A Polícia Federal informou que a análise das imagens da operação Contenção, realizada no ano passado no Rio de Janeiro, pode levar cerca de três anos. O material reúne 9.000 vídeos, com aproximadamente 4.500 horas de gravação geradas por 504 câmeras corporais de agentes que participaram da ação, apontada como a mais letal da história no estado. De acordo com informações do Poder360, o pedido foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes na quarta-feira, 15 de abril de 2026, no âmbito da apuração sobre a operação.
A ação deixou 122 mortos, segundo o texto original, entre eles quatro policiais. As autoridades afirmam que os mortos teriam ligação com o Comando Vermelho. As imagens foram enviadas à PF por determinação de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, relator do caso.
Por que a Polícia Federal afirma que a perícia pode demorar três anos?
Ao pedir providências ao STF, a PF informou que a quantidade de material é um dos principais obstáculos para a conclusão da perícia. Segundo o relato, a corporação solicitou que os arquivos sejam enviados em mídia física e no formato original, para permitir a verificação da integridade do conteúdo antes da análise técnica.
A PF também pediu que trechos de interesse sejam indicados de forma objetiva para acelerar o trabalho pericial. Sem essa triagem prévia, o prazo estimado para examinar todo o conteúdo chega a cerca de três anos, considerando a disponibilidade de dez peritos criminais federais.
“A integralidade do conteúdo indicado a exame, estimado em cerca de 4.500 horas de gravação, deve ser objeto de análise, calcula-se, em sede de análise preliminar e levando-se em conta a disponibilidade de 10 peritos criminais federais, um prazo de atendimento da ordem de 3 anos”
O que foi solicitado pela PF sobre os vídeos da operação?
Depois de receber as imagens, a Polícia Federal pediu ao ministro que a polícia do Rio encaminhe os arquivos em mídia física e em formato original. A medida, segundo a corporação, é necessária para a checagem da integridade dos vídeos antes do início da perícia.
Além disso, a PF indicou a necessidade de uma seleção prévia dos trechos considerados relevantes para a investigação. A corporação sustenta que esse procedimento pode reduzir o tempo de análise de um acervo descrito como extenso.
- 9.000 vídeos registrados
- 504 câmeras corporais envolvidas
- 4.500 horas de gravação
- 10 peritos criminais federais considerados na estimativa
- Prazo de cerca de três anos sem triagem prévia
Em que contexto o caso está sendo analisado pelo STF?
A determinação de Moraes foi tomada no processo conhecido como ADPF das Favelas, a ADPF 635. Nesse processo, o Supremo já fixou medidas voltadas à redução da letalidade em operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro.
No mês passado, o ministro determinou que o governo do estado do Rio de Janeiro enviasse à Polícia Federal as imagens captadas durante a operação. Caberá à PF realizar a perícia do material reunido na ação.
O caso mantém sob análise judicial uma operação de grande impacto, tanto pelo número de mortos quanto pelo volume de provas audiovisuais produzidas. A discussão agora se concentra nas condições técnicas para o exame desse acervo e no tempo necessário para que a perícia seja concluída.