O Irã afirmou na quarta-feira, 22 de abril, que não reabrirá o Estreito de Ormuz enquanto considerar que há violação do cessar-fogo, ao mesmo tempo em que anunciou a apreensão de dois navios que tentavam atravessar a passagem estratégica. A medida ocorre em meio à trégua no conflito e ao bloqueio naval mantido pelos Estados Unidos, mantendo elevada a tensão em uma rota central para o comércio global de hidrocarbonetos. De acordo com informações da Revista Fórum, com texto da AFP, um dos navios apreendidos tinha bandeira panamenha.
A crise em Ormuz continua no centro da guerra desencadeada em 28 de fevereiro, após ataques israelenses e americanos contra a República Islâmica. Além da disputa militar e diplomática, o impasse também repercute no mercado internacional de energia, com os preços do petróleo subindo mais de 4% nas primeiras operações desta quinta-feira, 23 de abril, nos mercados asiáticos, antes de perderem força minutos depois.
Por que o Irã diz que não pode reabrir o Estreito de Ormuz?
A posição iraniana foi exposta pelo presidente do parlamento do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, que liderou a delegação de Teerã em uma primeira rodada de conversas no Paquistão. Segundo ele, a continuidade do bloqueio naval esvazia o sentido de um cessar-fogo completo.
“Um cessar-fogo completo só tem sentido se não for infringido mediante um bloqueio naval”
— Publicidade —Google AdSense • Slot in-article
“A reabertura do Estreito de Ormuz não é possível em meio a uma violação flagrante do cessar-fogo”
Segundo Teerã, as embarcações precisam obter autorização para entrar ou sair do Golfo por essa via, enquanto os Estados Unidos seguem bloqueando o acesso aos portos iranianos desde 13 de abril. Nesse cenário, a reabertura da passagem continua condicionada, na visão iraniana, à mudança das condições militares e navais na região.
O que se sabe sobre os navios apreendidos?
O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica informou que apreendeu dois “barcos infratores” que tentavam cruzar o estreito e os conduziu até a costa iraniana. O Panamá confirmou que uma das embarcações era o MSC Francesca, de bandeira panamenha e proprietários italianos.
O Ministério das Relações Exteriores do Panamá acusou Teerã de promover um “grave atentado” contra a segurança marítima, classificando o episódio como uma escalada desnecessária das tensões. Também houve relato de uma terceira embarcação alvo de disparos quando estava a oito milhas náuticas a oeste do Irã. De acordo com a UKMTO, esse navio conseguiu deixar o estreito e seguir em direção ao porto saudita de Jidá, segundo dados do site Marinetraffic.
- Dois navios foram apreendidos pelo Irã no Estreito de Ormuz
- Um deles, segundo o Panamá, era o MSC Francesca
- Uma terceira embarcação foi alvo de disparos, mas deixou a área
Como os Estados Unidos responderam ao episódio?
A Casa Branca afirmou que a apreensão dos dois navios não configura violação do cessar-fogo em vigor desde 8 de abril, porque as embarcações não eram americanas nem israelenses. A porta-voz Karoline Leavitt disse à Fox News que se tratava de “duas embarcações internacionais”.
Ao mesmo tempo, o presidente Donald Trump sinalizou que novas conversas entre as partes podem ocorrer nos próximos dias. Em resposta a uma pergunta sobre a possibilidade de negociações nas próximas 36 a 72 horas, ele escreveu:
“É possível!”
Trump havia anunciado na terça-feira uma extensão indefinida da trégua, a poucas horas do vencimento do prazo anterior. Segundo a Casa Branca, não foi fixada uma data limite para que o Irã apresente uma proposta, embora Karoline Leavitt tenha afirmado que, em última instância, o cronograma será definido pelo presidente americano.
Qual é o impacto mais amplo da crise na região?
As conversas entre Washington e Teerã buscam uma saída duradoura para uma guerra que, segundo o texto original, já deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, além de provocar efeitos sobre a economia global. Apesar da mediação paquistanesa, até o momento nenhuma delegação havia partido para Islamabad.
Na outra frente do conflito, quatro pessoas morreram na quarta-feira em ataques israelenses no Líbano, apesar de outro cessar-fogo em vigor, com término previsto para domingo. Segundo uma fonte oficial libanesa ouvida pela AFP, Beirute pretende pedir em Washington a prorrogação da trégua por um mês, além de cobrar respeito estrito ao cessar-fogo e o fim de operações israelenses de destruição em áreas onde suas forças estão presentes.
Antes dessas conversas, Israel afirmou não ter “desacordos graves” com o Líbano e defendeu cooperação contra o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã. Ainda de acordo com o balanço oficial citado no texto, ao menos 2.454 pessoas morreram no Líbano em seis semanas de guerra. O artigo também informa que um ataque aéreo israelense matou uma jornalista libanesa e feriu outra perto da fronteira entre Líbano e Israel.