A Secretaria de Estado da Saúde (SES) da Paraíba, por meio de sua Coordenação Estadual da Saúde Integral do Homem, promoveu uma importante iniciativa técnica voltada ao aprimoramento do atendimento masculino na rede pública. Na última sexta-feira, dia dez de abril de 2026, foi realizada a qualificação denominada “Participação Social na Atenção à Saúde do Homem”. O evento ocorreu no auditório da Fundação Centro Integrado de Apoio à Pessoa com Deficiência (Funad), localizado em João Pessoa, e buscou integrar diferentes esferas governamentais e civis.
De acordo com informações do Governo da Paraíba, a ação foi desenvolvida em uma parceria estratégica entre a gestão estadual, o Ministério da Saúde e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O foco central do encontro foi o fortalecimento da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (Pnaish). A intenção é que as diretrizes dessa política sejam consolidadas dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de uma atuação mais vigorosa das instâncias de controle social e da sociedade civil organizada.
Como a participação social impacta a saúde masculina na Paraíba?
A iniciativa foi estruturada para abrir canais de diálogo onde diferentes segmentos sociais possam propor estratégias de cuidado específicas para as realidades locais. Ao incentivar a participação ativa, o governo estadual espera que o planejamento das ações de saúde não seja apenas uma decisão administrativa, mas um reflexo das necessidades reais dos homens em seus territórios. O fortalecimento do controle social permite que as políticas públicas sejam monitoradas e ajustadas conforme os desafios encontrados no cotidiano das comunidades paraibanas.
Durante o encontro, destacou-se que a presença de ativistas e representantes de diversas causas é fundamental para a construção de um sistema de saúde mais inclusivo. A pluralidade de vozes garante que as particularidades de cada grupo sejam levadas em conta, especialmente em temas sensíveis como a prevenção de doenças negligenciadas e o incentivo ao autocuidado, que historicamente enfrenta barreiras culturais entre a população masculina.
Quais grupos participaram da qualificação em João Pessoa?
O evento reuniu um espectro amplo de representatividade, abrangendo movimentos sociais que atuam em frentes distintas no estado. A lista de participantes incluiu:
- Representantes da população LGBTQIA+ e pessoas com deficiência;
- Lideranças de comunidades quilombolas e do movimento indígena;
- Membros dos conselhos de saúde estadual e municipais;
- Integrantes do conselho da pessoa idosa e trabalhadores do campo;
- Representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST);
- Estudantes e profissionais das áreas multiprofissional e médica;
- Ativistas de movimentos de luta por moradia e centros de saúde do trabalhador.
Essa diversidade de atores reforça o compromisso da Secretaria de Estado da Saúde em tratar a saúde do homem de forma integral, observando não apenas os aspectos biológicos, mas também os determinantes sociais que influenciam o bem-estar dos cidadãos em diferentes contextos de vulnerabilidade e resistência.
Qual é o papel da masculinidade no debate sobre políticas de saúde?
A discussão também abordou a necessidade de desconstruir estereótipos que afastam os homens dos serviços de saúde primária. Segundo Adriana Nascimento, referência técnica da Coordenação Estadual da Saúde Integral do Homem da SES, o fortalecimento dos movimentos sociais nos territórios é o motor para mudanças culturais profundas. Ela enfatizou que o homem precisa começar a se enxergar como um sujeito que demanda cuidados constantes, abandonando a postura de resistência à procura por auxílio médico preventivo.
A gente precisa que esses movimentos estejam fortalecidos dentro dos territórios para que o homem passe a se enxergar como alguém que também precisa se cuidar, rever suas condições de saúde e sua posição dentro da sociedade.
A técnica ressaltou ainda que o debate sobre gênero e masculinidade é indissociável do enfrentamento à violência, um problema de saúde pública que impacta diretamente a longevidade e a qualidade de vida masculina. Ao pautar o desafio da violência dentro das discussões da Pnaish, a Secretaria de Estado da Saúde busca não apenas tratar as consequências, mas atuar na raiz dos comportamentos que geram riscos à saúde física e mental dos homens na Paraíba.