Mulheres sustentam pesca de luxo no Pantanal coletando iscas - Brasileira.News

    Mulheres sustentam pesca de luxo no Pantanal coletando iscas

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    Quem são as mulheres que sustentam a pesca de luxo no Pantanal

    No coração do Pantanal, mulheres ribeirinhas enfrentam jornadas de até 12 horas diárias em águas turvas, repletas de jacarés e cobras, para coletar iscas vivas. Essa atividade sustenta uma indústria de turismo milionária, mas as isqueiras recebem apenas centavos por isca e sofrem com atrasos no seguro-defeso, pago durante a suspensão da pesca para reprodução dos peixes.

    De acordo com informações do Mongabay Brasil, a pesca esportiva no Pantanal gera cerca de US$ 20 milhões por ano. Dados do governo indicam que 40% dos pescadores profissionais nos estados pantaneiros são mulheres, predominando na coleta de iscas.

    Às 3 horas da madrugada na Ilha do Baguari, Roseli Oliveira inicia sua jornada com uma oração, buscando proteção antes de mergulhar nas águas escuras do Pantanal de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Com 48 anos, Roseli acumula 36 anos de profissão, enfrentando os perigos do rio para garantir seu sustento.

    Elizete Garcia da Costa Soares, conhecida como Zezé, vive em Porto da Manga e trabalha como isqueira há 34 anos. Ela relata que a falta de equipamentos de proteção e a água suja causam muitas doenças ginecológicas.

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    Por que a coleta de iscas é essencial para a pesca no Pantanal?

    A coleta de iscas vivas é fundamental para abastecer tanto pescadores amadores quanto, principalmente, a pesca esportiva, impulsionando uma cadeia econômica em crescimento. As iscas são utilizadas para atrair os peixes, garantindo o sucesso da atividade pesqueira e, consequentemente, o turismo na região.

    Qual a importância das mulheres nessa atividade?

    As mulheres desempenham um papel crucial na coleta de iscas no Pantanal. Em algumas comunidades, elas assumiram a liderança nessa atividade, enquanto os homens migraram para outras funções, como pilotagem de barcos turísticos e administração de pousadas. Dados de 2023 mostram que, dos 12.319 pescadores profissionais cadastrados nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, 5.026 são mulheres, representando cerca de 40% do total.

    Quais os desafios enfrentados pelas isqueiras?

    As isqueiras enfrentam diversos desafios, incluindo longas jornadas de trabalho em condições perigosas, exposição a doenças devido à falta de equipamentos de proteção e à qualidade da água, além da baixa remuneração pelo seu trabalho. Muitas vezes, a falta de alternativas de emprego as obriga a continuar nessa atividade, mesmo diante das dificuldades.

    Como a Ecoa tem ajudado as isqueiras do Pantanal?

    A ONG Ecoa — Ecologia e Ação tem desempenhado um papel importante no apoio às isqueiras do Pantanal. Em 2011, a organização localizou uma empresa que fabricava macacões vulcanizados impermeáveis e botas de alta resistência, que protegem as trabalhadoras do contato com a água e de animais perigosos. Com recursos do Ministério Público do Trabalho do Mato Grosso do Sul, a Ecoa adquire e distribui esses equipamentos de proteção individual (EPIs) às isqueiras.

    André Luiz Siqueira, diretor da Ecoa, destaca a importância de garantir condições de trabalho dignas para essas mulheres, que desempenham um papel fundamental na economia do Pantanal. Ele ressalta que, apesar dos desafios, a autonomia proporcionada pela pesca artesanal é valorizada por essas comunidades.

    “Senhor, vá na minha frente, vá limpando os meus caminhos, tirando todo bicho, fera, tudo aquilo que não vem de ti, que seja afastado e que o Senhor abençoe meu trabalho. Em tuas mãos estou. Vá comigo, Pai.”

    Roseli, como muitas outras mulheres do Pantanal, enfrenta diariamente os desafios da coleta de iscas, buscando sustento para sua família e contribuindo para a economia da região.

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