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Oferta global de GNL encolhe com guerra e bloqueio do Estreito de Ormuz

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A oferta global de GNL foi reduzida em cerca de 20% após a interrupção do transporte pelo Estreito de Ormuz desde o início de março, em meio ao conflito no Oriente Médio, segundo relatório trimestral da Agência Internacional de Energia. O impacto atingiu o mercado global de gás natural, elevou preços na Ásia e na Europa e provocou retração da demanda em regiões importadoras. De acordo com informações do Petronotícias, com base no relatório da AIE, o choque de oferta também adiou a esperada entrada de nova oferta no mercado.

Antes da crise, o mercado vinha dando sinais de reequilíbrio durante o inverno de 2025/26. O crescimento da oferta de GNL, apoiado por nova capacidade de liquefação, especialmente na América do Norte, havia ajudado a reduzir os preços. Entre outubro e fevereiro, o comércio global de GNL cresceu 12% na comparação anual, enquanto os preços de referência na Europa e na Ásia recuaram cerca de 25% no mesmo intervalo de cinco meses.

Como o fechamento de Ormuz afetou o mercado de gás natural?

A mudança de cenário ocorreu de forma abrupta em março, quando o conflito no Oriente Médio levou ao fechamento de fato do Estreito de Ormuz para cargas de GNL. Com isso, a produção global de GNL caiu 8% na comparação anual. O relatório aponta forte redução nas exportações do Catar e dos Emirados Árabes Unidos, parcialmente compensada pelo aumento da produção em outras regiões.

À medida que as interrupções avançaram pelas cadeias globais de suprimento, as entregas de GNL também recuaram, com queda mais intensa observada em abril. Em um período de elevada volatilidade em março, os preços do gás natural na Ásia e na Europa atingiram os níveis mais altos desde janeiro de 2023.

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Quais fatores agravaram a pressão sobre oferta e demanda?

Além da crise geopolítica, eventos de frio intenso contribuíram para ampliar a pressão sobre o sistema energético. Grandes tempestades de inverno na América do Norte, na Europa e no Leste Asiático provocaram picos de demanda por gás, reforçando a importância da flexibilidade no fornecimento para a segurança energética, inclusive em sistemas com participação crescente de fontes renováveis dependentes das condições climáticas.

Do lado da demanda, o consumo enfraqueceu em mercados importadores importantes como resposta aos preços mais altos, ao clima mais ameno e a medidas de política voltadas à redução do uso de gás. Na Europa, a demanda caiu cerca de 4% na comparação anual em março, impulsionada principalmente por maior geração de energia renovável. Em países asiáticos, o relatório registra adoção de substituição de combustíveis e medidas do lado da demanda para limitar o consumo em meio à crise de oferta.

Quais são as projeções de médio prazo para o GNL?

Segundo a AIE, os efeitos da crise não devem se limitar ao curto prazo. Danos à infraestrutura de liquefação no Catar tendem a reduzir o crescimento projetado da oferta e a adiar em pelo menos dois anos o impacto da expansão global de GNL que era esperada. O efeito combinado das perdas imediatas e do crescimento mais lento da capacidade pode resultar em perda acumulada de cerca de 120 bilhões de metros cúbicos de GNL entre 2026 e 2030.

Embora novos projetos de liquefação em outras regiões devam compensar parte dessas perdas com o tempo, a avaliação é que o aperto no mercado pode se prolongar por 2026 e 2027. O relatório destaca ainda a necessidade de reforçar a segurança global do fornecimento de gás por meio de investimentos ao longo de toda a cadeia de valor do GNL e de maior cooperação internacional entre produtores e consumidores.

  • Interrupção do transporte pelo Estreito de Ormuz desde o início de março
  • Retirada de cerca de 20% da oferta global de GNL do mercado
  • Queda de 8% na produção global de GNL na comparação anual
  • Alta de preços na Ásia e na Europa aos maiores níveis desde janeiro de 2023
  • Perda acumulada estimada em 120 bilhões de metros cúbicos entre 2026 e 2030

A AIE também aponta como forma de mitigar a volatilidade de preços a manutenção de um portfólio diversificado de contratos de longo prazo por parte de importadores. A leitura do órgão é que a combinação entre segurança de abastecimento, diversificação e coordenação internacional será decisiva para enfrentar períodos de disrupção no mercado global de gás natural.

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