O Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, localizado em Belém, sediou na última quinta-feira, 16, o “Fórum de Atores da Inovação: Papéis, Interfaces e Oportunidades”. O encontro reuniu pesquisadores, empresários e gestores públicos para debater estratégias de fomento à ciência e tecnologia na região amazônica. Durante a programação, foi lançado o Núcleo de Inovação em Rede da Amazônia (iNREDE), iniciativa voltada para facilitar a transferência de tecnologia entre instituições científicas e o setor produtivo.
De acordo com informações da Agência Pará, as atividades ocorreram no Guamá Hub, novo espaço de negócios do complexo. O evento buscou reduzir barreiras jurídicas e operacionais, consolidando a Amazônia como um polo atrativo para empreendimentos inovadores. Para o pesquisador Júlio Pieczarka, a conexão entre o ambiente acadêmico e o setor empresarial é fundamental para transformar conhecimento em soluções práticas.
Qual o objetivo do Fórum de Atores da Inovação no Pará?
O principal intuito da iniciativa foi promover o diálogo entre Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs), o governo e a iniciativa privada. Os debates focaram na criação de um ecossistema de colaboração que permita a evolução de projetos científicos para o mercado. Gesil Sampaio Amarante, diretor-presidente do Parque de Ciência e Tecnologia do Sul da Bahia, participou como convidado especial, trazendo sua experiência na construção do Marco Legal da Inovação.
Amarante destacou que a organização das competências locais é essencial para aumentar a eficiência dos processos de inovação. Segundo o especialista, o estado possui diversas iniciativas, mas a integração desses esforços é o que garantirá resultados de maior impacto para a economia paraense. Mônica Silva, atuante em projetos de impacto em uma universidade em Belém, reforçou que o fórum permitiu uma visão mais clara sobre como melhorar processos e parcerias entre as universidades e outros atores locais.
Como o Marco Legal da Inovação impacta o desenvolvimento regional?
O Marco Legal da Inovação estabelece normas para o estímulo à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico no Brasil. Durante o evento no Pará, discutiu-se como essa legislação ajuda a diminuir a burocracia para parcerias público-privadas. Deisiane de Alencar, consultora de inovação do Ministério da Agricultura, ressaltou que esses encontros são decisivos para que cada entidade compreenda seu papel no desenvolvimento da região.
No setor de tecnologia e empreendedorismo, Walter Junior, CEO da startup Inteceleri, afirmou que a aproximação entre os inovadores fortalece o ecossistema local. Para o executivo, o mapeamento das construções tecnológicas na Amazônia é um passo necessário para que a inovação gerada no estado chegue à sociedade. Entre os principais pontos discutidos no fórum, destacam-se:
- Redução de barreiras jurídicas para colaborações científicas;
- Fomento à transferência de tecnologia da academia para o mercado;
- Integração entre competências regionais e nacionais;
- Consolidação de ambientes de inovação na região amazônica;
- Promoção de novos modelos de gestão para ativos de propriedade intelectual.
O que é o iNREDE e qual sua função no ecossistema amazônico?
Um dos destaques do evento foi o lançamento do iNREDE, uma parceria entre o Instituto Sustentabilidade da Amazônia com Ciência e Inovação (iSACI) e a Fundação Guamá. Trata-se de um hub que gerencia contratos e parcerias com a agilidade do setor privado, visando otimizar a gestão de ativos de propriedade intelectual. Rosinei Oliveira, pesquisador do iSACI, explicou que a colaboração orquestrada é a saída para enfrentar os desafios de transferência tecnológica na região.
Para Renato Francês, diretor técnico da Fundação Guamá, a união de esforços é crucial devido à limitação de recursos financeiros e humanos. Ele enfatizou que o iNREDE serve para aglutinar instituições em torno de objetivos comuns, evitando a replicação desnecessária de projetos e acelerando o processo de inovação. De acordo com o diretor, a estrutura foi desenhada para converter o potencial intelectual amazônico em soluções efetivas para o mercado global.
“As pessoas precisam de mais momentos como esse para se encontrar, trabalhar juntas e dividir esforços. Vocês estão muito bem, e vão fazer muita diferença no Pará”
O encerramento do fórum reafirmou o compromisso das instituições locais em transformar o Parque de Ciência e Tecnologia Guamá em um centro de referência internacional, unindo o conhecimento científico da região com as demandas produtivas contemporâneas.