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Artigo relaciona crise ecológica a urbanismo, violência e desenvolvimento

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Mãos plantando uma muda em um vaso sobre escombros urbanos, com o horizonte de uma cidade cinzenta ao fundo.
Foto: Andre Deak / flickr (cc0)

Em um artigo de opinião publicado em 23 de março de 2026, o autor Celso Sánchez defende que a transformação social necessária diante da crise climática e urbana será ecológica, e não ideológica nos moldes da Guerra Fria. O texto relaciona referências como George Orwell, a ditadura militar brasileira, políticas urbanas, violência policial e mudanças climáticas para sustentar a ideia de que o atual modelo de desenvolvimento aprofundou desigualdades sociais e danos ambientais no Brasil. De acordo com informações da Eco21, o artigo foi escrito em homenagem ao Dia da Água de 2026. A data é celebrada anualmente em 22 de março e costuma mobilizar debates sobre gestão hídrica e preservação ambiental.

Ao longo do texto, Sánchez parte de A Revolução dos Bichos, de Orwell, publicada em 1945, para discutir como o imaginário político do pós-guerra ajudou a legitimar práticas repressivas e projetos de desenvolvimento autoritários. Na argumentação, essa herança ideológica teria influenciado ações como a Operação Condor e, no Brasil, a associação entre militares, empreiteiras, engenheiros e economistas em intervenções que alteraram profundamente a paisagem nacional.

Como o artigo relaciona ditadura, urbanismo e meio ambiente?

O autor afirma que grandes obras executadas ao longo desse período incluíram estradas abertas em áreas de floresta, barragens que desalojaram comunidades e projetos urbanos que desconsideraram dinâmicas socioambientais locais. Ele cita como exemplos a destruição de Sete Quedas e menciona também Carajás, Tucuruí, Xingu e Barra da Tijuca como símbolos de um progresso que, segundo o texto, posteriormente se associou à corrupção e à concentração de renda. Sete Quedas ficava na fronteira entre Brasil e Paraguai e foi submersa com a formação do reservatório de Itaipu, uma das maiores hidrelétricas do mundo.

Na avaliação apresentada, esse modelo de crescimento esteve vinculado ao consumo como promessa de inclusão social. O artigo menciona a frase atribuída ao ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, que ocupou o cargo durante a ditadura militar, para argumentar que a distribuição dos benefícios do crescimento não ocorreu de forma equitativa. Dentro dessa lógica, o programa Minha Casa Minha Vida é citado como política que ajudou a reduzir o déficit habitacional, mas também recebeu críticas por deslocar moradores para periferias distantes e por padronizar moradias sem considerar modos de vida anteriores.

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“é preciso fazer o bolo crescer para depois dividir”

Quais dados são usados para sustentar a crítica social?

O texto menciona números do Ministério das Cidades, segundo os quais mais de cinco milhões de unidades do Minha Casa Minha Vida haviam sido contratadas até 2022. Também cita a Fundação João Pinheiro, que em 2023 apontou déficit habitacional superior a 5,8 milhões de moradias no país. Para o autor, esse quadro se conecta a uma longa estigmatização das favelas, inclusive pelo uso da expressão “aglomerados subnormais” pelo IBGE, termo que ele critica por seu viés desumanizante.

Na sequência, o artigo sustenta que as periferias produziram respostas próprias por meio de arte, música, poesia, ciência, organização comunitária e tecnologias sociais e ambientais. Ainda assim, afirma que esses territórios continuam submetidos à violência cotidiana. Nesse ponto, o autor recorre ao conceito de necropolítica, de Achille Mbembe, para descrever a permanência de mortes em ações policiais, citando dado do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2023 segundo o qual mais de 6.400 pessoas foram mortas por intervenções policiais em um único ano. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública é uma organização que reúne e sistematiza indicadores da área com base em dados oficiais dos estados.

  • Crítica ao desenvolvimento baseado apenas em crescimento econômico
  • Questionamento sobre políticas urbanas e habitacionais
  • Relação entre violência estatal e desigualdade territorial
  • Defesa da centralidade da água e dos ecossistemas nas cidades

Por que a água ocupa papel central nessa argumentação?

O artigo afirma que a necropolítica também se expressa no urbanismo, ao apagar rios, soterrar nascentes e substituir ecossistemas por concreto. Como exemplo, menciona o Rio de Janeiro e informa, com base no INEA, que a cidade possui cerca de 267 rios urbanos, muitos canalizados ou invisibilizados. O INEA é o Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, órgão ambiental do governo fluminense. A partir disso, o autor argumenta que a urbanização desordenada intensifica a vulnerabilidade climática, especialmente diante do aumento de enchentes, deslizamentos e ondas de calor.

Sánchez cita alertas do IPCC para afirmar que eventos extremos tendem a se tornar mais frequentes e intensos. Na leitura do autor, a redução de áreas verdes, a impermeabilização do solo e o soterramento de cursos d’água ampliam os impactos das mudanças climáticas. Por isso, ele propõe uma ruptura com o modelo atual de desenvolvimento e defende a renaturalização das cidades, a recuperação de nascentes e a reconstrução de vínculos entre território, cultura e meio ambiente. O IPCC é o painel climático das Nações Unidas que reúne avaliações científicas sobre aquecimento global e seus impactos.

O que o autor chama de revolução ecológica?

Na parte final, o artigo sustenta que essa revolução passaria pelo reconhecimento das periferias como sujeitos centrais, por uma nova relação com a natureza e pela substituição da lógica do desenvolvimento por aquilo que chama de “ecoenvolvimento”. A água é apresentada como direito universal humano, em referência ao reconhecimento feito pela ONU em 2010, e como elemento estruturante de uma consciência ecológica mais ampla.

O texto encerra defendendo gestão comunitária, participação popular e educação voltada à convivência com a natureza. Ao resumir sua tese, o autor afirma que a mudança necessária virá da compreensão de que sociedade e natureza são interdependentes e de que o enfrentamento da crise urbana e climática exige transformação ambiental e social simultânea.

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