Milhões de pessoas são esperadas nas ruas dos Estados Unidos neste sábado, 28 de março de 2026, para uma nova rodada de protestos contra o presidente Donald Trump, em mobilizações organizadas pelo movimento No Kings. Os atos devem ocorrer em grandes cidades, áreas suburbanas e regiões rurais, em meio à insatisfação de manifestantes com o que classificam como uma guinada autoritária do governo, o uso de decretos executivos, a atuação do Departamento de Justiça, a política migratória e a condução da guerra no Irã. De acordo com informações do g1 Mundo, esta é a terceira grande mobilização do grupo em menos de um ano.
Para o Brasil, a escalada da polarização política nos EUA é acompanhada com atenção porque envolve o principal centro de influência diplomática e econômica do mundo, com potencial de afetar debates sobre comércio, segurança internacional e imigração. Mudanças no cenário político americano também costumam repercutir no ambiente internacional e nos mercados acompanhados por investidores brasileiros.
Segundo a reportagem, o movimento “No Kings”, traduzido como “Sem reis”, tornou-se a forma mais visível de oposição a Trump desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025. Os organizadores projetam uma adesão superior às manifestações anteriores, impulsionada pelo índice de aprovação do presidente, em torno de 40%, e pela proximidade das eleições de meio de mandato em novembro, quando os republicanos podem perder o controle das duas casas legislativas.
Por que os manifestantes convocaram novos protestos?
Os organizadores e participantes apontam uma combinação de fatores para a nova convocação nacional. Entre as críticas citadas estão a forma como Trump governa por decretos executivos, o que seus opositores veem como uso político do Departamento de Justiça, a negação das mudanças climáticas e a ofensiva contra programas de diversidade racial e de gênero.
Outro elemento destacado na mobilização é a guerra no Irã, lançada por Trump em aliança com Israel, segundo o texto original, com objetivos e prazos de conclusão descritos como mutáveis. Para os críticos do presidente, a escalada militar contrasta com a imagem de homem de paz apresentada por ele durante a campanha.
“Desde a última vez que marchamos, esta administração nos arrastou ainda mais profundamente para a guerra”, afirmou Naveed Shah, da Common Defense, associação de veteranos que integra o movimento “No Kings”.
“Em casa, testemunhamos cidadãos sendo mortos nas ruas por forças militarizadas. Vimos famílias destruídas e comunidades de imigrantes transformadas em alvo de ataques. Tudo em nome de um único homem que tenta governar como um rei”, acrescentou.
Onde os atos devem acontecer em 28 de março de 2026?
De acordo com os organizadores, mais de 3.000 manifestações estão previstas em diferentes partes do país. A mobilização deve alcançar centros urbanos, subúrbios e áreas rurais, incluindo Kotzebue, no Alasca, acima do círculo polar ártico.
A reportagem destaca que o estado de Minnesota deve se tornar um dos pontos centrais dos protestos. O local ganhou relevância meses depois de se tornar epicentro do debate nacional sobre a repressão migratória violenta atribuída ao governo Trump. Minnesota fica na região Centro-Oeste dos EUA e sua capital é St. Paul, cidade vizinha de Minneapolis.
Em St. Paul, capital do estado, o cantor Bruce Springsteen, crítico do presidente, deve se apresentar. Segundo o texto, ele compôs e gravou em 24 horas a canção “Streets of Minneapolis”, em memória de Renee Good e Alex Pretti, descritos como dois cidadãos americanos mortos a tiros por agentes federais durante operações da polícia migratória em Minneapolis.
Qual é o tamanho esperado da mobilização?
As manifestações anteriores do “No Kings” reuniram milhões de pessoas, de acordo com os organizadores. A primeira edição, em junho de 2025, teve atos de Nova York a San Francisco. Já a segunda, em outubro de 2025, reuniu cerca de sete milhões de participantes, ainda segundo os responsáveis pela convocação.
Para este sábado, a expectativa é de presença ainda maior. Os organizadores afirmam que dois terços do público previsto não vivem em grandes cidades, tradicionalmente associadas a redutos democratas. Esse dado é usado pelo movimento para sustentar que a insatisfação se espalhou para além dos grandes centros.
- Mais de 3.000 manifestações estão programadas, segundo os organizadores.
- Os atos devem ocorrer em grandes cidades, subúrbios e áreas rurais.
- Minnesota aparece como um dos focos centrais da mobilização.
- As críticas incluem guerra no Irã, política migratória e uso de decretos executivos.
“Os Estados Unidos estão em um ponto de inflexão”, afirmou Randi Weingarten.
“As pessoas estão com medo e não conseguem arcar com as necessidades básicas. Já é hora de que a administração escute e as ajude a construir uma vida melhor, em vez de alimentar o ódio e o medo”, disse.
O cenário descrito pela reportagem também evidencia a forte polarização política nos Estados Unidos. De um lado, apoiadores de Trump seguem alinhados ao movimento MAGA, sigla para “Make America Great Again”. De outro, opositores mantêm uma rejeição intensa ao presidente e tentam transformar essa insatisfação em pressão política nas ruas, às vésperas de uma disputa legislativa considerada decisiva. Como os EUA seguem sendo um dos principais parceiros do Brasil em comércio, investimentos e diplomacia, oscilações políticas internas no país costumam ser acompanhadas de perto por governos, empresas e analistas brasileiros.
