Sítios da Unesco mantêm fauna estável, mas enfrentam pressão climática crescente - Brasileira.News
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Sítios da Unesco mantêm fauna estável, mas enfrentam pressão climática crescente

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Áreas reconhecidas pela Unesco têm ajudado a manter populações de animais e habitats ameaçados em condição mais estável do que a observada no restante do planeta, segundo um relatório publicado na terça-feira, 21 de abril de 2026. O levantamento aponta que, enquanto a vida selvagem teve queda global de quase três quartos desde 1970, os indicadores dentro desses territórios permaneceram em grande medida estáveis. De acordo com informações do Guardian Environment, o estudo também conclui que comunidades humanas vivem e produzem nesses locais, embora a pressão ambiental esteja aumentando.

O documento, intitulado People and Nature in Unesco Sites, examina 2.260 áreas protegidas vinculadas à Unesco em todo o mundo. Entre os resultados, o relatório afirma que esses territórios vêm permitindo a recuperação de espécies e habitats ameaçados, mas alerta que mais de 300 mil quilômetros quadrados de cobertura arbórea foram perdidos dentro dessas áreas desde 2000, principalmente por expansão agrícola e exploração madeireira. Além disso, cerca de 90% dos sítios avaliados enfrentam altos níveis de estresse ambiental, com destaque para o calor extremo.

O que o relatório diz sobre a biodiversidade nesses territórios?

Segundo o estudo, muitos animais de grande porte e forte apelo de conservação encontraram refúgio em áreas designadas pela Unesco, onde costumam receber proteção mais robusta do que em regiões sem esse reconhecimento. Aproximadamente um terço dos elefantes, tigres e pandas ainda existentes no mundo está nesses sítios. O relatório também afirma que cerca de um em cada dez grandes primatas, girafas, leões, rinocerontes e dugongos remanescentes vive nessas áreas.

O levantamento destaca ainda espécies altamente ameaçadas cuja sobrevivência está fortemente concentrada nesses territórios. Todos os dez exemplares de vaquita que seriam os últimos da espécie, os cerca de 60 rinocerontes-de-java restantes e aproximadamente 85% dos orangotangos-de-sumatra, estimados em cerca de 15 mil indivíduos, estão em áreas designadas pela Unesco.

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Quais são as principais ameaças apontadas pelo estudo?

Apesar dos resultados positivos para a conservação, o relatório ressalta que esses locais estão sob forte risco. A Unesco avalia que um em cada quatro sítios designados pode atingir pontos críticos de inflexão climática até 2050. Entre os efeitos citados estão o desaparecimento de geleiras, o colapso de recifes de coral e o ressecamento de florestas, que podem deixar de absorver carbono e passar a emitir esse gás.

“It’s good news, it shows that these sites are extremely resilient in the face of a changing world,” said Tales Carvalho Resende, one of the co-authors of the report.

Em outra declaração reproduzida pela reportagem, Tales Carvalho Resende afirmou que a mudança climática passou a ser o principal fator de ameaça a esses territórios e que eles precisam se adaptar aos desafios que se aproximam. O texto também cita que a perda de cobertura vegetal dentro dos sítios vem ocorrendo sobretudo por atividades ligadas à agricultura e à extração de madeira.

Qual é o impacto humano e econômico das áreas reconhecidas pela Unesco?

O relatório afirma que esses sítios abrigam cerca de um décimo da população mundial e sustentam benefícios associados à biodiversidade, com geração de aproximadamente um décimo do Produto Interno Bruto global. O texto menciona o Parque Nacional de Virunga, na República Democrática do Congo, como exemplo de proteção de gorilas-das-montanhas com apoio de comunidades locais.

As três formas de designação da Unesco citadas no levantamento são:

  • sítios do patrimônio mundial;
  • reservas da biosfera;
  • geoparques globais.

Os sítios do patrimônio mundial têm o nível mais alto de reconhecimento e estão vinculados à Convenção do Patrimônio Mundial de 1972, que obriga governos a protegê-los. Já as reservas da biosfera e os geoparques globais também devem ser administrados pelos governos, mas não possuem a mesma força legal do instrumento original.

Qual é a dimensão dessas áreas no planeta?

Somadas, essas áreas cobrem mais de 13 milhões de quilômetros quadrados, uma superfície terrestre superior à da China e da Índia combinadas, de acordo com o relatório. Mais de 60% das espécies do mundo estariam presentes nesses sítios, e cerca de 40% delas não seriam encontradas em nenhum outro lugar da Terra. O estudo também diz que esses territórios abrigam cerca de 900 milhões de pessoas, que falam mais de mil línguas.

Outro dado destacado é a sobreposição de aproximadamente um quarto desses sítios com territórios de povos indígenas, sendo que muitos deles são administrados por comunidades indígenas e locais. O relatório acrescenta que as áreas reconhecidas pela Unesco armazenam uma estimativa de 240 gigatoneladas de carbono, volume equivalente a quase duas décadas de emissões decorrentes da queima de combustíveis fósseis.

“Inside these [Unesco designated] territories, communities thrive, humanity’s heritage endures, and biodiversity is holding on while it collapses elsewhere. This report reveals what we stand to lose if [these sites] are not prioritised.”

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