Os servidores técnicos e administrativos da Universidade de São Paulo (USP) decidiram encerrar, nesta sexta-feira (24), a paralisação iniciada há dez dias no campus da capital e do interior. A decisão ocorreu após uma rodada de negociações bem-sucedida entre a reitoria da instituição e o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), que resultou no atendimento de demandas centrais da categoria.
De acordo com informações da Agência Brasil, os trabalhadores haviam cruzado os braços no último dia 14 de abril. O principal ponto de pauta era a busca por isonomia salarial e de benefícios em relação aos docentes da universidade, especificamente no que diz respeito às gratificações concedidas recentemente aos professores. Com o fim do movimento, as atividades administrativas devem ser normalizadas nos próximos dias.
Como funcionará a equiparação de gratificações na USP?
A administração central da USP informou oficialmente que irá igualar o montante de recursos destinado ao pagamento de gratificações para ambas as categorias — técnicos e docentes. Essa era a reivindicação primordial do Sintusp, que alegava disparidade no tratamento entre os diferentes quadros de funcionários da instituição. No entanto, a implementação financeira não será imediata.
O pagamento desses valores ainda depende do envio de uma proposta detalhada e estruturada para análise dos órgãos técnicos competentes da universidade. Até o momento, não existe uma previsão exata para o início dos depósitos, uma vez que o processo administrativo requer a validação de dotações orçamentárias específicas. A reitoria comprometeu-se a dar celeridade ao trâmite para atender ao acordo firmado com o sindicato.
Quais foram os outros pontos acordados entre servidores e reitoria?
Além da questão financeira, a pauta de negociações incluiu condições de trabalho e a compensação de períodos de inatividade. Foi firmado um compromisso para a formalização do abono das horas não trabalhadas durante as chamadas “pontes” de feriados e o recesso administrativo de final de ano. Esse ponto era visto como essencial para garantir a segurança jurídica dos servidores que aderiram aos períodos de descanso coletivo em anos anteriores.
O diálogo também avançou em questões que envolvem os trabalhadores terceirizados que prestam serviços à universidade. A reitoria assumiu o compromisso de buscar soluções que assegurem a esses profissionais condições de deslocamento análogas às oferecidas aos servidores diretos da USP. Entre as medidas discutidas está a gratuidade no transporte circular dentro dos campi, facilitando o acesso e a mobilidade de quem atua na manutenção e nos serviços gerais da instituição.
Qual é a situação da greve dos estudantes neste momento?
Diferente do quadro dos servidores, os estudantes da Universidade de São Paulo decidiram manter a greve iniciada no dia 16 de abril. O movimento discente possui pautas distintas, focadas principalmente na assistência estudantil e na infraestrutura dos campi. Os alunos protestam contra o que classificam como cortes no programa de bolsas de auxílio e a insuficiência de vagas em moradias estudantis, além de relatarem problemas crônicos no fornecimento de água em certas unidades.
Uma vitória parcial foi celebrada pelo movimento estudantil: a revogação de uma portaria que restringia o uso de espaços cedidos aos centros acadêmicos. A norma impedia que os diretórios realizassem comércio ou sublocação nos locais, o que afetava a sustentabilidade financeira das entidades de base. Mesmo com esse recuo da reitoria, a paralisação continua até que novos avanços ocorram na mesa de negociação agendada para a próxima terça-feira (28).