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Fusões e aquisições avançam entre médias empresas com foco em tecnologia

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As operações de fusões e aquisições entre empresas de médio porte avançam no Brasil, em um movimento puxado sobretudo por negócios ligados à tecnologia, segundo relato de executivos, consultorias e estudos citados em reportagem publicada nesta quarta-feira, 23 de abril de 2026. O cenário envolve companhias que buscam escala, expansão geográfica, acesso a clientes e ganho de eficiência, em um ambiente em que o M&A deixou de ser apenas uma alternativa de saída para fundadores e passou a ser visto como instrumento de reposicionamento estratégico.

De acordo com informações do Valor Empresas, a 3C Plus, sediada em Guarapuava, no Paraná, é um exemplo desse movimento. No fim de 2021, a empresa, especializada em tecnologia para infraestrutura de comunicações no ambiente corporativo, pretendia entrar no radar de multinacionais de software que faziam aquisições no Brasil. Após contratar consultoria, a companhia foi orientada a não vender de imediato, mas a acelerar o crescimento por 12 meses para ampliar seu valor em uma eventual negociação.

Segundo o texto original, o faturamento anual da 3C Plus passou de R$ 4,5 milhões, em 2021, para R$ 15 milhões no ano seguinte. A expansão continuou em 2023, quando a empresa alcançou R$ 35 milhões em receita. A partir daí, redesenhou seu planejamento estratégico e concluiu que poderia buscar oportunidades de consolidação no mercado de call center.

Como a 3C Plus mudou de alvo de venda para compradora?

O CEO da empresa, Ney Eurico, afirmou que a recomendação da consultoria Auddas foi priorizar o crescimento orgânico e complementar a oferta com aquisições. Segundo ele, em três meses a empresa conversou com 149 companhias e selecionou oito potenciais alvos. Em junho de 2024, a 3C Plus concluiu a compra da Evolux, do Rio Grande do Norte.

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“O mercado de call center no Brasil não é ‘sexy’ para o segmento de fusões e aquisições. A recomendação da consultoria, a Auddas, foi acelerar o nosso crescimento orgânico, com a compra de negócios para completar nossa oferta aos clientes. Em três meses, conversamos com 149 empresas e selecionamos oito. Em junho de 2024, fizemos a primeira aquisição, compramos a Evolux, do Rio Grande do Norte”

Com faturamento próximo de R$ 80 milhões em 2025, a empresa mantém os planos de aquisição. Ainda de acordo com Eurico, a 3C Plus tem 18 empresas em seu pipeline, com as quais mantém relacionamento frequente para avaliar o momento da próxima compra. A carteira de clientes da Evolux, incluindo contratos com multinacionais de grande porte, foi apontada como um dos fatores decisivos para a operação.

  • Escala operacional
  • Expansão geográfica
  • Acesso a tecnologia
  • Diluição de custos fixos
  • Entrada em novas carteiras de clientes

Por que a tecnologia ganhou peso nas negociações?

O texto informa que empresas que desenvolvem software, aplicativos e sistemas de infraestrutura têm impulsionado o mercado de M&A no país, principalmente em transações inferiores a R$ 500 milhões. Estudo da KPMG, feito exclusivamente para o Valor, aponta que 80% das transações envolvendo empresas de tecnologia estão concentradas em negociações abaixo de R$ 120 milhões.

Paulo Guilherme Coimbra, sócio-líder de fusões e aquisições da KPMG no Brasil, afirmou que o setor de tecnologia está entre os mais aquecidos por sua ligação direta com inovação, elemento valorizado por investidores.

“Cada vez mais o investidor está olhando a tecnologia nas médias empresas como um diferencial importante do M&A”

Segundo a reportagem, o estudo da KPMG também mostra predominância de operações em médias empresas nos setores financeiro, imobiliário, com destaque para galpões, e saúde. Aproximadamente 90% das fusões e aquisições nesses segmentos estão relacionadas a negócios com valor abaixo de R$ 500 milhões.

O que os dados mostram sobre o mercado brasileiro de M&A?

Na avaliação de Rafael Assunção, fundador e managing partner da Questum, setores como varejo, indústria, financeiro e agronegócio, mesmo sem histórico forte em tecnologia, passaram a buscar esses ativos por meio de fusões e aquisições. Ele afirmou que, apesar do dólar, dos juros elevados e dos conflitos geopolíticos, as operações de M&A em tecnologia cresceram 42% em 2025 na comparação com o ano anterior.

Levantamento da Auddas, com base em dados da TTR Data e antecipado ao Valor, indica que pequenas e médias empresas dominaram as transações de M&A em 2025. Do total de 861 operações, com volume de R$ 72 bilhões, 814 transações, ou 94,6%, ocorreram nesse segmento. Nesse universo, houve 248 operações com valor entre R$ 50 milhões e R$ 500 milhões, somando R$ 28 bilhões. Já os negócios abaixo de R$ 50 milhões ficaram em torno de R$ 11 bilhões.

Para Fábio Arruda, sócio da Auddas, esse ambiente reforça a mudança de papel do M&A para a média empresa. Em vez de representar apenas uma oportunidade de liquidez para o dono do negócio, a operação passou a servir como ferramenta de transformação mais rápida da companhia. Ele também afirmou que, quando há venda de controle com permanência do fundador, a decisão costuma estar ligada à necessidade de ganhar competitividade dentro de uma estrutura maior.

“O dono vai para dentro de uma estrutura maior, com mais capital, maior profissionalização, mais acesso a clientes, como uma forma de reposicionar a companhia adquirida de maneira estratégica. Isso fica muito forte no ciclo de 2026 e 2027, além de toda a mudança relacionada ao avanço da IA”

Quais fatores ainda podem dificultar novas operações?

A reportagem também registra sinais de retomada do capital estrangeiro. Segundo a Auddas, as negociações com investimento externo em empresas brasileiras cresceram 14% entre 2024 e 2025. No ano passado, foram 414 transações desse tipo, que somaram R$ 112 bilhões.

O texto cita ainda a aquisição da Bold Snacks, fabricante mineira de barrinhas de proteína, pelo grupo italiano Ferrero, anunciada em março e ainda em fase de conclusão. O caso é apresentado como exemplo de como marcas de médio porte podem atrair investidores interessados em diversificar portfólio e acessar novos mercados.

Apesar desse quadro, há ressalvas para 2026. Rodrigo Arthur Carvalho, sócio de M&A do escritório Mattos Filho, avaliou que juros ainda elevados, eleições presidenciais e um cenário geopolítico instável tendem a manter o ambiente desafiador. Segundo ele, as transações ficaram mais complexas e sofisticadas em 2025, com aumento de operações iniciadas, mas não concluídas, movimento que pode se repetir em 2026. Para especialistas ouvidos pelo Valor, o impacto deve ser percebido principalmente nos processos de valuation, usados para determinar o valor justo de empresas, ativos ou projetos.

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