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Projeto da Belo Sun prevê barragem na Amazônia três vezes maior que a de Brumadinho

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Plenário do Senado
Plenário do Senado Foto: Senado Federal — Senado Federal — Domínio público

A mineradora canadense Belo Sun obteve na Justiça, em fevereiro deste ano, a liberação para avançar com o Projeto Volta Grande, que prevê a instalação da maior mina de ouro a céu aberto do Brasil no município de Senador José Porfírio, no sudoeste do Pará. A iniciativa visa extrair o minério na região da Volta Grande do Xingu, uma área da Amazônia já severamente impactada pelas operações da Usina Hidrelétrica Belo Monte, instalada no Rio Xingu.

De acordo com informações da plataforma Sumaúma, o aval definitivo para o início das obras estruturais, estimadas para durar até dois anos, depende agora apenas de uma autorização da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) do Pará. A expectativa da companhia multinacional é faturar cerca de R$ 80 bilhões ao longo de 18 anos de exploração na área florestal.

Quais são os riscos ambientais do projeto de mineração?

Para viabilizar a extração mineral, a empresa canadense planeja revirar cerca de 620 milhões de toneladas de terra amazônica, um montante com peso superior ao do morro do Pão de Açúcar. A operação utilizará explosivos para romper as rochas de forma contínua. Os documentos de licenciamento apresentados pela companhia indicam a construção de uma barragem principal, duas cavas gigantescas de escavação, pilhas de minérios e uma usina industrial complexa. A estrutura de contenção foi projetada para suportar 35 milhões de metros cúbicos de rejeitos tóxicos.

Esse volume monumental é três vezes superior ao da estrutura da Mina Córrego do Feijão, pertencente à Vale, que colapsou na cidade mineira de Brumadinho em janeiro de 2019, resultando na morte de 272 pessoas. O histórico nacional de tragédias agrava os temores locais: em novembro de 2015, a mineradora Samarco também provocou o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), liberando 45 milhões de metros cúbicos de lama que viajaram por mais de 600 quilômetros. Pesquisas apontam que o material armazenado no Pará será composto por resíduos do beneficiamento mineral, água residual e sobras tratadas de cianeto, substância usada para dissolver o ouro.

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Como as comunidades locais reagem à mina de ouro?

A instalação do polo industrial ameaça uma das áreas com maior índice de biodiversidade da floresta tropical. O habitat de espécies nativas, como tartarugas amazônicas e o peixe pacu-seringa, corre o risco de ser devastado. Paralelamente, o projeto exige o deslocamento forçado de comunidades inteiras. Parte dessa população tradicional sofre o risco de ser expulsa pela segunda vez, visto que ribeirinhos já haviam perdido suas moradias originárias durante a construção da hidrelétrica de Belo Monte na mesma bacia hidrográfica.

Em resposta à decisão judicial que validou o projeto, povos indígenas que habitam o território iniciaram uma série de protestos intensos. Representantes das etnias Xikrin, Juruna, Xipai, Arara, Kuruaya e Parakanã organizaram manifestações diretas contra o avanço das licenças operacionais concedidas à multinacional.

As lideranças locais estabeleceram as seguintes ações de mobilização para frear a construção:

  • Ocupação contínua da sede regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), órgão federal responsável pela proteção dos direitos indígenas, no município de Altamira.
  • Bloqueio temporário das operações no aeroporto da cidade paraense.
  • Exigência de uma reunião emergencial com os representantes da Semas para discutir a suspensão definitiva do aval estadual.

Por que a Volta Grande do Xingu é tão vulnerável?

O ecossistema da região encontra-se em um estado crônico de degradação devido aos impactos cumulativos recentes. O desvio das águas naturais pelas turbinas da usina energética alterou definitivamente o curso fluvial, retendo aproximadamente 80% do fluxo hídrico que abastecia a calha original do rio, área conhecida como Trecho de Vazão Reduzida.

Essa modificação antrópica gerou uma seca permanente nas áreas habitadas por ribeirinhos e indígenas, ceifando a vida de incontáveis peixes e submergindo a vegetação nativa. A adição de um megaprojeto de mineração com explosivos a esse cenário já instável cria uma pressão ambiental sem precedentes sobre a biodiversidade remanescente da bacia do Xingu.

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