O Tesouro Nacional vendeu 5 bilhões de euros em títulos soberanos ao mercado europeu na quarta-feira, 15 de abril de 2026, marcando o retorno do Brasil a esse tipo de emissão na Europa pela primeira vez desde 2014. A operação, realizada com papéis de diferentes prazos, ocorreu em um cenário internacional mais restritivo, com juros mais altos e maior percepção de risco para países emergentes. De acordo com informações do Poder360, a demanda somou cerca de 16 bilhões de euros, mais de três vezes o volume ofertado, com participação de mais de 700 investidores.
A emissão foi dividida entre títulos com vencimentos em 2030, 2033 e 2036. Segundo o Ministério da Fazenda, a operação busca ampliar a presença brasileira no mercado europeu e diversificar as fontes de financiamento. O retorno ocorre 12 anos depois da última emissão em euros, feita quando o país ainda tinha grau de investimento e enfrentava um ambiente externo de juros mais baixos.
Como foi estruturada a emissão de títulos em euros?
A operação foi organizada em três faixas, com volumes e prêmios distintos sobre a taxa de referência internacional. No papel com vencimento em 2030, o Brasil emitiu 2 bilhões de euros, com prêmio de 145 pontos-base sobre o mid-swap. No título com vencimento em 2033, foram 1,5 bilhão de euros, com prêmio de 210 pontos-base. Já no papel com vencimento em 2036, a emissão também foi de 1,5 bilhão de euros, com prêmio de 255 pontos-base.
- Euro 2030: 2 bilhões de euros, vencimento em quatro anos, prêmio de 145 pontos-base
- Euro 2033: 1,5 bilhão de euros, vencimento em sete anos, prêmio de 210 pontos-base
- Euro 2036: 1,5 bilhão de euros, vencimento em dez anos, prêmio de 255 pontos-base
O juro oferecido foi superior ao registrado há dez anos. Na emissão anterior de títulos de dez anos, o país havia pago cerca de 165 pontos-base. Na operação atual, o spread para prazo semelhante chegou a 255 pontos-base, diferença de 90 pontos-base, o que indica percepção de risco mais elevada por parte dos investidores.
O que disseram integrantes da equipe econômica?
Segundo o texto original, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a operação integra a estratégia de reposicionar o país no cenário financeiro internacional e ampliar a presença brasileira no mercado europeu. Ele também declarou que a emissão em diferentes prazos amplia a curva de juros do Brasil em euros e ajuda a consolidar esse mercado como alternativa de financiamento.
“um avanço na estratégia de diversificação de funding”
De acordo com o relato publicado, Durigan também avaliou que a procura acima do esperado sinaliza confiança de investidores internacionais na economia brasileira e na condução da política econômica. Ainda segundo a reportagem, a referência soberana criada pela operação pode facilitar o acesso de empresas brasileiras ao mercado externo.
Por que o contexto internacional é considerado mais difícil?
O retorno brasileiro ao mercado europeu acontece em um ambiente externo diferente do observado em 2014. Desde então, o país perdeu o grau de investimento, depois de rebaixamentos promovidos por agências como Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch Ratings. Além disso, a política monetária nas economias avançadas passou por um ciclo de aperto após a alta global da inflação no período pós-pandemia.
O texto da fonte também cita conflitos internacionais como fatores de pressão sobre a economia global. Entre eles estão a guerra entre Rússia e Ucrânia e a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, apontada como causa do fechamento do estreito de Ormuz. Segundo a publicação, esse movimento elevou os preços da energia e aumentou a incerteza internacional.
A reportagem afirma que o estreito de Ormuz é uma das principais rotas do comércio global de energia e que seu fechamento elevou o preço do Brent para mais de US$ 100 por barril. O encarecimento do petróleo, ainda de acordo com a fonte, tende a pressionar combustíveis, transporte e frete, com possíveis efeitos sobre o crescimento global.
Além do petróleo, o texto menciona impactos sobre o gás natural e a ureia, insumo usado na produção agrícola, bem como efeitos da guerra na Ucrânia sobre o mercado de grãos, especialmente trigo e milho. Nesse cenário de custos maiores e maior seletividade dos investidores, a emissão brasileira em euros ocorre como uma operação relevante de financiamento externo, ainda que com prêmio superior ao visto uma década atrás.