A Shade, startup sediada em Nova York, anunciou na quarta-feira, 22 de abril de 2026, a captação de US$ 14 milhões em uma rodada liderada por Khosla Ventures, Construct Capital e Bling Capital. A empresa desenvolve uma plataforma de armazenamento em nuvem voltada a equipes criativas e de marketing, com foco em busca de arquivos de mídia por linguagem natural, incluindo a localização de trechos exatos dentro de vídeos. De acordo com informações do TechCrunch, a proposta é facilitar o armazenamento, a pesquisa e a colaboração em bibliotecas de mídia cada vez maiores, em um cenário de expansão da produção de conteúdo impulsionada por inteligência artificial.
A companhia foi fundada em 2024 pelo CEO Brandon Fan e pelo CTO Emerson Dove, amigos desde o ensino médio. Segundo a reportagem, a ideia surgiu da frustração dos fundadores com ferramentas já conhecidas de armazenamento, como o Dropbox, quando o desafio era localizar arquivos de forma eficiente em meio a grandes volumes de conteúdo.
O que a plataforma da Shade promete entregar?
A startup afirma ocupar um nicho específico no mercado de armazenamento de arquivos criativos, oferecendo não apenas espaço na nuvem, mas também mecanismos para organizar fluxos de trabalho em torno desses materiais. Na avaliação de Brandon Fan, à medida que empresas produzem mais conteúdo, cresce também a necessidade de estruturar os processos ligados a esses arquivos.
Um dos principais diferenciais apontados pela empresa é a busca em linguagem natural, apoiada por marcação automática. Na prática, isso permite que o usuário pesquise descrições como uma pessoa segurando um laptop na neve e receba como resposta os clipes compatíveis, com indicação do ponto exato em que a cena aparece no vídeo.
Além disso, a ferramenta faz transcrição automática de vídeos para ampliar as possibilidades de busca. Segundo o texto original, os usuários podem pesquisar por significado, por trechos transcritos e por reconhecimento facial de pessoas previamente identificadas.
Como funciona o sistema de armazenamento e edição?
Outro recurso destacado é um sistema de arquivos descrito como streamable. De acordo com a Shade, essa estrutura permite montar o armazenamento em nuvem no sistema local e começar a trabalhar em um arquivo quase imediatamente, sem a necessidade de esperar o download completo. A empresa também informa que os usuários podem fixar arquivos para acessá-los mesmo em condições de baixa largura de banda.
A comparação feita pela reportagem é com serviços como Google Drive e Dropbox, nos quais arquivos grandes normalmente precisam ser baixados antes da edição. No modelo da Shade, a proposta é reduzir esse intervalo e acelerar o início do trabalho com o material.
Na colaboração, a plataforma permite deixar comentários vinculados a momentos específicos do vídeo, além de anexar arquivos dentro dessas observações. O sistema também oferece múltiplos links para um mesmo ativo com permissões diferentes, bem como definição de funções com base no nível de acesso.
Quais são os planos, preços e próximos passos da empresa?
Para entregas finais a clientes, a Shade afirma que é possível criar coleções de arquivos com identidade visual da marca, proteção por senha e datas de expiração. Para equipes pequenas, a empresa oferece um plano de US$ 20 por assento ao mês, com drives ilimitados, indexação por IA sem limite e 500 GB de armazenamento ativo por assento. Esse plano, segundo a reportagem, atende até 15 assentos por espaço de trabalho e até 150 convidados para colaboração.
A rodada anunciada em março eleva para US$ 20 milhões o total captado pela startup em quase quatro anos, com General Catalyst, SignalFire e Contrary também entre os investidores listados. O mercado, porém, não é exclusivo da empresa: o texto cita concorrentes como Poly e Memories.ai, que também atuam com armazenamento e busca de arquivos em grande escala apoiados por inteligência artificial.
- Captação anunciada: US$ 14 milhões
- Total levantado pela empresa: US$ 20 milhões
- Plano para pequenas equipes: US$ 20 por assento ao mês
- Armazenamento ativo no plano citado: 500 GB por assento
Keith Rabois, managing director da Khosla Ventures, afirmou ao TechCrunch que, embora a inteligência artificial tenha acelerado a criação de conteúdo, a gestão desse material ainda é desorganizada em muitas empresas. Em sua avaliação, boa parte do mercado apenas adiciona busca sobre sistemas já existentes, enquanto a Shade reconstruiu a arquitetura unindo streaming, indexação e colaboração.
“Most companies are layering search on top of existing storage. Shade rebuilt the stack from first principles, spanning streaming, indexing, and collaboration in one system. That architectural approach is harder, but it is why the product actually works, not just as a bolt-on feature.”
Nos próximos meses, a startup planeja ampliar a busca entre diferentes tipos de arquivo, incluindo imagens, vídeos e documentos. A empresa também trabalha em uma plataforma no-code para que equipes criativas montem fluxos de trabalho automatizados a partir dos arquivos armazenados no sistema.