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MVNOs buscam espaço no mercado de IoT e cobram regras para competir

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As MVNOs, operadoras móveis virtuais que atuam no mercado de Internet das Coisas, discutiram nesta segunda-feira, 13, em São Paulo, estratégias para seguir competitivas em um segmento considerado promissor, mas cada vez mais disputado com o avanço das grandes operadoras. O debate ocorreu durante o Fórum de Operadoras Inovadoras 2026 e reuniu executivos do setor, que apontaram pressão por preços, perda de margem e incertezas regulatórias como obstáculos para a expansão dessas empresas no Brasil.

De acordo com informações do Teletime, representantes de empresas como Arqia, Links Field, Deutsche Telekom Global Business e Emnify defenderam que o diferencial das MVNOs está no atendimento, na agilidade e na oferta de planos voltados a nichos específicos, mesmo diante da maior capacidade competitiva das operadoras de grande porte.

Por que as MVNOs dizem enfrentar um cenário mais difícil no mercado de IoT?

No evento, o CEO da Arqia, Tomas Fuchs, afirmou que a principal preocupação é a sobrevivência das MVNOs em operação, especialmente no segmento de IoT. Segundo ele, as grandes operadoras tendem a conquistar os maiores contratos por conseguirem competir com mais força em preço, enquanto as virtuais buscam se diferenciar pela qualidade do atendimento e pela flexibilidade comercial.

“As grandes operadoras sempre vão ganhar as grandes contas por preço, mas a gente sempre vai ganhar em atendimento, agilidade, planos diferenciados. A estratégia da MVNO é o atendimento”, avaliou Fuchs.

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O executivo acrescentou que, para permanecer no mercado, muitas vezes o caminho alternativo passa pela redução de margem. A avaliação reflete um ambiente mais competitivo, em que as MVNOs tentam preservar espaço em uma área de negócios vista como uma das frentes de crescimento da conectividade móvel.

Qual é o impacto do PGMC sobre essas empresas?

Parte das críticas apresentadas no fórum se concentra na decisão da Anatel relacionada ao Plano Geral de Metas de Competição, o PGMC. Segundo os executivos, o regulamento aprovado no ano passado não incluiu incentivos para o segmento de MVNOs, o que frustrou expectativas do mercado e aumentou a percepção de dificuldade para competir em condições mais equilibradas.

Carlos Campos, vice-presidente de vendas Latam e general manager Brasil da Emnify, afirmou que ainda há um pedido de reavaliação pendente de análise pelo Conselho Diretor da agência. Para ele, mecanismos de incentivo poderiam estimular o avanço da IoT no país, um mercado que, na avaliação do setor, ainda apresenta espaço relevante para expansão.

“A minha visão particular é que isso [do PGMC] é do jogo e temos que nos adaptar a essas questões. Para o mercado de IoT, deveria haver uma regulamentação específica”, defendeu Campos.

Tomas Fuchs, da Arqia, demonstrou menos otimismo quanto a uma eventual mudança na decisão da Anatel. Na avaliação dele, a ausência de medidas voltadas às MVNOs compromete a capacidade de crescimento de novos players e dificulta a ampliação da competição no mercado de operadoras móveis virtuais.

Quais argumentos o setor apresenta para sustentar o crescimento da IoT?

Mesmo com as ressalvas regulatórias, executivos presentes no encontro afirmaram que a Internet das Coisas segue como uma oportunidade relevante. Thiago Rodrigues, CEO da Links Field, observou que o mercado de linhas móveis para celulares deixou de crescer, mas que o segmento de dispositivos conectados ainda mantém perspectiva de expansão em ritmo de dois dígitos nos próximos anos.

Já Pablo Guaita, diretor-geral da Deutsche Telekom Global Business, destacou a extensão da desoneração para dispositivos de IoT, aprovada em dezembro do ano passado. Segundo ele, a manutenção desse alívio tributário é importante para preservar o potencial de crescimento do setor e ampliar a competitividade das empresas que atuam nesse mercado.

“Definitivamente, quanto mais facilitar para as MVNOs, mais ganhamos em competitividade e conseguimos fazer esse segmento crescer”, disse Guaita.

Os principais pontos destacados pelos executivos no fórum incluem:

  • pressão competitiva das grandes operadoras sobre preços;
  • uso do atendimento e da agilidade como diferencial das MVNOs;
  • frustração do setor com a ausência de incentivos no PGMC;
  • expectativa de crescimento contínuo do mercado de IoT;
  • importância da desoneração para dispositivos conectados.

No conjunto, as falas apontam um setor que vê espaço para crescer, mas cobra condições regulatórias e econômicas que permitam sustentar a atuação das operadoras móveis virtuais em um mercado cada vez mais disputado.

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