As pesquisas que dependem de irradiação de amostras no reator nuclear de pesquisa IEA-R1, do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen/CNEN), em São Paulo, serão realizadas temporariamente em Belo Horizonte. A medida foi informada após a manutenção do painel de controle do equipamento seguir sem previsão de conclusão. De acordo com informações da Agência Brasil, os experimentos serão encaminhados ao Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear, unidade da CNEN na capital mineira, para reduzir os impactos sobre alunos e pesquisadores da USP e de instituições parceiras.
O reator IEA-R1 está fora de operação desde o segundo semestre de 2025, enquanto aguardava ajustes e autorização para retomar as atividades. Em 23 de março, um incêndio atingiu parte da fiação do painel de controle do equipamento. Segundo o relato publicado, o fogo foi controlado em pouco tempo pela equipe, com apoio do Corpo de Bombeiros, e não houve comprometimento da segurança da instalação. O Ipen/CNEN informou que investiga as causas do acidente e busca a reposição dos componentes elétricos da sala de controle.
Por que as pesquisas serão transferidas para Belo Horizonte?
Segundo nota do Ipen, a decisão busca evitar prejuízos às pesquisas acadêmicas e científicas que dependem da irradiação de amostras. A gerência do Centro dos Reatores de Pesquisa do instituto propôs alternativas para manter o andamento dos trabalhos, entre elas o acionamento do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear, em Belo Horizonte.
Para esse atendimento temporário, foi disponibilizado o reator IPR-1, pertencente à unidade técnico-científica da CNEN na capital mineira. A transferência, portanto, não significa substituição definitiva das atividades em São Paulo, mas uma solução emergencial enquanto o IEA-R1 segue sem operar.
O que aconteceu com o reator IEA-R1 da USP?
O equipamento já estava desativado desde o segundo semestre de 2025, em razão de ajustes e da necessidade de autorização para voltar a funcionar. Em março deste ano, a situação se agravou com o incêndio na fiação de parte do painel de controle, o que levou à necessidade de novos reparos.
De acordo com o Ipen/CNEN, não houve dano à segurança da instalação, mas os reparos seguem sem prazo definido para conclusão. A instituição também informou que trabalha na reposição dos componentes elétricos afetados e na apuração das causas do incidente.
Como será feita a logística para manter os experimentos?
O Ipen informou que ainda estuda a logística de envio e retorno dos materiais que serão irradiados em Belo Horizonte. A instituição afirmou que o objetivo é assegurar a continuidade das pesquisas com o menor impacto possível sobre estudantes e pesquisadores envolvidos.
“Está sendo estudada criteriosamente para proporcionar que os avanços das pesquisas sigam e que haja o menor impacto possível aos alunos e pesquisadores”.
A nota também indica que a alternativa foi adotada para preservar o andamento dos estudos em curso. Entre os principais pontos informados pelo instituto estão:
- envio temporário de experimentos para Belo Horizonte;
- uso do reator IPR-1 para irradiação de amostras;
- análise da logística de transporte de materiais;
- busca por reduzir impactos sobre alunos e pesquisadores.
Qual é a situação do reator de pesquisas em São Paulo?
O Ipen afirmou ainda que prevê ações contínuas de atualização do reator de pesquisas localizado em São Paulo. O instituto ressaltou que o IEA-R1 é o reator de maior potência em operação no país, condição que mantém sua relevância para o sistema nacional de pesquisa na área nuclear.
Segundo o texto original, essa atualização ganha importância especialmente enquanto o Reator Multipropósito Brasileiro, em Iperó, no interior de São Paulo, não é concluído. A previsão mencionada para essa obra é 2032.
A reportagem também informa que o Ipen não se manifestou sobre a produção de radiofármacos, atividade que também era conduzida pela unidade paulista. Assim, o anúncio divulgado se concentrou nas pesquisas com irradiação de amostras e nas medidas temporárias para garantir a continuidade desses trabalhos.