A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou, nas primeiras horas desta quinta-feira (23), uma operação visando desarticular um grupo criminoso suspeito de promover rachas e manobras perigosas em vias públicas de Londrina e Cambé, no Norte do estado. De acordo com informações da Agência Paraná, a ação contou com o suporte da Polícia Militar do Paraná (PMPR) e da Guarda Municipal para o cumprimento de diversas ordens judiciais contra os envolvidos.
A ofensiva policial teve como foco principal o cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos alvos da investigação. O objetivo das autoridades é coletar dispositivos eletrônicos, como aparelhos celulares, além de rádios comunicadores que seriam utilizados para facilitar a comunicação durante as atividades ilícitas. Os crimes em apuração pela equipe de investigação incluem a participação em corrida não autorizada, associação criminosa e incitação ao crime.
Quais foram as medidas judiciais impostas aos investigados?
Além das buscas domiciliares, o Poder Judiciário determinou uma série de medidas cautelares e restritivas contra os suspeitos de integrar o grupo. As sanções visam interromper a prática das infrações e garantir a ordem pública nas cidades atingidas. Entre as principais determinações aplicadas nesta fase da operação policial, destacam-se os seguintes pontos:
- Suspensão imediata do direito de dirigir de 13 investigados identificados como condutores nas infrações;
- Bloqueio judicial do perfil em rede social utilizado para a promoção e divulgação dos eventos de corridas ilegais;
- Proibição de os envolvidos se ausentarem da comarca de residência sem prévia autorização da Justiça;
- Autorização judicial para a perícia técnica e extração de dados de todos os equipamentos apreendidos.
Como funcionava a organização dos rachas em Londrina e região?
As investigações conduzidas pela PCPR revelaram que a associação criminosa possuía uma estrutura organizada para a realização e divulgação dos eventos clandestinos. O grupo utilizava rádios comunicadores para coordenar as disputas em tempo real e monitorar a movimentação de viaturas policiais, tentando evitar flagrantes durante as manobras. A divulgação ocorria majoritariamente por meio de redes sociais, onde vídeos e fotos das infrações eram compartilhados para atrair público.
O delegado Edgard Hildebrand Soriani, responsável pelo caso, detalhou como os suspeitos agiam para manter a rede de corridas clandestinas ativa. Segundo a autoridade, a utilização de tecnologia e a vigilância sobre as forças de segurança eram pontos centrais da estratégia do grupo para burlar a fiscalização e as leis de trânsito vigentes.
Esse grupo atuava de forma estruturada, chegando a utilizar rádios comunicadores para coordenar as disputas e monitorar a presença policial
Quais os perigos identificados durante a investigação policial?
As evidências coletadas durante o inquérito demonstram um alto potencial de periculosidade nas ações do grupo. Registros obtidos pela polícia mostram veículos trafegando em alta velocidade, chegando a marcar 186 km/h em avenidas urbanas de grande circulação. Tais práticas eram realizadas de forma imprudente, muitas vezes próximas a espectadores desprotegidos que acompanhavam as exibições de manobras arriscadas.
A gravidade das condutas investigadas é reforçada pelo histórico criminal de um dos suspeitos de integrar a organização. De acordo com o relatório da PCPR, um dos alvos da operação se envolveu em um acidente de trânsito fatal meses antes da ação policial, vitimando um motociclista na região de Londrina. O inquérito policial segue em andamento para consolidar as provas de associação criminosa e identificar outros possíveis participantes dos eventos ilegais.