A 20ª edição da Semana Cultural Indígena Guarani teve início nesta terça-feira (14) na Terra Indígena Tekoha Añetete, localizada no município de Diamante D’Oeste. O evento, sediado no Colégio Estadual Indígena Kuaa Mbo’e, estende-se até quinta-feira (16), oferecendo atividades educativas e culturais nos períodos da manhã e da tarde para aproximar a comunidade regional dos saberes tradicionais dos povos originários.
De acordo com informações da Agência Paraná, a celebração é o principal atrativo turístico e cultural da cidade, tendo reunido aproximadamente cinco mil participantes no ano anterior. Para 2024, a expectativa dos organizadores, vinculados à Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR), é atingir ou superar essa marca de público.
“A Semana Cultura Indígena é um momento significativo de aprendizado e troca de experiências entre indígenas e não-indígenas. Mais que um evento, é um espaço de reconhecimento, respeito e preservação dos saberes tradicionais, reafirmando a importância da cultura indígena como parte essencial da nossa história e da nossa sociedade”
Afirmou o diretor do colégio sede, Jairo Cesar Bortolini, destacando o papel da instituição na preservação da identidade local.
Qual é a programação da Semana Cultural Indígena Guarani?
A grade de atividades foi elaborada para oferecer uma imersão completa nos costumes da etnia. Os visitantes podem participar de diversas ações, incluindo:
- Apresentações culturais e danças tradicionais;
- Práticas e demonstrações de medicina natural;
- Feira de artesanato indígena e pintura facial;
- Trilhas guiadas em meio à natureza preservada;
- Sessões de astronomia no planetário móvel.
O grande diferencial deste ano é a presença do planetário móvel do Parque da Ciência Newton Freire Maia, transportado de Pinhais para o oeste paranaense. A entrada é aberta ao público mediante uma taxa de contribuição de R$ 7,00 por pessoa, integrando o calendário de comemorações ao Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril.
Como funciona a astronomia sob a perspectiva do céu Guarani?
Pela primeira vez, os visitantes podem conhecer as constelações a partir da ótica indígena. O planetário móvel realiza sessões que duram entre 20 e 30 minutos, com capacidade para 50 pessoas por vez. A projeção foca nos mitos, lendas e fenômenos observados historicamente pelos povos Tupi-Guarani, cujas formações estelares diferem dos padrões ocidentais tradicionais.
Segundo o diretor do Parque da Ciência, Anísio Lasievicz, essa iniciativa valoriza uma cultura viva que compreende profundamente os ciclos da natureza. O Parque da Ciência, gerido pela Secretaria de Educação, recebe investimentos constantes do Governo do Paraná, incluindo R$ 46,47 milhões via Fundepar para a construção de um novo planetário fixo em sua sede, que será referência na América Latina.
Quais instituições colaboram para a realização do evento?
A organização é um esforço conjunto entre o Colégio Estadual Indígena Kuaa Mbo’e, que atende 130 alunos, e a Escola Estadual Indígena Araju Porã, que conta com 35 estudantes. As duas unidades se alternam anualmente como sede. O projeto recebe suporte institucional do Núcleo Regional de Educação de Toledo, da Prefeitura de Diamante D’Oeste e da Itaipu Binacional.
O secretário da Educação, Roni Miranda, ressaltou que a parceria com centros de divulgação científica agrega inovação ao evento tradicional. Para ele, a Semana Cultural consolida o papel transformador das escolas indígenas dentro do sistema estadual de ensino.
Como está estruturada a educação indígena no estado do Paraná?
Atualmente, a rede estadual mantém 40 escolas específicas para o atendimento de 5,5 mil estudantes das etnias Guarani, Kaingang, Xokleng e Xetá. O modelo pedagógico é bilíngue e intercultural, garantindo o ensino das línguas originárias e da língua portuguesa desde a primeira infância.
O currículo escolar do Ensino Médio nessas instituições inclui disciplinas especializadas, como:
- Filosofia Indígena e Projeto de Vida e Bem Viver;
- Cultura Corporal e Artesanato Indígena;
- História e Direitos Indígenas;
- Introdução à Informática.
Essa estrutura cumpre a Lei Federal 11.645/2008, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena em todos os níveis de ensino, promovendo a valorização da diversidade étnica em toda a rede pública estadual.