A Agência Internacional de Energia (IEA) passou a projetar queda na oferta e na demanda global de petróleo em 2026, em uma reversão das estimativas anteriores de crescimento. Segundo o relatório, a mudança ocorre em meio ao que a entidade classifica como o maior choque de oferta da história recente, provocado pela guerra no Oriente Médio e por seus efeitos sobre exportações, preços e o equilíbrio do mercado. De acordo com informações da Megawhat, o documento foi divulgado após alertas de organismos internacionais contra medidas que possam agravar a crise energética.
O relatório foi publicado depois de o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a própria IEA pedirem aos países que evitem acumular reservas de energia e se abstenham de impor controles às exportações. Na avaliação dessas instituições, esse tipo de reação pode intensificar o choque no mercado energético global e ampliar os efeitos sobre preços e abastecimento.
O que a IEA prevê para a oferta global de petróleo em 2026?
A nova estimativa aponta para redução da oferta global de petróleo em cerca de 1,5 milhão de barris por dia no segundo trimestre de 2026. O volume corresponde a aproximadamente 1,5% da demanda mundial e representa, segundo o texto, o recuo mais acentuado desde a pandemia de covid-19.
A projeção contrasta com as estimativas anteriores da própria agência. No mês passado, a expectativa era de crescimento de 1,1 milhão de barris por dia. No início do ano, a previsão era ainda maior, de 2,5 milhões de barris por dia, o que mostra a dimensão da revisão feita agora.
Segundo a IEA, a oferta global de petróleo caiu 10,1 milhões de barris por dia em março, totalizando 97 milhões de barris por dia. A produção da OPEP+ recuou cerca de 9,4 milhões de barris por dia em relação ao mês anterior, para 42,4 milhões. Já a oferta dos países fora da OPEP+ caiu para 54,7 milhões de barris por dia, uma redução de 770 mil barris por dia, influenciada principalmente pela menor produção do Catar.
Como a demanda e os estoques foram afetados pelo conflito?
Na segunda-feira, 13 de abril, a OPEP revisou para baixo sua projeção de demanda global de petróleo para o segundo trimestre, com corte de 500 mil barris por dia, refletindo os impactos do conflito no Oriente Médio. Para o restante do ano, no entanto, a estimativa foi mantida.
Ainda assim, a expectativa anual passou a indicar queda na demanda global de 80 mil barris por dia, revertendo a projeção anterior de crescimento de 640 mil barris por dia. O movimento reforça a percepção de deterioração do cenário para oferta e consumo.
Os estoques globais de petróleo também tiveram forte redução em março, com queda de 85 milhões de barris. Fora do Golfo Pérsico, o recuo foi de 205 milhões de barris, ou 6,6 milhões de barris por dia, em meio ao bloqueio dos fluxos pelo Estreito de Ormuz.
“A retomada do fluxo pelo Estreito de Ormuz continua sendo a variável mais importante para aliviar a pressão sobre o fornecimento de energia, os preços e a economia global. (…) Tanto consumidores quanto refinarias estão recorrendo aos estoques para mitigar o impacto imediato das interrupções no fornecimento”
O relatório cita a China como exemplo desse movimento, ao apontar que o país adicionou cerca de 40 milhões de barris de petróleo bruto às suas reservas.
Qual é o impacto sobre preços e mercado internacional?
Com a escalada do conflito no Oriente Médio, os preços do petróleo dispararam, com cargas negociadas perto de US$ 150 por barril. De acordo com a agência, o avanço das cotações tem pressionado consumidores e levado governos a adotar medidas de economia de combustível.
Nos produtos refinados, a alta foi ainda mais intensa. Em Singapura, segundo a IEA, os preços atingiram máximas históricas e superaram US$ 290 por barril.
- Queda projetada de 1,5 milhão de barris por dia na oferta no segundo trimestre de 2026
- Revisão da demanda global para queda anual de 80 mil barris por dia
- Redução de 85 milhões de barris nos estoques globais em março
- Bloqueio no Estreito de Ormuz como fator central da crise
O anúncio de um cessar-fogo de duas semanas no conflito no Oriente Médio, na semana passada, trouxe alívio temporário aos mercados globais de petróleo. Ainda assim, a IEA considera que persiste a incerteza sobre a consolidação de uma paz e sobre a normalização do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz.
O quadro também é afetado pelo anúncio dos Estados Unidos de restrições a navios que entram ou saem de portos e áreas costeiras do Irã. Para a agência, esse fator pode prolongar as tensões no mercado e manter a instabilidade no fornecimento global de energia.