A **Secretaria de Administração Penitenciária** (Seap) do Pará promoveu, na última sexta-feira (17), a inserção de internas do sistema prisional em um desfile de moda durante a programação da Semana dos Povos Indígenas, em Belém. A ação foi coordenada pela **Cooperativa Social de Trabalho Arte Feminina Empreendedora** (Coostafe), que é formada exclusivamente por mulheres privadas de liberdade, em parceria com o estilista **Maurício Duarte**. O objetivo central da atividade é reforçar as estratégias estaduais de ressocialização e oferecer qualificação profissional qualificada.
De acordo com informações da Agência Pará, o evento contou com o apoio da Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi). Pelo segundo ano consecutivo, as cooperadas da Coostafe atuaram na produção das peças. Desta vez, no entanto, as internas também contribuíram no processo criativo após participarem de oficinas ministradas pelo próprio estilista ao longo de dois dias, resultando em uma coleção de assinatura conjunta.
Como as internas participaram do processo criativo na moda indígena?
A participação das custodiadas foi integral, abrangendo desde a concepção das ideias até a execução final das vestimentas. A coordenadora da Coostafe, Narayana Brotas, explicou que a proposta da coleção e os materiais utilizados foram discutidos coletivamente. Durante as oficinas, as internas puderam opinar e inserir elementos autorais nos desenhos, garantindo que o aprendizado técnico fosse acompanhado de um desenvolvimento humano e criativo.
“Ele chega com uma proposta de coleção, conceitos e materiais, mas tudo é construído em conjunto. Elas opinam, contribuem com ideias e participam de todas as etapas, desde a criação até a costura, sempre com orientação profissional”
— Publicidade —Google AdSense • Slot in-article
A coordenadora destacou que a experiência permite que as mulheres se reconheçam como profissionais capazes, enxergando perspectivas reais de futuro fora do ambiente carcerário. A metodologia aplicada pelo estilista foi descrita como acolhedora, o que facilitou o engajamento das participantes no projeto de moda.
Qual o impacto da parceria com o estilista Maurício Duarte?
Para o estilista Maurício Duarte, o trabalho desenvolvido com a Coostafe é um instrumento de transformação social. Ele ressaltou que as peças apresentadas no desfile possuem intervenções diretas das internas, como bordados e detalhes manuais que conferem identidade única aos trajes. Duarte acredita que a arte serve como um caminho para a geração de renda e a reintegração das mulheres na sociedade.
“Eu trago a ideia inicial, mas tudo é desenvolvido em conjunto. Elas participam do desenho, da criação e da execução. Muitas peças têm intervenções delas, como bordados e detalhes que dão identidade aos looks. É uma troca real, que gera novos olhares”
Além da transferência de conhecimento técnico, a iniciativa foca na percepção da moda como um negócio viável para o pós-cárcere. Segundo o criador, muitas das participantes saem da oficina com uma nova profissão consolidada, pronta para ser exercida no mercado de trabalho formal ou no empreendedorismo.
Como o desfile promove a valorização cultural e o protagonismo?
O evento também serviu como um espaço de afirmação da identidade indígena e de gênero. Representantes da Sepi ressaltaram que o desfile expressa a diversidade de territórios e etnias, unindo o protagonismo de mulheres indígenas e o esforço de ressocialização. A participação da Coostafe foi citada como um exemplo da força de iniciativas coletivas lideradas por mulheres em contextos de vulnerabilidade ou privação de liberdade.
A interna Joyce Medeiros da Silva, de 24 anos, compartilhou sua trajetória dentro da cooperativa. Ela relatou que não possuía conhecimentos prévios de costura antes de ingressar no sistema, mas que agora domina diversas técnicas e pretende seguir carreira na área após cumprir sua pena. Para ela, ver o trabalho exposto em uma passarela é uma forma de gratificação e expressão de sentimentos.
“É uma experiência única. Talvez lá fora eu não tivesse acesso a esse conhecimento. A gente consegue expressar sentimentos no que produz, e é muito gratificante ver essas peças na passarela”
A ação da Seap integra um cronograma contínuo de valorização humana dentro das unidades prisionais do Pará. O desfile na Semana dos Povos Indígenas não apenas apresentou o talento das cooperadas, mas também reforçou a visibilidade do trabalho realizado pela Coostafe, que busca ampliar o acesso das detentas a mercados profissionais e espaços de cultura e arte.
- Participação em oficinas criativas de dois dias com o estilista Maurício Duarte;
- Criação conjunta de peças de moda com identidade indígena;
- Oportunidade de qualificação técnica em costura e bordado;
- Fortalecimento da autoestima e geração de novas perspectivas profissionais.