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Conflitos no campo: assassinatos dobram no Brasil em 2025, diz CPT

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Os conflitos no campo no Brasil resultaram em 26 assassinatos registrados em 2025, o dobro do anotado no ano anterior, segundo o relatório Conflitos no Campo Brasil 2025, lançado nesta segunda-feira, 27 de abril, em Brasília, pela Comissão Pastoral da Terra. De acordo com informações da Agência Pública, mais da metade das mortes ocorreu na Região Norte, com sete casos no Pará e sete em Rondônia. O levantamento busca retratar a escalada da violência agrária e seus impactos sobre trabalhadores rurais, povos indígenas e outros grupos atingidos por disputas territoriais.

Entre as vítimas assassinadas em 2025, os agricultores sem-terra foram o grupo mais atingido, com dez mortes. Em seguida aparecem sete indígenas e quatro posseiros. Também foram registrados os assassinatos de um pescador, um assentado, um funcionário público e dois aliados, conforme os dados da CPT.

Onde a violência foi mais intensa no campo?

A Região Norte concentrou mais de 50% das mortes violentas no campo em 2025. Além dos sete assassinatos no Pará e outros sete em Rondônia, os demais casos foram registrados na Bahia, com quatro ocorrências, Amazonas e Paraná, com duas cada, além de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Para Larissa Rodrigues, integrante da Articulação das CPTs da Amazônia, os números refletem “o avanço de um projeto histórico de expansão colonial e capitalista sobre a Amazônia, que continua atingindo e transformando os povos e territórios inteiros em alvos de expropriação e extermínio”. Ela também atribuiu o cenário ao fortalecimento do “consórcio entre grilagem, crime organizado, setores do Estado, além de setores privados, que atuam juntos para atingir terras públicas e áreas protegidas”.

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Segundo o relatório, fazendeiros aparecem como mandantes ou executores em 77% dos registros de assassinato de 2025. Dos 26 casos, 20 são atribuídos direta ou indiretamente a esse grupo.

Quais outros tipos de violência cresceram em 2025?

Além da alta nos assassinatos, o relatório aponta crescimento em outras formas de violência contra a pessoa no campo. As prisões aumentaram 56% em relação ao ano anterior. Os casos de cárcere privado passaram de um, em 2024, para 105 em 2025. Já os registros de humilhação subiram de cinco para 142 no mesmo período.

Gustavo Arruda, documentalista do Centro de Documentação Dom Tomás Balduino, afirmou que “a alta dos casos de humilhação e cárcere, por exemplo, se dão pela ação arbitrária da polícia militar do estado de Rondônia, que em novembro de 2025, no contexto da operação Godos, interrompeu uma reunião pública com cerca de 100 famílias sem terra, despejadas de seus acampamentos, e servidores do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar)”.

“o aumento dos casos de prisões também se dá por conta de ações pontuais da força do Estado sob comunidades: neste caso, é reflexo da polícia do estado da Bahia, que prendeu cerca de 24 povos originários da TI (Terra Indígena) Barra Velha; e da polícia militar de Rondônia, que, também no ano passado, realizou diversas operações de perseguição a integrantes da Liga dos Camponeses Pobres (LCP)”

Entre 2016 e 2025, 24.774 trabalhadores do campo foram vítimas de diferentes formas de violência, como assassinatos, ameaças de morte, tentativas de assassinato e prisões, de acordo com a CPT. Nesse período, os assassinatos atingiram principalmente sem-terra, indígenas, posseiros e quilombolas.

O total de conflitos caiu ou houve estabilidade?

O relatório contabilizou 1.593 ocorrências de conflitos no campo em 2025. O texto informa uma queda de 28% em relação a 2024, embora também registre 1.593 ocorrências para o ano anterior. Segundo a publicação, essa variação não representa diminuição da violência, mas um cenário de estabilidade.

As disputas por terra seguiram como principal vetor da violência agrária. Do total de registros de conflito em 2025, 75% envolveram violência por terra, somando 1.286 ocorrências. Desse total, 1.186 estavam relacionadas à ocupação e posse da terra, enquanto 100 corresponderam a ações de resistência, como acampamentos, ocupações e retomadas.

O relatório também menciona dois massacres em 2025, critério usado pela CPT quando há três ou mais mortes na mesma ocasião. Em junho, três pessoas foram mortas na zona rural de Vilhena, em Rondônia, em um possível conflito envolvendo a posse da propriedade onde as vítimas foram encontradas. Em julho, outras três mortes de trabalhadores do movimento sem-terra foram registradas no assentamento Coco II, no Pará. Juntos, esses seis assassinatos representaram 23% do total contabilizado.

O que o relatório mostra sobre trabalho análogo à escravidão?

A categoria com o segundo maior número de registros foi a de conflitos trabalhistas. Em 2025, 1.991 pessoas foram resgatadas no campo em condições análogas à escravidão, alta de 22,7% na comparação com o ano anterior citado no texto.

  • Mato Grosso: 606 pessoas resgatadas
  • Minas Gerais: 303
  • Goiás: 220
  • Bahia: 171
  • São Paulo: 142
  • Maranhão: 135

Mato Grosso liderou os resgates, impulsionado por uma operação em uma usina de etanol em Porto Alegre do Norte, onde 586 trabalhadores e trabalhadoras foram encontrados em condições precárias. Segundo a reportagem, essas pessoas, aliciadas no Norte e no Nordeste, dormiam em quartos superlotados e enfrentavam má alimentação, além de falta de água e energia.

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