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Sespa recomenda atenção aos sintomas da doença de Chagas e reforça prevenção no Pará

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A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) emitiu um alerta oficial nesta terça-feira (14) sobre a importância da identificação precoce de sintomas e da adoção de medidas preventivas contra a doença de Chagas. A mobilização ocorre em alusão ao Dia Mundial da Doença de Chagas, data estabelecida para ampliar a conscientização sobre os riscos de infecção e os protocolos de tratamento necessários para conter o avanço da patologia no território paraense.

De acordo com informações da Agência Pará, a principal via de contágio atualmente é a ingestão de alimentos contaminados por fezes do parasito Trypanosoma cruzi, geralmente depositadas pelo inseto conhecido como barbeiro durante o processamento de frutos como o açaí, quando não há o devido controle de higiene.

Como ocorre a transmissão da doença de Chagas?

A transmissão clássica ocorre quando o barbeiro infectado pica um indivíduo e deposita fezes contaminadas no local do ferimento. Ao coçar a região, o parasito penetra na corrente sanguínea. Entretanto, no cenário regional, a transmissão oral predomina, representando 89% dos registros. Na fase aguda, o paciente pode apresentar quadros de dor de cabeça, febre persistente, cansaço excessivo, além de edemas no rosto e nos membros inferiores.

As autoridades de saúde reforçam que sinais como taquicardia, palpitações, dor no peito e falta de ar são indicativos graves que exigem atendimento imediato. O diagnóstico célere é considerado o pilar fundamental para evitar sequelas irreversíveis, uma vez que a demora no início da terapia medicamentosa permite que o parasito cause danos severos ao sistema digestivo e ao coração.

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Qual é o fluxo de atendimento para casos suspeitos no Pará?

O protocolo estabelecido pela Sespa define que qualquer cidadão com suspeita da enfermidade deve procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. O coordenador do Programa de Controle da Doença de Chagas, Eder Monteiro, detalha o procedimento necessário para garantir a recuperação dos pacientes e o controle epidemiológico estatal.

“Um paciente com suspeita da doença precisa comparecer na Unidade Básica de Saúde, ser logo notificado e imediatamente encaminhado para exame e início do tratamento”

Após a confirmação laboratorial, o paciente recebe medicação específica por um período de dois meses. O acompanhamento, no entanto, é de longo prazo, estendendo-se por cinco anos na atenção básica municipal. Em casos complexos, o fluxo prevê a assistência de especialistas em cardiologia, infectologia e gastroenterologia para monitorar possíveis complicações crônicas.

Quais são as estratégias de prevenção e controle governamental?

A gestão estadual tem intensificado a capacitação de profissionais para fortalecer a rede de atendimento. Desde 2019, mais de 600 técnicos foram treinados para atuar no diagnóstico oportuno. Além disso, a Sespa colabora com a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), o Ministério Público e a Universidade Federal do Pará (UFPA) em ações educativas voltadas para produtores e batedores de açaí.

As frentes de atuação incluem:

  • Treinamento de batedores de açaí sobre boas práticas de manipulação;
  • Ações educativas em escolas municipais e comunidades rurais;
  • Assessoria técnica aos municípios para investigação de surtos;
  • Webconferências para alinhamento de diagnóstico laboratorial;
  • Monitoramento do fluxo de abastecimento de medicamentos específicos.

Qual é o panorama epidemiológico atual no estado?

O estado do Pará é responsável por aproximadamente 80% das ocorrências de doença de Chagas no Brasil. Os dados estatísticos revelam uma oscilação nos índices anuais: em 2024, foram registrados 494 casos agudos com seis óbitos; em 2025, o número subiu para 512 casos e oito mortes. No período de primeiro de janeiro até 11 de abril de 2026, a Sespa já confirmou 97 casos e quatro óbitos.

O perfil epidemiológico indica que 53% dos afetados são do sexo feminino. Quanto à localização, 50% das notificações ocorrem em áreas periurbanas, enquanto as zonas rural e urbana dividem o restante com 24,3% cada. Apesar dos desafios, o fortalecimento das notificações em tempo hábil tem permitido que mais de 90% dos pacientes confirmados apresentem melhora clínica sem intercorrências graves.

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