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Soldados denunciam violência e abuso sexual em quartel do Exército em Alagoas

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Dois soldados do Exército denunciaram episódios de violência e abuso sexual dentro do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado, em Maceió, em Alagoas. As representações foram protocoladas na sexta-feira, dia 10, no Ministério Público Militar e no Ministério Público Federal, com relatos sobre dois casos distintos ocorridos em junho e setembro de 2025 dentro da unidade. As denúncias apontam agressões físicas, nudez forçada e um ato libidinoso filmado e compartilhado entre integrantes do batalhão. De acordo com informações da Folha de S.Paulo, o comando da unidade afirmou que abriu procedimentos administrativos e aplicou punições aos envolvidos.

Segundo os relatos apresentados aos órgãos de controle, um dos episódios ocorreu em junho de 2025, quando um soldado afirmou ter sido levado à força para uma câmara fria, despido e deixado nu sob exposição ao frio, além de ter sido agredido por outros militares. O segundo caso, de setembro do mesmo ano, envolve a denúncia de um ato libidinoso contra um soldado enquanto ele dormia no alojamento, com gravação em vídeo e posterior circulação do conteúdo entre colegas da unidade.

O que dizem as denúncias apresentadas pelos soldados?

Um dos casos citados envolve o soldado Pablo Vince Pereira Silva, de 20 anos. À reportagem original, ele relatou que soube no dia seguinte que, enquanto dormia, outro soldado teria exposto o órgão genital e encostado em seu rosto, enquanto um terceiro militar filmava a ação. Segundo o relato, o vídeo teria sido compartilhado com outros soldados.

"Enquanto eu dormia, um soldado passou o pênis ereto no meu rosto, e outro gravou toda a ação dentro da unidade e compartilhou o vídeo com outros soldados", disse Pablo Vince Pereira Silva.

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O soldado afirmou ainda que procurou a instituição após tomar conhecimento do episódio, o que resultou na abertura de apuração interna. Segundo ele, o caso foi tratado como brincadeira, apesar de ele se considerar vítima. Também declarou ter sofrido pressão para não buscar advogado e disse que foi afastado de suas funções mesmo estando em tratamento psicológico e psiquiátrico.

Como o Exército respondeu às acusações?

Em nota, o comando do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado informou que, assim que tomou conhecimento dos fatos, determinou a abertura imediata de sindicâncias em 25 de julho e 29 de setembro de 2025 para apurar as circunstâncias e responsabilidades. De acordo com a manifestação, as apurações resultaram em punições administrativas e desligamentos.

Segundo o batalhão, houve as seguintes medidas:

  • cinco militares foram sancionados disciplinarmente com prisão em dezembro de 2025;
  • esses militares foram licenciados do serviço ativo;
  • em outro caso, dois militares foram desincorporados das fileiras do Exército;
  • o comando afirmou que foram respeitados os princípios do contraditório e da ampla defesa.

A unidade declarou ainda que todos os envolvidos foram licenciados ou desincorporados e reiterou compromisso com a dignidade humana e com a observância da legislação. O texto da nota institucional não detalha a identidade dos punidos nem especifica a correspondência entre cada sanção e cada episódio narrado nas denúncias.

Qual é a situação das apurações fora do quartel?

O Ministério Público Federal informou ter recebido as denúncias e distribuído o caso internamente para análise. Já o Ministério Público Militar, segundo a reportagem original, não respondeu até a publicação. Os advogados das vítimas pedem a abertura de um IPM, o Inquérito Policial Militar, para aprofundar a apuração e buscar a responsabilização dos envolvidos.

A defesa dos soldados é conduzida pelos advogados Alberto Jorge Pereira dos Santos, Alberto Anderson Pereira dos Santos e Jorge Pereira dos Santos. À reportagem original, Alberto Jorge Pereira dos Santos afirmou que os dois militares apresentam graves consequências psicológicas após os episódios e foram afastados de suas funções.

"Um deles só dorme com remédio, mas ainda assim passa boa parte da madrugada acordado. Precisamos ir ao batalhão para pedir documentos, mas ambos mal querem passar pela porta. Foi realmente muito traumático", disse o advogado Alberto Jorge Pereira dos Santos.

Os dois soldados ingressaram nas Forças Armadas por meio do alistamento militar. Até o momento descrito no texto original, as denúncias seguiam sob análise dos órgãos competentes, enquanto o comando do batalhão sustentava que adotou providências administrativas internas após tomar conhecimento dos fatos.

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