado B2B ganhou prioridade?
O texto original aponta que o segmento corporativo passou a ser tratado como principal frente de expansão para as teles, em meio à pressão por margem no mercado de consumo. Na visão apresentada por Costa, o crescimento da TIM deve vir menos da venda simples de conectividade e mais da capacidade de atuar em demandas empresariais com abordagem consultiva.
“O B2B passa a ser o motor de crescimento. Temos uma base sólida no B2C, mas é no corporativo que está a expansão”.
Para isso, a empresa informou que está reorganizando equipes por indústria, e não apenas por produto. A proposta envolve atender segmentos como agro, logística, utilities e cidades, ajustando a linguagem comercial e técnica às necessidades de cada cliente.
Esse modelo, segundo a TIM, passa por combinar diferentes camadas de serviço em uma única oferta:
- conectividade;
- cloud;
- analytics;
- internet das coisas;
- edge computing.
Fabio Costa afirmou que essa transição exige maior capacidade de integração e entendimento dos setores atendidos. No material publicado pelo IT Forum, ele diz que a empresa precisa abandonar uma abordagem genérica para trabalhar com dados e soluções mais específicas.
Como a aquisição da V8 entra nesse plano?
A V8 é apresentada como peça relevante na estratégia porque adiciona competências em cloud, dados e analytics, áreas que, segundo a própria TIM, não faziam parte do núcleo histórico das operadoras. A companhia avalia que a integração entre telecom, IoT, edge e transformação digital pode formar um modelo híbrido de infraestrutura e serviços.
“A V8 está muito forte na camada de transformação digital. Quando combinamos isso com telecom, IoT e edge, criamos algo”.
O texto também menciona que a TIM já opera aplicações relacionadas a cidades inteligentes e internet das coisas, com centenas de milhares de pontos de iluminação pública conectados e veículos monitorados em tempo real. Para a empresa, esses casos ajudam a mostrar como sensores, conectividade e análise de dados podem ser usados em operações urbanas e corporativas.
“Quando se conecta iluminação, mobilidade e infraestrutura urbana, começa a criar uma camada de inteligência sobre a cidade”.
Ao final, a reportagem indica que a TIM projeta crescimento nos próximos anos, mas não detalha números. A mensagem central apresentada pela companhia é que sua ambição está em atuar na transmissão, coleta e interpretação de dados em escala, com a inteligência artificial como eixo de geração de valor.
“Nosso papel é ajudar os clientes a usar dados e inteligência artificial de forma efetiva. Tudo o que fazemos converge para isso”.