
A Petrobras confirmou o encerramento antecipado do mandato de Claudio Schlosser, que ocupava o cargo de diretor executivo de logística e comercialização da estatal, nesta segunda-feira (6 de abril de 2026). A saída do executivo ocorre após um período de tensões internas motivadas por um impasse em um leilão de gás de cozinha, o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), realizado pela companhia no dia 31 de março de 2026. O desligamento está vinculado a divergências estratégicas e críticas diretas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a condução da política de preços e oferta de combustíveis, itens sensíveis para a economia nacional.
De acordo com informações do Valor Empresas, o movimento reflete uma reestruturação na alta cúpula da petroleira diante de pressões governamentais por uma gestão mais alinhada às pautas sociais. Claudio Schlosser estava à frente da diretoria desde 2023, sendo responsável por áreas cruciais que envolvem desde o transporte de derivados até a estratégia de venda para o mercado interno e externo.
Qual o motivo do encerramento antecipado do mandato de Schlosser?
O ponto central do desgaste foi o leilão de GLP ocorrido no final de março. O modelo adotado e os resultados financeiros da operação não teriam atendido às expectativas do Palácio do Planalto, que defende uma redução mais agressiva no custo do gás de cozinha para o consumidor final. A comercialização desses insumos é considerada um pilar de estabilidade para a inflação e para o poder de compra das famílias brasileiras, tornando a pasta de Logística e Comercialização um dos postos mais visados do governo federal.
A saída do diretor sinaliza uma tentativa da Petrobras de pacificar a relação com o Poder Executivo, buscando nomes que possam executar as diretrizes da atual gestão sem gerar atritos públicos com a presidência da República. A diretoria em questão é fundamental para o funcionamento da estatal, pois gerencia toda a infraestrutura de dutos, terminais e a frota de navios da Transpetro, além de definir as margens de lucro sobre os produtos refinados.
Quais foram os principais desafios enfrentados pela diretoria de logística?
Desde que assumiu em 2023, o ex-diretor lidou com a complexa transição na política de paridade de importação (PPI), modelo que atrelava os preços internos às variações do dólar e do mercado internacional. Sob sua gestão, a empresa buscou equilibrar a competitividade no mercado doméstico com a necessidade de investimentos em infraestrutura. No entanto, a gestão de estoques e a logística de distribuição para regiões remotas do país continuam sendo gargalos que exigem decisões rápidas e alinhamento político constante.
Os principais pontos que marcaram este período de transição incluem:
- A revisão dos processos de precificação de derivados de petróleo;
- O gerenciamento da malha logística para assegurar o abastecimento nacional;
- A condução de leilões estratégicos de gás liquefeito de petróleo (GLP);
- O diálogo com distribuidoras e agentes do setor de energia.
Quem assume novas funções na governança da estatal?
Paralelamente à mudança na diretoria executiva, a Petrobras anunciou Marcelo Weick como o novo presidente do Conselho de Administração da companhia. A chegada de Weick faz parte de um redesenho institucional que visa fortalecer a governança e garantir que as decisões do colegiado reflitam o planejamento estratégico de longo prazo do governo para o setor energético brasileiro.
A transição de cargos na petroleira segue os ritos previstos no estatuto social da empresa e na Lei das Estatais (Lei nº 13.303/2016). O processo de substituição de diretores exige a análise de conformidade e integridade pelo Comitê de Pessoas, assegurando que os novos indicados preencham os requisitos técnicos necessários para a função. Até que um sucessor definitivo para Schlosser seja nomeado, as atividades da diretoria de logística e comercialização devem ser coordenadas de forma interina para evitar descontinuidades nas operações diárias da companhia.
A expectativa do mercado financeiro e de analistas do setor é que a nova liderança consiga mitigar a volatilidade nos preços de energia, mantendo a saúde financeira da Petrobras enquanto atende aos apelos por estabilidade econômica. A saída de Schlosser encerra um ciclo iniciado há pouco mais de dois anos e abre espaço para uma fase de maior intervenção técnica e política na distribuição de combustíveis no Brasil.